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SÃO PAULO – A pouco mais de uma hora para o anúncio mais esperado dos últimos meses, os mercados, tanto de renda fixa quanto variável, acompanham as expectativas de que o Federal Reserve mantenha os estímulos à economia norte-americana, apesar de algumas sinalizações contrárias sobre o tema, em meio à recuperação da atividade.
Em meio à proximidade do anúncio, o Ibovespa ganha forças, com alta de 0,96%, a 50.571 pontos. Vale ressaltar que desde maio, na primeira sinalização de que a autoridade monetária norte-americana iria reduzir o QE3, a bolsa brasileira vem sofrendo, uma vez que indica que está acabando a “era do dinheiro barato” para os mercados emergentes.
Com a injeção de liquidez do Federal Reserve nos últimos anos, muito capital foi alocado para as nações emergentes e, com a saída, houve uma reversão deste fluxo, afetando o principal índice da bolsa brasileira que acumula queda de cerca de 17% no ano, também por conta das perspectivas mais sombrias para a economia nacional.
Dólar sobe também com cenário interno
Por outro lado, em um aparentemente contrasenso, está registrando fortes ganhos de cerca de 1%, a R$ 2,346 na venda. Desde maio, um dos fatores que vem impulsionando a disparada do dólar é a expectativa pela redução de estímulos à economia dos EUA, o que diminui a entrada de capital estrangeiro no País acaba por valorizar a moeda estrangeira. Assim, uma manutenção dos estímulos na economia norte-americana poderia levar à uma queda da divisa norte-americana, mas não é isso que acontece nesta sessão.
No caso do dólar, o mercado reflete principalmente o cenário interno, com os dados do déficit da conta corrente acima da mediana em novembro. O relatório do BC apontou um déficit de US$ 5,145 bilhões em novembro e US$ 72,69 bilhões no acumulado de 2013, o maior da série histórica. E o IED (Investimento Estrangeiro Direto) não deve ser suficiente para cobrir o rombo do setor externo.
Treasuries
A expectativa de que haja a manutenção de estímulos no Fed favoreceu a alta das bolsas europeias e dos índices futuros da bolsa norte-americana que, contudo, após a abertura, diminuíram as forças e passaram a oscilar entre leves quedas e baixas. Já no caso dos treasuries norte-americanos, o dia é de volatilidade, com os juros dos títulos subindo nas máximas do dia após os dados dos indicadores norte-americanos de construção residencial referentes a novembro, que sinalizaram recuperação.
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Apesar da sinalização de que os estímulos passam ser prorrogados, boa parte dos investidores avalia que diminuições do ritmo do programa de estímulos podem ser feitas no próximo mês, mesmo com a aposta majoritário sendo até março.
Em momentos de apreensão e de aversão ao risco, os investidores costumam correr aos títulos dos EUA, considerados os ativos mais seguros do mundo. Com menor capital disponível e com o aumento da taxa de juros nos títulos de renda fixa dos EUA, a expectativa é de uma entrada de maior capital nestes papéis.
Juros futuros têm leve alta
O efeito do Fomc também foi sentido nos contratos juros futuros brasileiros com vencimento mais longo, que têm um dia de leve alta, também em decorrência da valorização do dólar e das falas de autoridades do governo sobre a economia brasileira. A taxa do DI para janeiro de 2015 fechou a 10,49%, com alta de 0,02 ponto percentual em relação ao ajuste de ontem.
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Os juros futuros seguiram o movimento da moeda norte-americana: em meio à alta do dólar, a pressão sobre os preços de produtos importados aumenta e influencia no comportamento da inflação que, apesar de ter mostrado desaceleração nos últimos meses, pode voltar a ser impulsionada com a subida da moeda norte-americana. Com isso, as expectativas para uma alta da taxa básica de juro, a Selic, aumenta ainda mais, reforçando a subida da taxa dos contratos de juros futuros, que “projetam” as alterações de política monetária.