Comércio com a China é prioridade para Governo Lula e pauta de visita oficial

Muito mais que uma visita protocolar, a ida do presidente à China vai tratar de negócios e investimento entre os dois países

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SÃO PAULO – Nessa sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para uma viagem oficial a China, juntamente com uma comitiva de aproximadamente 400 políticos e empresários, transformando a visita em uma verdadeira caravana comercial ao país, considerado o gigante asiático.

A principal intenção do governo brasileiro é reforçar os laços comerciais com a China, um dos países que mais crescem e consomem no mundo, criando novas oportunidades de exportação e também de investimentos chineses no Brasil.

China é a grande promessa da economia mundial

A China é atualmente a sexta economia mundial e tem um PIB (Produto Interno Bruto) com maior taxa de crescimento no mundo, enquanto o Brasil ocupa a décima terceira posição na economia do mundo e deverá ter um crescimento do PIB de somente 3,5% em 2004.

Em 2003, a China foi o país que mais recebeu investimentos externos no mundo, chegando à casa dos US$ 60 bilhões, ultrapassando inclusive os Estados Unidos. Segundo a agência Fitch Ratings, a taxa de crescimento mundial em 2004 deve ficar em 3,6%, enquanto a economia chinesa deverá crescer 6,7% e a norte-americana 4,6%.

O PIB chinês atingiu US$ 1,3 trilhão em 2002, um país que tinha então 1,3 bilhão de habitantes. O Brasil teve, respectivamente, US$ 494,5 bilhões de PIB e uma população de 174,5 milhões de habitantes.

Grande potencial de consumo

Segundo Lytton Guimarães, coordenador no Núcleo de Estudos Asiáticas da Universidade de Brasília (Neasia/UnB), “há uma euforia no mundo inteiro, pois é o único país que tem mantido um crescimento estável e sistemático”.

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A China tem aproximadamente 300 milhões de pessoas de classe média, um enorme mercado consumidor ávido por consumir, tanto que o crescimento do consumo no varejo teve em 2003 um crescimento real de 9,2%. Somente o consumo de automóveis foi de 68,3% e o de equipamentos de telecomunicações foi de 70%.

Apesar de ser um dos maiores países do mundo e de ter a terceira maior reserva mineral do planeta, a China tem uma enorme demanda por matérias-primas como carvão, energia, petróleo e aço, além de alimentos. Atualmente, o país é o maior importador de soja e aço brasileiros.

Segundo Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, “a China necessita de produtos vitais para o crescimento econômico e para a alimentação de sua imensa população”.
Brasil quer exportar mais para a China

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O Brasil quer e tem de aproveitar melhor as oportunidades de exportação para a China, pois ao mesmo tempo que o aumento de exportações é uma das principais metas do Governo Federal, o Brasil leva a vantagem de que muitos dos produtos que exporta são mais adequados ao mercado chinês que os equivalentes europeus ou norte-americanos.

“A China, com seus 1,3 bilhão de habitantes, é neste momento o país que mais cresce no mundo e um dos países que mais compram. Seu volume de importações atinge hoje a cifra astronômica de US$ 412 bilhões. Desde o ano passado, o nosso governo tomou a decisão estratégica de se aproximar cada vez mais da China”, afirmou o presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Esse valor de importações em 2003 foi 39,9% maior que o verificado em 2002, tornando a China o maior importador do mundo. Apesar disso, o Brasil ainda tem muito a conquistar em suas relações comerciais com a China.

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Em 2003, o comércio entre os dois países totalizou somente US$ 6,7 bilhões, maior que as exportações brasileiras para os Estados Unidos e México, que totalizaram US$ 4,5 bilhões. No entanto, esse valor foi somente 1% das importações chinesas em 2003 e 0,75% do PIB brasileiro.

“Temos qualidade e preços competitivos para crescer muito em outras áreas onde a China compra muito, como aparelhos eletroeletrônicos, artigos esportivos, frango, carne, café, celusose, aviões, carros. Isso sem falar do etanol, o álcool extraído da cana-de-açúcar, de que a China pode precisar, e muito, pois tem 171 cidades com mais de 1 milhão de habitantes”, declarou o presidente Lula.