Como Apple e Steve Jobs, OGX e MMX podem sentir a dependência a Eike Batista

Para analista, o "fator que leva o mercado a premiar as empresas é a reconhecida capacidade de execução" do bilionário

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SÃO PAULO – Bill Gates e Microsoft; Steve Jobs e Apple. São exemplos conhecidos da simbiose entre empresas e seus principais executivos/fundadores. Entretanto, junto ao prêmio pela competência, pode vir o ônus pela dependência excessiva destes personagens, cujo maior exemplo no Brasil é Eike Batista.

Se a sucessão corporativa é sempre um tema delicado, a situação fica pior quando o líder empresarial parece ser insubstituível. Prova disto foi a forte reação negativa das ações da Apple, que chegaram a cair mais de 4% em uma tarde no início de janeiro deste ano, em reação ao anúncio de que Jobs deixaria o comando da empresa por razões médicas.

Guru e bilionário
Assim também parece ser com o já folclórico “toque de Midas” de Batista e sua empresa – a holding EBX. “O grande fator que leva o mercado a premiar as empresas da holding é a reconhecida capacidade de execução de Eike Batista. Na medida em que você não tem este estrategista, é um problema”, afirmou Max Bueno, analista da corretora Spinelli.

Eike e as empresas “X”
OGX Petróleo LLX Logística MPX Energia OSX Brasil MMX Mineração

Eike Batista é diretor-presidente
e presidente do Conselho de
Administração 

Presidente do 
Conselho de 
Administração

Presidente do 
Conselho de 
Administração
Presidente do 
Conselho de 
Administração
Presidente do 
Conselho de 
Administração
EBX possui 62% do capital social EBX possui 62%
do capital social
Eike e diretores
possuem fatia
de 75% 
Eike e EBX somam 
78,9% de participação
Fatia de Eike chega
a 42,6% 
Fonte: Sites de Relações com Investidores de OGX, LLX, MPX, OSX e MMX.

Como mostra a tabela acima, sua influência direta sobre as empresas é grande, na qualidade de controlador e de presidente dos diversos conselhos de administração. No caso da OGX (OGXP3), sua influência formal é ainda maior, na qualidade de diretor-presidente.

Eikedependência
Mas nem todos enxergam a semelhança. “Não é igual à Apple e o Jobs. Eike contratou muita gente da Petrobras [para a OGX], com experiência no setor”, ressalta Erick Scott, analista da corretora SLW. “Jobs veio de informática, enquanto Eike conhece o setor [de petróleo] só agora. De natureza, conhece mais mineração”, completa.

“Na OGX, a empresa foi formada por um núcleo de antigos executivos da Petrobras, com mão-de-obra altamente especializada”, concorda Bueno, para quem a equipe de gestores é “difícil de encontrar e substituir”.

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Ainda assim, Eike é a face pública de suas empresas, tendo seu sucesso e eventuais polêmicas pessoais diretamente associadas à imagem das companhias. 

Linha de frente
Entretanto, o analista da Spinelli afirma que “o risco [associado a problemas com Eike] é razoável”. Mas em sua visão não há negligência por parte do mercado, uma vez que este fator é incorporado às projeções por meio do risco de execução do cronograma e metas dos projetos.

Em suma, “até o momento as empresas do grupo têm cumprido [cronogramas e metas]. Acho que o valor de mercado das empresas reflete este sucesso”, concluiu Max Bueno.