Commodities devem manter trajetória de queda em 2009, dizem analistas da BMO

Cenário econômico pessimista mantém preços sob pressão, mas escassez de oferta em 2010 pode impulsionar retomada

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SÃO PAULO – Os investidores do mercado de commodities anseiam por uma recuperação dos preços desde sua recente queda substancial. Porém, isso não é uma coisa para se esperar de 2009, aponta análise da BMO Capital Markets.

O BMO Capital Markets Commodity Price Index, que mede o desempenho das cotações das matérias-primas, amargou um novo recuo de dois dígitos em dezembro, fechando o mês com 12,9% de desvalorização.

Novamente, conforme apontam os analistas, a queda foi liderada pelo desempenho dos preços do petróleo e gás, contando também com a participação de outros segmentos, como metais, papel & celulose e commodities agrícolas.

A deterioração do cenário econômico mundial tem sido a principal vilã dos mercados durante os últimos meses. Investidores preocupados com a queda dos níveis de produção, exportação de economias como Estados Unidos e China, continuam a se livrar de ativos de maior risco.

Projeções para o mercado petrolífero

Também em primeiro plano, podemos apontar a queda na demanda global como foco do desempenho catastrófico do mercado desde meados de 2008. Como prova, desde julho, quando a cotação do barril WTI (West Texas Intermediate) atingiu seu pico em US$ 147, os preços já acumulam mais de 70% de baixa.

Até o momento, os temores relacionados à demanda têm prevalecido, dando o tom para os preços nos mercados internacionais. No entanto, em 2010, para quando é esperado um grande descompasso entre o produto disponível e o aumento da demanda, as questões ligadas à oferta ditam o rumo das cotações.

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Levando em consideração esses fatores, os analistas da BMO estão trabalhando com um preço médio de US$ 45 para o barril de petróleo WTI em 2009, e de US$ 65 em 2010. Ademais, à medida que a economia dos países emergentes se reaquecer e a produção das reservas existentes declinar, as cotações deverão retomar sua trajetória de alta.

Cobre, níquel e alumínio

Sem grandes diferenças com o mercado de energia, o movimento esperado para os metais neste ano deve ser similar. Com o rápido acúmulo de estoques, alguns dos quais em níveis recorde, e a forte queda na demanda, os preços têm sentido uma forte pressão nos últimos meses, apesar da ligeira recuperação no final de 2008 e início de 2009.

Tentando equilibrar as forças de oferta e demanda, algumas das principais companhias do setor anunciaram cortes na produção, sem, no entanto, surtir o efeito desejado. No entanto, como no caso do cobre e do níquel, é esperada uma retomada dos preços para a segunda metade deste ano, quando os pacotes de estímulos econômicos e outras medidas governamentais começarem a mostrar resultados.

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Em contrapartida, o mercado de alumínio deve seguir uma tendência inversa, continuando sob pressão até pelo menos o inicio próximo ano. Dados alarmantes sobre a indústria dão força a essas projeções. Atualmente, os estoques da LME (London Metal Exchance) estão no maior nível em aproximadamente quatorze anos, devido à forte retração do setor imobiliário e do setor automobilístico internacional.

Mercado de papel & celulose sob pressão

Apesar de todos os esforços da indústria de papel & celulose para impedir uma maior deterioração dos preços, as medidas não foram suficientes para segurar a queda de US$ 145 nos contratos durante o mês de agosto. Os estoques da matéria atingiram 51 dias de capacidade de fornecimento, bem acima da média de 32,6 dias.

Na mesma direção, as exportações para a Ásia devem continuar a declinar, acompanhando a desaceleração da economia da China. Dessa forma, a BMO projeta um preço médio para a tonelada da matéria na casa dos US$ 663 neste ano, quase 23% a menos do que aquele registrado no ano anterior, e de US$ 678 para 2010.