Como restam algumas confirmações, bolsa pode se acomodar nos próximos dias

Indicadores se repetem e muito já parece precificado; assim, perspectivas apontam ações de lado por algum tempo

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SÃO PAULO – Segue o movimento e a bolsa vai conseguindo estender ganhos. O ímpeto do mercado este ano traz a ideia de correção, de que as perdas do ano passado foram exageradas demais. Afinal, a melhora aparente da economia ainda precisa de confirmações.

Comparando fundamentos às variações da bolsa, fica mesmo a perspectiva de uma acomodação. “A bolsa está bem precificada nesta faixa de 52 mil, 54 mil pontos”, destaca George Sanders, da Infinity Asset Management. Para ir além, faltam mesmo confirmações.

“Para haver uma melhora das ações, precisaria haver uma melhora dos indicadores principalmente nos Estados Unidos, que estão vindo bastante divididos”, conclui o gestor. O noticiário promete muita General Motors, mas uma escassez de potenciais coadjuvantes. De indicadores, a agenda está cheia.

De lado

Tomando por base a expectativa de que os dados continuem no ritmo que vêm aparecendo ultimamente e que boa parte do fluxo de notícias em torno das montadoras é previsível, retorna a ideia de acomodação.

“Como o mês passado e este mês o avanço foi muito rápido e a entrada de dinheiro foi muito alta, acho que a tendência é dar uma acomodada no curto prazo, com algumas realizações pontuais”, reforça Osmar Camilo, da corretora Socopa.

De fato, a agenda de indicadores promete ser o principal driver do mercado. Até pelo volume de ocorrências. Já na segunda-feira, dados de consumo e renda dos norte-americanos, os tradicionais índices de início de semana no Brasil, além de números de inflação e do setor imobiliário dos EUA. O movimento segue forte durante a semana, com destaque para o ADP Employment na quarta-feira e enfim o Employment Report para fechar a semana.

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Em compasso de espera

“Acho que a bolsa vai ficar de lado durante algum tempo, até a gente ter uma definição melhor do patamar econômico que a gente se encontra”, resume Sanders. Sobra otimismo de uma recuperação, ainda faltam dados concretos.

Até os indicadores realmente evidenciarem que a economia real tomou um rumo, parece faltar motivo para continuar com o fôlego que levou o Ibovespa a estes 53.197 pontos. “Os indicadores se repetem e muito da melhora já foi precificada, (…) fica este compasso de espera, se as expectativas vão ser efetivamente concretizadas”, pondera o analista da Socopa.

Uma mexida, momentânea

À parte a agenda, qualquer reação mais brusca só pode partir do noticiário. Tem o impasse com a Coreia do Norte e tem o deadline para a General Motors. “Pedir concordata ela vai, mas resta saber quais serão as condições”.

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A opinião de Camilo mostra que boa parte das possibilidades já foram ventiladas. “Pode ser que tenha uma mexida no mercado momentânea, de um dia; nada que vá mudar a direção da bolsa”, completa o representante da Infinity.

Sem grandes novidades, a bolsa não deve ir muito além, principalmente as blue chips. “Tanto Petro quanto Vale estão precificadas na bolsa, não acredito em um rali nem de uma nem de outra no curto prazo”, para Sanders. Atenção à segunda-linha; os dois concordam.