Como ações brasileiras reagem a corte de juro nos EUA? Mercado pode ter boas notícias

Ações brasileiras tipicamente apresentam fortes retornos tanto em reais quanto em dólares no período de um ano após o início dos ciclo de corte de juros nos EUA

Lara Rizério

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O mercado amanheceu nesta quarta-feira (17) com uma grande expectativa pelo início do ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve, espera essa que já tem levado o Ibovespa a máximas constantes, superando os 144 mil pontos.

Mas, olhando para trás, qual é histórico do impacto do corte de juros do FOMC sobre as ações brasileiras?

Conforme aponta em relatório a equipe de estratégia da XP Investimentos, as ações brasileiras tipicamente apresentam fortes retornos tanto em reais quanto em dólares no período de um ano após o início dos ciclo de corte de juros nos EUA.

As ações brasileiras apresentam retornos superiores ao MSCI Mercados Emergentes e ao MSCI ACWI exceto-EUA após ciclos de afrouxamento nos EUA.

“O MSCI Brasil registrou, em média, um retorno de 41,2% (em dólares) um ano após o início de ciclos de afrouxamento monetário, com resultados positivos em 5 dos últimos 8 períodos (62,5% das vezes). Os retornos negativos foram observados em 2001, 2019 e 2020”, ressaltam os estrategistas. Em reais, o retorno é de 31,2%.

Retorno médio dos ativos locais após a primeira decisão de corte de juros do FOMC (Fonte: XP)
Retornos dos ativos locais (em reais) e dos índices de ações globais (em dólares) 1 ano após a primeira decisão de corte de juros do FOMC (Fonte: XP Research, Economatica)

Considerando o último corte, em setembro de 2024 – há quase um ano – o MSCI Brazil acumula alta de 8,8%.

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Já do ponto de vista setorial, nos três a um meses que antecedem o primeiro corte, setores ligados a commodities (como Papel & Celulose, Óleo, Gás & Petroquímicos e Mineração & Siderurgia) tendem, em média, a apresentar desempenho inferior ao Ibovespa, enquanto setores domésticos (como Propriedades Comerciais e Educação) costumam liderar.

“Após o primeiro corte, no entanto, os setores de commodities tendem a se recuperar, superando os nomes domésticos”, avaliam.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.