Comentário Semanal – votação do mínimo e espera pelo Fed foram destaques

Em semana de leve melhora no mercado brasileiro, dólar e juros futuros acumularam queda e bolsa subiu

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SÃO PAULO – Em uma semana marcada pela leve melhora no cenário interno, com a vitória do governo Lula na aprovação do salário mínimo de R$ 260,00, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho no período.

No cenário internacional, o destaque é a aproximação da reunião do Fed, que deverá elevar a taxa básica de juro nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual. Dessa maneira, o dólar e os juros futuros acumularam queda e o Ibovespa fechou em alta. Vale destacar que o risco país encerrou no patamar dos 655 pontos base, abaixo do nível registrado na semana anterior.

Governo aprova mínimo de R$ 260,00

Após a derrota do governo Lula em aprovar o novo salário mínimo no Senado, o que levou a votação novamente à Câmara dos Deputados, o governo viu-se em uma posição delicada para articular sua base aliada. Porém, na votação realizada pelos deputados, o governo conseguiu refutar a proposta dos senadores, que elevaria o salário mínimo para R$ 275,00, com 272 votos contrários à proposta e 172 votos a favor.

Assim, estabeleceu-se o aumento do mínimo proposto inicialmente pelo governo para R$ 260,00. Esta notícia foi recebida com otimismo pelo mercado, que embora soubesse da falta de coesão da base aliada, projetava maior nível de dificuldade na aprovação pelos deputados.

Ainda no cenário político, foi divulgado nesta semana o índice de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente no que se refere ao desempenho da economia, taxas de desemprego e reação às recentes crises no governo. Neste sentido, a avaliação positiva de Lula alcançou em junho seu pior nível, o que demostra que o brasileiro não está satisfeito com o atual governo.

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Inflação acelera e desemprego registra queda

No campo econômico, o destaque nesta semana foi a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que se por um lado revelou que as metas de inflação poderão não ser cumpridas em 2004, também afirmou que o Brasil estaria preparado para absorver eventuais choques externos, devido à flexibilidade do sistema de metas de inflação.

Os dados sobre emprego divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por sua vez, indicaram queda da taxa de desemprego no mês de maio. Neste sentido, a porcentagem da população desocupada em relação à PEA (População Economicamente Ativa) caiu de 13,1% em abril para 12,2% em maio, refletindo principalmente a queda na região metropolitana de São Paulo.

Vale destacar ainda a divulgação dos diversos índices de preços, como o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), que registrou alta de 0,56% em junho, em linha com a projeção do mercado, além da divulgação da 2ª prévia de junho do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que registrou uma inflação de 1,18% no período, o que representa um valor acima dos 0,66% verificados na primeira prévia de junho. E finalmente a divulgação do IPC (Índice de Preços do Consumidor) da Fipe, que registrou aceleração da inflação para 0,88% na terceira quadrissemana de junho.

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Mercado norte-americano teve desempenho limitado

No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, diversos indicadores foram divulgados, como o Durable Good Orders, referente ao mês de maio, que registrou queda de 1,6% no referido mês, ficando bem abaixo das estimativas dos analistas, que apostavam em um aumento de 1,5% no período. Enquanto isso, o Michigan Sentiment atingiu 95,6 pontos no mês de junho, acima das expectativas do mercado.

Além disso, tivemos a divulgação do PIB dos Estados Unidos, o qual demonstrou que a economia norte-americana cresceu menos do que o previsto no primeiro trimestre, com destaque para o deflator do PIB, que registrou alta de 3,8% no período, acima da alta esperada de 2,6%, fato que evidencia uma aceleração da inflação na economia norte-americana.

Finalmente, no mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 34,97 por barril, acumulando queda de 3,42% no período, após o governo da Noruega intervir e colocar fim na greve de oito dias dos trabalhadores petrolíferos. A greve paralisou a entrega de 375 mil barris de petróleo por dia do terceiro maior exportador de petróleo do mundo.

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Dólar e juros futuros acumularam queda

No mercado de câmbio, o comportamento do dólar foi afetado por variáveis econômico-políticas internas e externas. Com isso, a divisa fechou em queda de 0,96% na semana, refletindo a aprovação do salário mínimo proposto pelo governo e a divulgações de diversos índices econômicos no Brasil.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,69% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,96% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,84%, configurando uma leve alta frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por uma melhora, seguindo o comportamento de Wall Street. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou alta de 2,05% no período.

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Reunião do Fed será destaque na próxima semana

Na próxima semana, o destaque ficará para a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) da Fundação Getúlio Vargas.

Nos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas para a reunião do Federal Reserve, que será realizada nos dias 29 e 30. Além da divulgação dos seguintes índices: Personal Income, Personal Spending, Consumer Confidence, Chicago PMI , Initial Claims, ISM Index, Construction Spending , Nonfarm Payrolls, Unemployment Rate, Hourly Earnings, Average Workweek e Factory Orders.