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SÃO PAULO – No final de setembro, quando o dólar superou o nível dos R$ 4,00, muitos especialistas viram suas projeções se concretizarem e as projeções passaram a ser ainda maiores, com analistas esperando uma cotação acima de R$ 4,50. Mas não foi isso que o mercado viu, já que desde então o dólar só perdeu força contra o real, atignindo nesta quinta-feira (19) seu valor mais baixo desde o início de setembro. Mas como explicar isso?
O movimento, em grande parte, vem sendo justificado por uma melhora no ambiente doméstico político, principalmente após as recentes vitórias do governo no Congresso e com o adiamento de um possível processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Enquanto isso, no exterior, os EUA se aproximam da alta de juros, mas com comunicados mais explicativos, o mercado sente um alívio e favorece para um preço mais baixo da moeda.
Porém, há um fator que pode estar afetando, e muito o câmbio nos últimos meses e que poucos analistas estão comentando. Conforme mostra o blog Veja Mercados, o grupo J&F, que controla a JBS e diversas outras empresas, está reduzindo sua aposta na desvalorização do real nas últimas semanas, o que está mexendo com os preços da moeda.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney disseram que é muito difícil afirmar com precisão o impacto destas operações na cotação do dólar. Porém, o valor especulado, que pode superar os R$ 58 bilhões, teria força, sim, para “fazer preço” no câmbio. Um analista que não quis se identificar ressalta que este seria um fator de médio prazo para afetar as cotações, que aliado ao noticiário doméstico e internacional, poderia ajudar a manter o dólar nas atuais cotações mais distantes de R$ 4,00.
Segundo participantes do mercado ouvidos pelo blog da Veja, as várias empresas do grupo têm deixado vencer contratos que não apenas protegiam o grupo contra uma alta do dólar mas faziam uma aposta especulativa sobre a direção da moeda americana. De acordo com a matéria, no pico de sua exposição a derivativos cambiais, só a JBS chegou a ter R$ 51 bilhões em apostas na desvalorização do real, segundo o balanço do 3º trimestre.
Além disso, haveria mais R$ 7 bilhões de exposição da empresa de celulose do grupo, a Eldorado, levando o subtotal, para R$ 58 bilhões, desconsiderando outras empresas do grupo que também estão realizando as operações. Apenas no ano que vem, quando a JBS divulgar seu balanço de 2015, será possível ter uma noção maior dos valores totais desta operação.
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Segundo Geraldo Samor, da Veja, a JBS começou o quarto trimestre com R$ 41,3 bilhões em exposição a derivativos cambiais, sendo que em 30 de setembro, a tesouraria da empresa deixou vencer cerca de R$ 9,8 bilhões em derivativos. Parte deste montante, R$ 1,5 bilhão, seria de um hedge específico, feito para a compra da Moy Park, que expirava em 30 de setembro.
Desde que atingiu sua máxima histórica, em 23 de setembro, o dólar comercial já recuou cerca de 10%. Apesar disso, no acumulado de 2015, a moeda norte-americana registra ganhos de mais de 40%. Nesta quinta-feira, a divisa registrou queda de 1,46%, cotada a R$ 3,7338 na compra e R$ 3,7348 na venda.