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SÃO PAULO – Por vezes deixado em segundo plano por alguns investidores, o comportamento da economia internacional, sobretudo dos EUA, em 2007 poderá afetar de forma significativa a rentabilidade de seus investimentos no próximo ano.
Uma Fed Funds Rate mais alta, por exemplo, diminuiria a margem de manobra do Copom (Comitê de Política Monetária), ao elevar o juro de equilíbrio no Brasil. Desta forma, a Selic tenderia a cair menos, aumentando a atratividade relativa dos investimentos em renda fixa.
De forma análoga, um crescimento acima do esperado da economia norte-americana impulsionaria os lucros corporativos naquele país, levando um fôlego extra a Wall Street. Dada a correlação positiva entre as bolsas dos EUA e o Ibovespa, a confirmação de uma desaceleração suave da economia norte-americana renderia bons frutos ao investimento em ações.
Sendo estes apenas dois exemplos da capacidade do cenário externo influir em suas aplicações, vale a pena identificar quais as variáveis a serem acompanhadas no âmbito internacional visando 2007.
Fomc no centro das atenções
Certamente, um dos parâmetros em maior evidência será o juro básico norte-americano. Depois de uma campanha de dois anos de elevação da Fed Funds Rate, o Fomc interrompeu o ciclo de apertou monetário em agosto, mantendo desde então a taxa nos atuais 5,25% ao ano.
O grande questionamento é qual será o próximo passo do colegiado do banco central dos EUA. De um lado, a desaceleração da economia e o possível estouro da bolha imobiliária indicam a necessidade de um corte no juro, o que, obviamente, aumentaria a atratividade das aplicações em ações, vis-à-vis os investimentos em renda fixa.
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Mas pode subir
Em contrapartida, membros do Fed têm sido enfáticos na afirmação de que as pressões inflacionárias seguem elevadas e acima do patamar considerado confortável pela trupe comandada por Ben Bernanke, sugerindo a necessidade de um esforço monetário adicional. Obviamente, o mercado de ações norte-americano sentiria um impacto desfavorável. E a Bovespa não passaria incólume.
O maior problema aqui é que muitos investidores parecem trabalhar com a hipótese de ao menos uma redução do juro básico norte-americano em 2007. Caso este não seja confirmado, a decepção pode ser grande. Cotações do mercado de juros futuros sugerem uma probabilidade superior a 60% de corte na Fed Funds Rate em maio.
O bom sinal é que o Fomc, ao menos na interpretação de alguns analistas, já começa a alinhar seu discurso em prol de um afrouxamento da política monetária. Nos comentários a respeito de sua última reunião, o comitê de mercado aberto do Fed acrescentou a palavra “substancial” ao trecho que se referia à desaceleração do mercado imobiliário, evidenciando a atenção da autoridade monetária ao menor ritmo de crescimento econômico.
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Dando mais um sinal neste sentido, a equipe comandada por Ben Bernanke também adicionou uma frase no documento salientando que os recentes indicadores econômicos publicados não mostraram tendência única.
Desaceleração dos lucros corporativos
Outro aspecto a ser analisado diz respeito à expectativa de desaceleração do crescimento dos lucros corporativos nos EUA e, por conseguinte, de um pior desempenho das ações listadas em Wall Street.
Isso porque, mesmo que se concretize o “pouso suave” da economia norte-americana, esta está em clara diminuição do ritmo de expansão. A Merrill Lynch, por exemplo, estima um incremento no PIB (Produto Interno Bruto) do país de 1,8% em 2007, frente aos 3,4% projetados para este ano.
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Nesta esfera, a evidência recente mais favorável esteve relacionada ao mercado imobiliário, cujo impacto negativo no crescimento do PIB do país este ano pode ser superior a 1%. Tem sido recorrente construtoras se manifestarem afirmando que “o pior já passou” no segmento, diminuindo a possibilidade de “estouro da bolha”.
Especificamente a respeito do cenário corporativo, analistas estimam um aumento de 9,5% dos lucros das grandes empresas dos EUA em 2007, frente aos 15% projetados para 2006 e aos 20% do ano passado.
Política também importa
E, por fim, a geopolítica também estará em pauta. A eleição de um Congresso democrata nos EUA desagrada Wall Street, pois a ideologia do partido republicado é considerada mais alinhada com as aspirações dos investidores em ações.
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Temem-se maior regulação dos mercados, elevação do gasto público com saúde e restrições ao comércio internacional – estaria em risco a própria manutenção da tendência de forte crescimento das exportações brasileiras ao país.