Como a Selic em queda pode beneficiar Marcopolo e Randon no setor de bens de capital

XP Investimentos destaca potencial de valorização para Marcopolo e Randon com a queda dos juros, enquanto Kepler Weber e Iochpe-Maxion ganham atenção dos analistas

Murilo Melo

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Empresas do setor de bens de capital voltadas ao mercado doméstico devem ser beneficiadas pela expectativa de queda da taxa básica de juros no Brasil, a Selic, neste segundo semestre, segundo projeções da XP Investimentos.

A projeção é que a Selic seja mantida em 15% até o fim deste ano, e caia para 12,50% em 2026, enquanto para 2027 permanece em 10,50%.

Para 2028, a estimativa é de 10% por 27 semanas, conforme o último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (30).

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Entre essas companhias que devem se dar bem, a Marcopolo (POMO4) se destaca como a principal recomendação, ou a preferida da casa.

A empresa deve apresentar melhora nos resultados nos próximos trimestres, com aumento nos volumes e melhor composição do mix de produtos. Essa tendência, dizem os analistas, ajuda a afastar a preocupação sobre um pico no ciclo de lucros.

O preço das ações da Marcopolo negocia a um múltiplo preço sobre lucro (P/L) projetado para 2026 de 6,3 vezes, nível considerado atrativo. O balanço da companhia não mostra sinais de alavancagem até o fim deste ano, o que reforça a expectativa de dividendos próximos a 9% até 2026.

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Outro nome com potencial de valorização é a Randon (RAPT4) cujas ações ainda não incorporam a expectativa de ponto de inflexão nos lucros para este ano, especialmente em suas áreas mais cíclicas e alavancadas. A análise da corretora revela que a subsidiária Fras-le não representa um risco importante para o grupo, e que operações de fusões e aquisições (M&As, sigla em inglês para mergers and acquisitions) podem ser uma fonte de ganho extra.

O valuation implícito do fundo Pátria para o negócio de consórcio da Randon é considerado justo. Com iniciativas internas para reduzir custos e controlar a alavancagem, a companhia pode se beneficiar de uma melhora no ambiente doméstico, o que pode gerar valorização das ações na ordem de 62%.

A Kepler Weber (KEPL3) também recebe atenção favorável dos analistas da XP devido à tese estrutural que envolve a redução do déficit de armazenagem no Brasil, associada à recuperação esperada do agronegócio. A Iochpe-Maxion (MYPK3) aparece entre as preferidas por apresentar valuation considerado barato, desalavancagem financeira e potencial para gerar dividendos atrativos.

Entretanto, a recente valorização do real tem dificultado ganhos no curto prazo para empresas com receitas atreladas ao dólar, como WEG (WEGE3) e Embraer (EMBR3), levando à manutenção da recomendação neutra para esses papéis. As projeções para o lucro líquido de 2026 dessas companhias estão abaixo do consenso de mercado, em 9% para WEG e 4% para Embraer. Ainda que a assimetria de valorização seja um pouco mais favorável para a WEG entre os nomes dolarizados, a XP diz que o espaço para revisão positiva nos lucros é limitado.

Confira as recomendações da XP para o setor de bens de capital:

EmpresaTickerPreço AlvoPotencial de AltaRecomendação
WEGWEGE3R$ 46,008%Neutra
EmbraerEMBR3R$ 68,00-14%Neutra
MarcopoloPOMO4R$ 10,0025%Compra
RandoncorpRAPT4R$ 14,0062%Compra
Frasle MobilityFRAS3R$ 24,00-11%Neutra
Kepler WeberKEPL3R$ 10,0024%Compra
Iochpe-MaxionMYPK3R$ 18,0039%Compra
TupyTUPY3R$ 20,0010%Compra