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SÃO PAULO – A apreensão dos mercados de câmbio, juros e ações no Brasil têm sua razão de ser, pois os reflexos das possíveis ações do Federal Reserve podem resultar na necessidade de um novo viés para as atitudes do Banco Central brasileiro.
Vale lembrar que no início da semana, anteriormente à divulgação do Nonfarm Payrolls, o mercado temia os efeitos de novas elevações da taxa básica de juro brasileira. Apesar desse temor, qual deve ser o rumo da economia brasileira nos próximos meses?
Independente do quadro externo, o cenário para a economia brasileira é positivo para 2005, mas com nuances importantes e diferenciadas em relação à realidade do ano passado. Em primeiro lugar o carro-chefe da economia não será mais o setor agroindustrial, mas o industrial.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a produção da indústria nacional projeta crescimento de 7,2% já neste primeiro trimestre e de outros 5,5% no segundo trimestre, devendo encerrar 2005 com crescimento de 5,3% ante 2,9% estimados para o setor agroindustrial, que, por sinal, exibirá o menor nível de expansão em três anos.
Empresas vão deixar de exportar?
Em segundo lugar, o nível de consumo interno vai subir e com isso, a propensão de superávit comercial cair. E aqui cabe uma questão importante, com reflexos no desempenho futuro das empresas exportadoras com ações em bolsa.
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Com o aumento do consumo interno, as empresas vão continuar exportando como antes, ou desviarão parte da produção para atender à demanda interna em reaquecimento? Essa decisão estratégica será mais fácil para as empresas que tiveram ociosidade em seu chão de fábrica ou estejam com parques fabris renovados. Caso contrário, não darão conta da demanda.
Alta do consumo interno pode reduzir perdas
Outro fato interessante é que, se de um lado o dólar americano tende a ficar mais barato frente à cesta de moedas, afetando inclusive a paridade real/dólar, o que reduz a rentabilidade das exportações brasileiras, de outro, o reaquecimento do consumo interno serve como efeito compensador em relação a essa possível perda de rentabilidade e competitividade externa.
Isso induz a projetar um novo e bom cenário para o desempenho das empresas com ações em bolsa, seja através de resultados financeiros de balanços, pagamentos de dividendos e valorização em bolsa.
Copom corre atrás do FED
Em terceiro lugar, qual a postura do Banco Central brasileiro frente a uma possível nova seqüência de altas do juro nos Estados Unidos? Caso o juro suba no exterior, se terá um novo movimento conhecido por flight to quality, ou seja, quando os investidores internacionais buscam refúgio nos títulos do Tesouro dos EUA, principalmente, seja por eles estarem pagando maiores prêmios (em detrimento do risco embutido nos títulos de mercados emergentes, por exemplo), seja porque o quadro de volatilidade do mercado financeiro global saiu dos parâmetros normais.
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Numa situação desse tipo o Banco Central brasileiro é obrigado a realinhar o prêmio dos títulos do Tesouro Nacional, o que representa alta de juros e maior propensão à desvalorização cambial, no sentido de abrir o cupom cambial, ampliando a propensão de lucro real ao investidor estrangeiro.
Mesmo com essa maior rigidez monetária, que afetará ainda mais o quadro creditício interno, a indústria tem um demanda por consumo interno crescente, o que projeta um bom desempenho para aquelas companhias com ações em bolsa.
No mercado financeiro, bolsa é opção
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Todo movimento de alta do juro eleva a propensão de lucro para quem está posicionado em ativos indexados ao DI. Além, disso o DI reflete de forma mais dinâmica os movimentos de alta ou baixa do juro. Por isso, as cotas de fundos DI, por exemplo, poderão espelhar uma melhor performance que as de renda fixa.
Os fundos de ações continuam sendo ótima opção, em que pese o fato de já terem obtido em 2005 um desempenho acima do normal. Vale destacar que um fator pode descolar as bolsas brasileiras dos fatos cotidianos que envolvem o cenário externo.
Inicia-se a safra de balanços das empresas, referente ao exercício de 2004, fato que sempre traz reflexos sobre as reavaliações de preços e comportamento das ações em bolsa, o que pode impulsionar ou não os ganhos das cotas de fundos indexados às ações.