Como a decisão do Fed pode mudar o rumo da Bolsa nesta quarta-feira

O aguardado encontro dos líderes do Federal Reserve pode trazer novidades em relação ao fim dos estímulos nos EUA e também sobre a alta de juros

Publicidade

SÃO PAULO – Nesta quarta-feira (17) se encerra a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), fato que já tem sido o centro das atenções nas principais bolsas do mundo, que aguardam pelas sinalizações sobre o fim dos estímulos e alta de juros nos EUA. Por lá, há quem acredite que, não importa o que o Fed decida hoje, os mercados serão afetados durante a tarde.

O mercado em geral diverge sobre quais devem ser os próximos passos da autoridade monetária, o que faz com que o encontro de hoje acabe tendo algum impacto seja ele por algum anúncio ou pela manutenção do discurso de crescimento moderado da economia. Neste momento o mercado cambial opera refletindo a tensão sobre o que devemos ver às 15h (horário de Brasília), quando será feito o anúncio do Fed.

E esse efeito não se reflete apenas no Brasil. No início da tarde desta quarta o dólar atingiu seu maior patamar em 8 anos em relação ao yuan (moeda da China), em um claro sinal de que os investidores estão preferindo os ativos de menor risco. No Brasil, o dólar sobe cerca de 0,70% e volta ao patamar de R$ 2,35.

Segundo o gestor da FCL Capital, Fernando Araújo, a expectativa é que o comunicado de hoje já dê a primeira sinalização de que os estímulos à economia devem terminar no próximo encontro, o que traz a ideia de que a alta de juros está próxima de ocorrer. “A maior parte do mercado aposta que a elevação das taxas de juros ocorra em junho de 2015, mas isso já tem seu efeito agora”, explica Araújo.

Ou seja, se realmente o Federal Reserve der sua primeira sinalização do fim dos estímulos, a tendência é que o dólar suba forte, assim como os juros futuros, enquanto a Bolsa sofra uma grande pressão vendedora. Isto seria a sinalização mais óbvia, já que os investidores, neste momento, buscariam ativos de menor risco, saindo das ações. Vale lembrar que a participação de investidor estrangeiro na Bovespa é alta, ou seja, uma mudança de humor por lá deve afetar a Bolsa aqui.

Por outro lado, a falta de uma sinalização – que é improvável, já que o Fed desde o ano passado já tem deixado claro que quer ser o mais transparente possível – poderia indicar que a alta de juros nos EUA pode demorar um pouco mais, o que deve aliviar o câmbio e pode trazer um impulso para a Bolsa.

Continua depois da publicidade

Vale destacar, porém, que o mercado brasileiro tem um fator que pode se sobrepor ao anúncio do Fed: as eleições. Em meio a uma bateira de pesquisas eleitorais e com o debate ocorrido na noite de ontem, analistas apontam que os investidores têm dado muito mais atenção à corrida eleitoral do que outros eventos. Mesmo assim, o Fed deve ter seu efeito por aqui na sessão de hoje.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.