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SÃO PAULO – A turbulência decorrente da crise subprime que tomou conta dos mercados acionários nas últimas semanas também penalizou o desempenho das commodities na esfera internacional.
O Bradesco busca a resposta para tal fenômeno, uma vez que, em sua análise, a economia real segue aquecida e os sinais de forte demanda mundial não se esvaíram com a generalizada instabilidade que se fez presente.
As explicações
O banco vê as oscilações nos mercados de commodities como resposta a dois vetores. O primeiro deles seria o fato de que as commodities também são ativos financeiros e que, dessa forma, estão passíveis de contágio de crises de liquidez. O segundo baliza os preços destes produtos aos fundamentos ligados à economia real, ou seja, tudo aquilo que de alguma forma pode afetar oferta e demanda destes bens.
Com este panorama, o Bradesco procura avaliar qual destes vetores estaria se sobrepondo na recente queda das commodities agrícolas. Para os analistas da instituição, parte considerável deste movimento é explicada pela liquidação de posições em commodities de fundos especulativos para fazer caixa frente ao enxugamento da liquidez mundial.
Com a palavra, os fundamentos
Assim, com a desvalorização das commodities agrícolas mais relacionada à aversão ao risco do que aos fundamentos destes mercados, o Bradesco vê no relatório do departamento de Agricultura dos EUA (USDA), divulgado no último dia 10, dados que mostram projeções dos estoques de final de período da safra de 2007/2008 mais reduzidas em relação às projeções do relatório do mês anterior.
No caso do trigo, a redução dos estoques em 1,8 milhão de toneladas deveu-se tanto a uma menor produção projetada quanto a um aumento do consumo esperado. O milho, por sua vez, teve seus estoques de final de período (safra de 2007/2008) reduzidos em 6 milhões de toneladas por conta essencialmente de uma redução na produção.
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Já a soja teve uma pequena queda nos estoques mundiais do final da safra de 2007/2008, motivada principalmente pela redução de 0,4 milhão de toneladas da produção chinesa (quebra de safra devido à seca).
Nova sustentação aos preços
Frente a estes dados, o Bradesco conclui que o balanço de oferta e demanda mundiais de commodities agrícolas ficou um pouco mais apertado.
“Esse fato pode dar nova sustentação aos preços, após o atual momento de turbulência financeira, dada a elevada e negativa correlação observada entre estoques e preços de grãos no médio e longo prazo”, diz o Bradesco em relatório.
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Para a equipe de analistas da instituição, assumindo que a atual turbulência não terá grandes impactos na economia real, pode-se dizer que os fundamentos de commodities agrícolas persistem robustos.