Como as falas de Ilan e de um integrante do Fed fizeram o dólar disparar mais de 1%

"Se usasse o câmbio para controle da inflação, não reduziria os swaps", argumentou o presidente do BC

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SÃO PAULO – Após forte queda na véspera, o dólar comercial tem uma sessão de recuperação nesta terça-feira (4) puxado pelas falas do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e do presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker. Às 13h58 (horário de Brasília), a moeda norte-americana tinha ganhos de 1,38%, a R$ 3,2486 na compra e R$ 3,2499 na venda.

Por aqui, Ilan afirmou que a autoridade monetária não irá ferir premissas como a do câmbio flutuante – um dos pés do tripé da política econômica nacional. “Não estamos utilizando o câmbio como instrumento de controle da inflação”, disse o presidente do BC em audiência realizada na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal. “Se usasse o câmbio para controle da inflação, não reduziria os swaps”, argumentou.

O discurso de Goldfajn foi interpretado pelo mercado como uma posição realista de compromisso com o controle da inflação. Para Jason Vieira, economista da Infinity Asset, uma das conclusões que se pode chegar após a participação do presidente do BC no debate na CAE foi que a próxima semana será decisiva para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) dos rumos dos juros nas próximas reuniões. Ele argumenta que tal percepção é evidenciada pelo movimento dos contratos de juros futuros, que operam estáveis nessa sessão.

“O mercado às vezes se anima demais com a possibilidade de um início de afrouxamento monetário, e o BC tem dado atenção especial à aprovação da PEC do teto de gastos”, afirmou Vieira. No momento, a Infinity Asset mantém projeções para manutenção da Selic na próxima reunião do Copom, mas com possibilidade de revisão para queda em caso de aprovação do projeto.

Porém, o que mais teve efeito no mercado foi mais uma declaração de integrantes do Federal Reserve indicando uma alta de juros próxima nos Estados Unidos. Lacker (que não vota nas decisões do Fomc), disse que o BC americano deveria subir os juros para evitar uma aceleração indesejada da inflação que obrigasse altas mais fortes à frente. Ontem, Loretta Mester, do Fed de Cleveland e que vota nas decisões de política monetária, afirmou que altas de juros devem continuar no radar até o fim do ano.

Para ele, que passará a votar no Fomc em 2018, o Fed deve aumentar as taxas gradualmente, “mas não muito gradual”, além de acreditar que o baixo nível atual das taxas poderia empurrar a inflação acima da meta de 2% do Fed em poucos anos. Lacker argumentou que a história mostra que as taxas de juros precisam atingir um valor 1,5% acima do valor atual. Ele alertou que manter as taxas muito baixas poderia levar a um aumento da inflação e a subida das taxas agressivas poderia causar uma recessão.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.