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SÃO PAULO – A temporada de resultados continuou a ser o foco dos mercados esta semana, com divulgação de balanços de empresas de peso. Entretanto, os investidores também atentaram para a divulgação do Beige Book do Federal Reserve, que revelou que a atividade econômica nos EUA continuou a mostrar sinais de estabilização ou modesta melhora – destacando que a recuperação é de padrões de depressão. Os principais índices norte-americanos encerraram a semana no campo negativo.
No cenário local, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a taxa Selic em 8,75% ao ano pela segunda reunião consecutiva, em linha com as expectativas. Chamou a atenção também a decisão do governo em taxar investimentos estrangeiros na Bolsa para mitigar a entrada excessiva de dólares no País, que ajudou a derrubar o Ibovespa durante a semana.
Assim, o Ibovespa encerrou o período com desvalorização de 1,72%, a 65.058 pontos, após três semanas de alta. No ano, o índice já avançou 73,26%. Vale lembrar que durante a semana o índice superou os 67 mil pontos. Houve ainda vencimento de opções sobre ações, que movimentou R$ 3,89 bilhões na BM&F Bovespa – o maior volume do ano.
As ações da TAM foram destaque de alta do período, com avanço de 7,05%. A empresa emitirá US$ 300 milhões em bônus garantidos (Senior Guaranteed Notes) com vencimento em 2020 por meio de sua subsidiária TAM Capital 2. Os títulos pagarão cupons a cada semestre a uma taxa de 9,5% ao ano.
A Cyrela, por sua vez, é destaque negativo do Ibovespa na semana, refletindo, em parte, a oferta primária de ações da empresa, cujo período de reserva se encerra na próxima segunda-feira (26). A companhia realizará uma oferta primária de 43 milhões de ações ordinárias no Brasil, com esforços de venda no exterior.
Em relação às ações mais líquidas do índice, os ativos ordinários da Petrobras tiveram queda de 0,91%, enquanto os papéis preferenciais da empresa avançaram 0,27%. Por sua vez, as ações da Vale subiram, respectivamente, 1,90% e 2,12%.
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Câmbio e Renda Fixa
O dólar, por sua vez, terminou a semana com alta de 0,18%, cotado a R$ 1,712 na venda. O Banco Central interveio nas negociações em todas as sessões. A autoridade reafirmou seu comprometimento com o atual regime de câmbio flutuante, afirmando que a decisão do IOF não implica em mudança no regime cambial.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram a semana em queda na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,22%, recuo de 0,21 pontos percentuais em relação à semana anterior.
Quanto aos títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 fechou cotado a 133,15% de seu valor de face, uma queda de 1,15% entre as semanas.
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Já o risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, marcou 219 pontos-base, alta de 3 pontos na mesma base de comparação.
De olho na economia
Ben Bernanke, chairman do Fed, ressaltou a necessidade de correção dos desequilíbrios internacionais. Ele chamou a atenção para o crescente déficit fiscal da economia norte-americana, que atingiu recorde de US$ 1,417 trilhão na última divulgação.
O Fed também anunciou proposta para nova regulamentação de incentivos oferecidos pelas instituições financeiras a seus empregados, a fim de controlar mais de perto estímulos dos bancos a posições expostas a maiores riscos no mercado.
O índice de preços ao produtor norte-americano veio abaixo das expectativas, assim como os números do mercado de trabalho norte-americano. Já o Leading Indicators veio melhor do que o esperado.
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Os investidores também digeriram o avanço de 8,9% do PIB (Produto Interno Bruto) da China no decorrer do terceiro trimestre, um pouco abaixo do esperado.
Por aqui, o destaque da semana foi a volta do IOF no capital estrangeiro. A repercussão incluiu uma reunião entre o CEO (Chief Executive Officer) da BM&F Bovespa e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na tentativa de fazer o governo suspender a medida, ao apresentar novas alternativas para reduzir a entrada de dólares no Brasil.
Foram avaliados também os dados da Pesquisa Mensal de Emprego, que mostraram que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas ficou estável frente a setembro de 2008.
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Noticiário corporativo
A temporada de resultados teve recepção mista nos mercados. Entre os destaques positivos, os números trimestrais de Pfizer, Caterpillar, Coca-Cola, Apple, Texas Instruments, Morgan Stanley, Microsoft, Du Pont, Yahoo!, Credit Suisse, Whirlpool, Amazon.com e Honeywell agradaram os investidores. Por outro lado, os balanços operacionais de EBay, Ericsson, Wells Fargo, American Express e Fiat decepcionaram.
Por aqui, os investidores avaliaram positivamente os números da Net, Positivo Informática, Redecard e Oi. Já a Usiminas decepcionou, assim como a Natura – que apesar de mostrar avanço no lucro líquido, teve sua recomendação reduzida pelo JP Morgan, alegando desagrado com o menor ritmo de crescimento dos indicadores financeiros.
A GVT também ficou em foco, com a autorização de realização do leilão de oferta pública pela a totalidade de ações da empresa por parte da Telesp, dando continuidade à disputa pela companhia brasileira de telecomunicações. A GVT divulgou ainda seu resultado trimestral, com lucro líquido de R$ 57,2 milhões, contra prejuízo no ano anterior.
Entre as blue chips, a Vale anunciou que gastará no Brasil quase dois terços dos US$ 12,9 bilhões de seu plano de investimentos, à medida que o CEO Roger Agnelli tenta reduzir as tensões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a empresa por não investir em projetos nacionais nas áreas de siderurgia e mineração.
Já a Petrobras anunciou a contratação dos bancos Citigroup, HSBC, JPMorgan Chase e Santander para coordenar a emissão de títulos globais da estatal no mercado norte-americano, a ser realizada por meio de sua subsidiária integral PifCo (Petrobras International Finance Company). A produção total de petróleo, LGN (Líquido de Gás Natural) e gás natural da estatal teve alta de 1,64% na passagem de agosto para setembro.