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Commodities e menor aversão ao risco impulsionam Ibovespa em maio, que avança 3,22%; dólar cai 3,86% no mês

Estímulos e diminuição de restrições na China associados a novas sinalizações do Federal Reserve puxam índice brasileiro e derrubam dólar

Por  Vitor Azevedo -

Maio foi um mês positivo para a Bolsa brasileira e para o real – ambos, no mês, se fortaleceram, com o Ibovespa fechando em alta de 3,22%, aos 111.351 pontos, e a moeda brasileira avançando 6,3% frente ao dólar comercial, que fechou negociado a R$ 4,752 na compra e a R$ 4,753 na venda. A divisa americana caiu 3,86% no mês frente o real.

Já na sessão desta terça-feira (31), último dia do mês, o índice fechou em leve alta de 0,29%, enquanto o dólar recuou 0,04%.

O real e o Ibovespa conseguiram em maio se recuperar das quedas registradas em abril, mês que ficou marcado por ter, praticamente, apagado os ganhos do principal benchmark brasileiro, com investidores temendo o avanço da inflação e uma possível recessão da economia mundial.

“Em maio tivemos dois momentos distintos. Na primeira metade, uma continuidade daquilo visto no mês de abril, houve uma venda dos ativos brasileiros por estrangeiros, principalmente do setor de materiais básicos, com uma realização considerável”, pontua Luiz Adriano Martinez, gestor da Kilima Asset. “Essa queda estava ocorrendo, ao meu ver, por dois motivos principais: medo da aceleração da alta da taxa de juros nos Estados Unidos e preocupações com a economia chinesa, com os lockdowns”.

Martinez lembra que, na última semana, a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) trouxe que a maioria dos diretores do Federal Reserve não vê como necessárias, ao menos nas duas próximas reuniões, elevações maiores do que 50 pontos-base e que pretendem aguardar os próximos dados macroeconômicos para tomar novas decisões.

Juros mais altos na maior economia do mundo significam menor crescimento econômico e, além disso, tendem a retirar capital dos ativos de risco, com a migração para renda fixa.

Se os diretores do Fed aguardam dados econômicos para tomar novas decisões, o mercado reagiu positivamente ainda ao fato de o PCE, principal índice de inflação dos Estados Unidos, ter registrado crescimento de 0,2% na base mensal em abril, desacelerando em relação aos 0,9% de março e aumentando a expectativa de que a alta dos preços tenha alcançado um topo.

Caio Tonet, sócio-fundador e head de renda variável da W1 Capital, lembra que o Produto Interno Bruto (PIB) americano, divulgado recentemente, veio pior do que o esperado no primeiro trimestre, caindo 1,5%, ante consenso de baixa de 1,3% do mercado. “Isso, talvez, pode corroborar para a visão de que as próximas subidas de juros do Federal Reserve não serão tão agressivas”, explica. “Quanto melhor a economia e quanto maior a inflação, maior terá de ser a subida dos juros”.

Por fim, a China começou, em maio, a diminuir seus lockdowns e as restrições impostas pela sua política de Covid zero e ainda anunciou novos estímulos – segundo cálculos feitos pela Bloomberg, o gigante asiático pode despejar US$ 5,3 trilhões em sua economia, através de recusas fiscais e investimentos do governo, ou até mais, no caso de o cenário não melhorar.

Luiz Adriano Martine explica que os estímulos da China, maiores do que o esperado, puxaram setores importantes do Ibovespa. “As empresas de materiais básicos, principalmente Vale (VALE3), começaram a avançar novamente”, diz, lembrando que o país asiático é o maior importador de minério do mundo.

“Já no petróleo, o mercado continua aquecido por conta das restrições impostas pela guerra da Ucrânia. Ficou claro que as sanções irão continuar, com mais impacto no setor”, complementa.

Vale e Petrobras (PETR3;PETR4) correspondem, juntas, a cerca de 27% do Ibovespa. As ações ordinárias da mineradora subiram 3,5% em maio. Estes mesmos tipos de papel da petroleira subiram 9,60%, enquanto os preferenciais avançaram 10,2%.

“Quando começou a ficar mais claro os desfechos das questões do Fed e da China, o mercado começou a andar. A venda do investidor estrangeiro no Brasil começou a diminuir e passamos a ter mais compras aqui”, explica Martinez.

Por fim, os especialistas consultados pelo InfoMoney também destacaram que o setor financeiro teve importante papel na alta do Ibovespa de maio, impulsionado, principalmente, pelos resultados do primeiro trimestre, que vieram, majoritariamente, acima do esperado. As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4), por exemplo, subiram cerca de 14%, enquanto as ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) avançaram 12%.

Dólar acompanha Ibovespa, mas também é impulsionado por balança

A moeda americana acabou perdendo força frente ao real também, em grande parte, por conta da entrada de capital estrangeiro via mercado financeiro, com toda essa melhora do cenário registrada, mas houve ainda outras influências.

“A apreciação do real frente ao dólar ao longo deste mês pode ser explicada pelos seguintes vetores: o comércio exterior e o mercado financeiro”, comenta Matheus Pizzani, economista da CM Capital. “No primeiro caso, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,11 bilhões até a terceira semana do mês, dando sequência a trajetória positiva apresentada pela conta desde fevereiro deste ano”.

Pizzani pontua que o influxo de dólares via comércio é um “importante vetor para o câmbio, especialmente quando é considerado que a mesma costuma definir o resultado das Transações Correntes”. Segundo ele, a soma permite  o aumento da reserva brasileira da divisa americana.

Por fim, a moeda americana acaba ainda perdendo força pela própria sinalização do Federal Reserve, de que não acelerará as altas dos juros, que tendem a atrair fluxos para os títulos do governo americano, o “ativo mais seguro do mundo”.

“A sinalização de uma alta de juros nos Estados Unidos leva um fluxo de capital para lá, não só proveniente do Brasil, mas de todo o mundo”, comenta Kaue Franklin, especialista em renda variável da Aplix Investimentos.

O DXY, índice que mede a força da moeda americana frente a outras moedas mundiais, saiu dos 103,3 mil pontos no começo de maio, tocou 104,8 mil por volta do dia 12 e, hoje, fechou em 101,7 mil.

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