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SÃO PAULO – A bolsa de valores norte-americana é muito mais desenvolvido do que o nacional – são milhares de empresas de capital aberta, contra 450 no Brasil. Por lá, o índice mais importante é o S&P 500, que compila o desempenho das 500 maiores ações nas bolsas de lá, enquanto aqui, o Ibovespa, com 68 ativos, é a grande referência.
Enquanto o benchmark mais importante por aqui, tem 25% de sua composição ligada à três empresas, Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3; VALE5) e OGX Petróleo (OGXP3), o S&P 500 não tem nenhuma empresa com peso superior a 4%. A Apple é justamente a “líder”, com 3,67% – e tem sido destacada como a ação mais importante da história, por conseguir, sozinha, jogar pressão negativa a ponto de fazer o S&P 500 patinar.
Mesmo com um peso considerado pequeno para o padrão brasileiro, a importância da Apple é gigantesca para o mercado norte-americano – e sua queda de 12,35% nesta quinta-feira (24), atigindo os US$ 450,50, foi capaz de jogar um viés negativo na bolsa dos EUA – fazendo o S&P 500 avançar apenas 0,01%.
A sua importância é exaltada pela quantidade de pessoas que apostavam nessa ação. Em 2012, mais de 1.000 fundos listavam a Apple entre suas 10 principais apostas – enquanto apenas 11 davam essa importância para a gigante fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak em 2002, ano do lançamento do iPod, tido como precursor desse movimento.
Muitos não possuem escolha, já que são fundos passivos que foram adicionando Apple conforme ela foi ganhando peso no S&P 500. Mas muitos fundos ativos também tiveram essa atitude, muitas vezes até por pressão social. “Você quer mostrar que você tem uma ação de sucesso, não é fácil se livrar dessa ideia”, disse Jeff Tiornehoj, analista da Lipper, em entrevista ao Portal norte-americano MarketWatch.
Ganhos de 5.655,67% em 10 anos
Se a ação se tornou a mais importante da história nos EUA, muito por conta da ilusão de que o papel subiria para sempre – o que acabou não acontecendo. A alta de 5.655,67% dos papéis de US$ 12,25 em 2002, ano de lançamento do iPod, até o topo histórico, aos US$ 705,07, transformou o papel no grande sucesso da bolsa norte-americana nesse período.
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Mas para muita gente no mercado uma coisa movia a ação para cima: a inovação da empresa e a genialidade de Steve Jobs. Sem ele, os papéis continuaram subindo, em praticamente um movimento de inércia, mas conforme a empresa encontrou seus primeiros problemas, com o iOS 6.0 e o iPhone 5, começaram a desabar.
Os resultados começaram a decepcionar os investidores, com margens em queda. Não à toa, os papéis entraram em queda livre. Desde o topo histórico, as ações da empresa já recuaram 36,11%. Há muita gente, porém, que continua apostando em uma retomada da ação para patamares mais atrativos.
Empresa não entra no Dow Jones
A importância da Apple é mal compreendida pelo fato da ação não fazer parte do Dow Jones, que em teoria compila as 30 ações mais líquidas e importantes da bolsa norte-americana. Trata-se de uma decisão tomada de propósito para evitar que o Dow Jones se tornasse muito dependente dessas ações, que teriam mais de 15% desse índice.
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A preocupação com isso é tamanha que medidas para coibir a participação da Apple na Nasdaq já foram tomadas nos últimos dois anos e podem ser tomadas novamente. Seu peso é tão grande que fez com que o índice da bolsa de tecnologia recuasse 0,74% nessa quinta, contra alta de 0,34% do Dow Jones.
A variação do Dow Jones é calculada através do valor de face das ações das empresas componentes – e a entrada da Apple, cuja ação já chegou a valer US$ 700 praticamente acabaria com o poder das ações de Alcoa, cujos papéis valem US$ 9,04, e Bank of America, com cada ativo aos US$ 11,53. Atualmente, a IBM é a empresa com a ação com maior valor de face, US$ 204,42.