Comentário Semanal: Ibovespa cai 1,42% e quebra sequência de altas

Benchmark havia registrado três semanas consecutivas de ganhos, mas conturbado cenário europeu pressionou bolsa brasileira

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SÃO PAULO – Refletindo o conturbado cenário europeu, o Ibovespa quebrou uma sequência de três semanas consecutivas de ganhos e obteve queda de 1,42% durante os pregões de 31 de outubro a 4 de novembro. Cabe mencionar que a semana foi mais curta para a bolsa brasileira, por causa do feriado do Dia de Finados, que manteve os negócios parados na quarta-feira. Dessa forma, o principal índice da bolsa brasileira termina a semana aos 58.669 pontos.

As ações da Telemar Norte Leste (TMAR5) fecharam a semana como o principal destaque de alta dentre os papéis que compõem o Ibovespa, com valorização de 10,87%, cotadas a R$ 51,00 cada. Enquanto isso, os ativos da Hypermarcas (HYPE3) recuaram 15,24% na semana, a principal queda dentro do índice, terminando o período aos R$ 8,40 cada.

Entre os papéis mais líquidos do índice, as ações da Vale (VALE3, +2,04%, R$ 45,60; VALE5, +1,32%, R$ 42,25) tiveram avanço na semana. Durante o período, a empresa anunciou valores a serem pagos em juros adicionais aos detentores das notas obrigatoriamente conversíveis de 2012. Um dos drivers mais relevantes para a mineradora, o seu modelo de precificação para o minério de ferro, também esteve em discussão, com especialistas acreditando que uma mudança seria neutra.

Já os papéis da Petrobras (PETR3, +2,66%, R$ 23,90; PETR4, +2,41%, R$ 22,10) refletiram um noticiário corporativo mais movimentado. O mercado repercutiu o reajuste de preços na gasolina e no diesel, anunciado na sexta-feira passada após o fechamento do mercado, além do anúncio de que seu primeiro parque eólico já está em operação comercial e também com a descoberta de gás natural no Espírito Santo e de petróleo no México. 

Grécia chama a atenção
Passando para o quadro macroeconômico, todos os holofotes na semana recaíram sobre a Europa. Os primeiros pregões do período já foram de baixa, refletindo a declaração do ministro de finanças da Alemanha, na segunda-feira, de que muito ainda precisa ser feito para combater os efeitos adversos da crise da dívida soberana na economia e nos mercados financeiros. Mas foi na terça, contudo, que o mercado conheceu o seu principal driver da semana: o plebiscito grego para ratificar o plano de resgate ao país.

A relevância desse anúncio foi tamanha que os a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidentre francês, Nicolas Sarkozy, anunciaram uma reunião de emergência para discutir o assunto. Na quinta, o início da reunião do G-20 roubou as atenções, mas parte do foco esteve na possível saída da Grécia da Zona do Euro, e com possível cancelamento do referendo convocado anteriormente, o que ajudou ao Ibovespa a registrar sólido avanço naquela sessão. O plebiscito foi cancelado nesta sexta, o que contribuiu para a alta na sessão. 

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Ainda na semana, o mercado refletiu o corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros europeia, na tentativa de amenizar a crise da dívida da Zona do Euro. O novo presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, afirmou que projeta arrefecimento da economia. A sexta também foi carregada com o noticiário referente à Grécia, com os olhos voltados para o término da reunião do G-20, que poderá resultar em um aumento do poder de fogo do FMI (Fundo Monetário Internacional), em uma maior flexibilização da taxa de câmbio, colocando em ação um plano de crescimento que adote medidas mais contundentes no que diz respeito às moedas.

Agenda doméstica e resultados
Embora em segundo plano, o noticiário doméstico contou com a divulgação de importantes indicadores durante a semana. Na segunda, foi a vez da nota de política fiscal, pelo Banco Central, e da sondagem industrial de setembro, pela Fundação Getulio Vargas. O mercado viu ainda a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física Brasil, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No campo inflacionário, atenções voltadas ao IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) da quarta quadrissemana de outubro e, principalmente, à divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) deste mês.

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Outro importante driver na agenda doméstica foi a notícia de que o governo brasileiro captou nesta sexta US$ 1 bilhão em recursos de investidores norte-americanos e europeus de títulos da dívida externa com vencimento em janeiro de 2041. Este foi o segundo lançamento do ano, com taxa de juros de 4,964% ao ano, segundo o Tesouro, os menores juros da história em 30 anos.

Fora do cenário macroeconômico, mas ainda por aqui, a temporada de resultados continuou forte. A Klabin (KLBN4) segiu a tendência de outras empresas do setor de papel e celulose e divulgou prejuízo no terceiro trimestre, assim como a Embraer (EMBR3). Nenhuma outra empresa que divulgou seus resultados na semana apresentou prejuízo no trimestre, embora Cielo (CIEL3), Duratex (DTEX3) e Pão de Açúcar (PCAR4) tenham visto seus lucros encolherem.

Já Souza Cruz (CRUZ3), Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e TIM Participações (TIMP3), viram seus lucros avançarem entre julho e setembro deste ano.  

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EUA
Nos Estados Unidos, a principal referência da semana ficou por conta da reunião do Federal Reserve, encerrada na quarta-feira, que terminou por não alterar a taxa básica de juro do país e na qual a autoridade monetária divulgou perspectivas não muito positivas para o crescimento da maior economia mundial. 

A agenda econômica também foi carregada por lá. Na segunda, o Chicago PMI decepcionou o mercado, assim como o Construction Spending e o ISM Index na terça-feira. A primeira referência positiva na agênda econômica do país veio com o ADP Employment Report, na quarta-feira. Dados positivos também vieram dos indicadores Initial Claims, Productivity & Costs e Factory Orders na quinta-feira. O mercado se frustrou ainda com o ISM Services. Na última sessão da semana, destaque para o Relatório de Emprego, que não foi bem avaliado pelo mercado.

Câmbio e Renda Fixa
Refletindo a piora de humor no mercado, o dólar comercial registrou alta de 3,42% nesta semana, terminando a R$ 1,742 na venda. Esse foi o maior avanço semanal da moeda desde o período entre 19 a 23 de setembro, quando avançou 6,15%.

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No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 10,23%, queda de 0,18 ponto percentual no período.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 132,60% de seu valor de face, alta de 0,39% na semana.

Já o indicador de risco-País registrou queda de 14 pontos-base na semana, aos 219 pontos.

Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda para a segunda semana de novembro, os investidores estarão atentos ao orçamento do Tesouro norte-americano e à balança comercial do país em setembro. Já na Europa, também teremos o término da reunião do BoE (Banco Central da Inglaterra), que definirá a nova taxa básica de juro.

No panorama doméstico, atenção para os indicadores de inflação, com destaque para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) referente ao mês de outubro. Ainda por aqui, sairá a a pesquisa mensal de comércio e de emprego e salário.