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SÃO PAULO – Gradualismo parece ser a palavra de ordem do Copom (Comitê de Política Monetária) desde o mês de outubro, conforme indicado pelas projeções do mercado acerca da decisão da autoridade monetária sobre a taxa básica de juro da economia brasileira no mês de novembro. Neste sentido, tanto investidores quanto analistas projetam um corte de 100 pontos base na Selic na reunião desta semana.
Mercado futuro da BM&F indica Selic a 18,0% ao ano
Neste sentido, comecemos nossa análise pelo mercado de juros futuros da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), que é um bom sinalizador das expectativas dos investidores acerca do comportamento da Selic. O contrato com vencimento em dezembro deste ano encerrou as negociações de sexta-feira, dia 14 de novembro, apontando uma taxa de 18,20% ao ano, bem próxima, portanto, do patamar de 18,0% ao ano.
Além disso, pode-se dizer que grande parte dos analistas também compartilha desta idéia, visto que, segundo o relatório Focus, do Banco Central, a Selic deverá encerrar 2003 em um patamar de 17,0% ao ano, ou seja, 200 pontos base abaixo de seu atual patamar. Isso sugere a adoção de uma política gradualista por parte do Copom, reduzindo a taxa básica de juro da economia em um ponto percentual em novembro e outro ponto percentual em dezembro.
Inflação voltou a ceder em outubro
Com relação aos fundamentos técnicos para a decisão do Comitê de Política Monetária, podemos constatar que houve de um lado uma desaceleração inflacionária e, por outro, uma ligeira melhora da atividade econômica. Considerando-se o caso dos principais índices de preços, o que se notou em outubro foi uma menor alta dos mesmos, confirmada nas primeiras medições do mês de novembro.
Dessa maneira, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) encerrou outubro apurando uma leve inflação de 0,29%, bem abaixo da alta dos preços de 0,50% esperada pelo mercado e também da variação positiva de 0,78% verificada em setembro. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), por sua vez, apresentou uma alta de 0,23% na primeira prévia de novembro, após ter subido 0,38% no mês fechado de outubro.
Dólar: ele afetará a decisão do Copom?
Mesmo com a inflação mostrando sinais de maior recuo no início de novembro, algo que tem chamado a atenção de muitos analistas diz respeito até que ponto as projeções de variação cambial podem ser levadas em conta na decisão do Copom. Até o início do mês de outubro, o dólar vinha seguindo em uma trajetória de poucas variações, mas desde as últimas semanas daquele mês, a moeda norte-americana passou a acelerar um movimento de alta.
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A maior alta do dólar nos últimos dias reflete, basicamente, as perspectivas do mercado de que o Banco Central poderá não rolar, ou ainda rolar apenas uma pequena parcela, dos vencimentos cambiais de dezembro, que totalizam aproximadamente US$ 3,5 bilhões. Dessa maneira, especula-se até mesmo que a autoridade monetária poderia promover um novo corte na Selic, adotando, contudo, um determinado viés, o que lhe daria a flexibilidade de alterar a taxa básica de juro antes mesmo da reunião de dezembro.
Contudo, caso o Copom entenda que a alta do dólar nas últimas semanas é apenas pontual, então o Comitê poderá não adotar viés, como tem sido feito nas últimas reuniões. Vale destacar que as projeções do mercado, contidas no Focus, apontam para um patamar de R$ 3,00 para o dólar no final deste ano, o que dá margem para novas valorizações da moeda norte-americana.