Como tudo ainda depende do estrangeiro, o que será da bolsa daqui para frente?

IOF à parte, ainda sobra uma visão positiva ao Ibovespa; o grande risco às ações e os drivers para os próximos dias

Publicidade

SÃO PAULO – No meio de muito fôlego, uma pausa. Como tudo é uma questão de fluxo (ou era), a bolsa volta a enfrentar uma semana de saldo negativo pelo temor de que este fôlego esteja com os dias contados. Daqui para frente, tudo parece depender ainda mais do capital estrangeiro.

Esta pausa veio com o IOF, que abateu o Ibovespa na segunda-feira. A medida representou um balde de água fria sobre os ânimos mais exaltados, os mesmos que assistiam outubro – mesmo ainda em andamento – quebrar o recorde histórico de aplicações estrangeiras na bolsa brasileira.

Já com valorização de 73,2% desde janeiro, sem dúvida é um fator que pode desequilibrar. “Sem dúvida é uma questão muito negativa para a bolsa e para o mercado de capitais”, completa André Simões, da Modal Asset. Contudo, “esta medida vai reduzir o fluxo, mas não vai eliminar. Acho que o Ibovespa ainda tem tendência positiva”.

Escalada meteórica

Lá fora, “a escalada meteórica dos mercados emergentes começa a levantar o medo de que eles correram para muito longe, muito rápido”, como diz Leslie Norton, do Barron’s. Por estas e outras, o Credit Suisse reduziu recentemente seu “overweight” para as bolsas emergentes.

Mas como afirmou Simões, o fluxo vai cair, não ser eliminado. De fato, “em uma relação capitalização de mercado com PIB, os mercados emergentes estão muito mais baratos que os desenvolvidos”, reconhece Norton.

Consolidando expectativas

Inegável é que o mercado volta a colocar o investidor na encruzilhada. Com a relutância das autoridades em sinalizar qualquer flexibilização da medida, o IOF deve persistir; como defendeu Lula, ao menos até o final do ano. Na balança, IOF mais a escalada desde janeiro resulta em suspeita quanto ao potencial que resta para o Ibovespa daqui para frente.

Continua depois da publicidade

“Os mercados já precificaram uma recuperação muito forte. Para ultrapassar esse nível atual você tem que ter uma contínua recuperação da atividade econômica. O mercado já pagou na frente pelo crescimento futuro”, acredita Simões. Em sua opinião, agora resta a economia consolidar estas expectativas.

O grande risco

E para consolidá-las, o primeiro foco de atenção é a agenda. Para a semana a seguir, o gestor de fundos da Modal prefere dar atenção aos eventos um pouco distantes dos holofotes. Diante da minuta do Copom e PIB dos EUA na quinta-feira, ressalta o Durable Goods Orders e os gastos e renda pessoal dos norte-americanos. Vale ressaltar que o primeiro sai na próxima quarta-feira e segundo na sexta.

Em sua opinião, a ata do Copom “é um não evento”, pois tende a vir neutra. Quanto aos resultados, é consenso entre os analistas que, de modo geral, os números virão positivos – pelo fato da economia brasileira parecer bem.

Continua depois da publicidade

Mais do que esta preocupação com o fluxo, “o grande risco para o Brasil é o mundo perder esta convicção que a crise acabou. Se isso passar e as pessoas começarem a mudar de percepção, acho que vai ser muito negativo”, finaliza Simões.