Comentário semanal – Greenspan e superávit primário foram destaques

Mercado brasileiro apresentou desempenho limitado na semana: dólar encerrou estável, enquanto juros futuros subiram

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SÃO PAULO – Em uma semana encurtada pelo feriado de Tiradentes no Brasil, na última quarta-feira, as atenções estiveram divididas entre o cenário interno e externo, de forma que o destaque ficou para os discursos de Greenspan ao Congresso norte-americano, a divulgação da ata do Copom, Comitê de Política Monetária, e o recorde no superávit primário, que superou as metas junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Como resultado, o mercado brasileiro apresentou um desempenho limitado na semana. Dessa maneira, o dólar fechou estável, os juros futuros registraram alta no período e a bolsa acumulou queda. Vale destacar que o risco país encerrou próximo do patamar de 600 pontos base.

Ata do Copom e superávit primário são destaques

Como destaque no cenário econômico interno, tem-se a divulgação da ata do Copom, Comitê de Política Monetária, na qual este defende-se das críticas à política de cortes tímidos na taxa básica de juro. O Copom enumerou diversas vantagens de sua política, que, entre outras coisas, não estaria comprometendo o crescimento, nem mostrando temores de descontrole da inflação no futuro.

Outro fato que influenciou o mercado nesta senama foi a divulgação do superávit primário na valor de R$ 10,3 bilhões em março, o melhor resultado mensal desde 1991, quando começou a ser medido. O superávit primário, expresso como parcela do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 5,41%, situando-se bastante acima da meta acertada com o FMI, Fundo Monetário Internacional, que é de um superávit primário de 4,25% do PIB.

Mercado norte-americano teve bom desempenho

No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, foram divulgados alguns índices econômicos favoráveis, como a forte alta nas encomendas às indústrias, que subiram 3,4% em relação a fevereiro, mostrando sinais de bom desempenho da economia norte-americana. Porém, o número de pedidos de auxílio-desemprego e a inflação no atacado ficaram acima da expectativa do mercado.

Os discursos do presidente do Fed, Alan Greenspan, foi outro fator de grande importância para o mercado global. Em seu primeiro discurso, na última terça-feira, Greenspan afirmou que o sistema bancário norte-americano estava preparado para um aumento na taxa de juro e da demanda por crédito. Tal discurso levou o mercado a crer que o juro nos Estados Unidos poderia subir no curto prazo.

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Já na última quarta-feira, o presidente do Fed afirmou que as pressões inflacionárias seguem controladas no país, mostrando que a elevação da taxas de juro norte-americana deve ocorrer de forma gradual. Deste modo, o mercado analisou a última afirmação do chefe da autoridade monetária dos EUA com certo otimismo, já que Greenspan indicou que os juros no país não deverão subir brevemente. Com isto, as bolsas dos EUA subiram e o pessimismo no mercado brasileiro foi amenizado.

No mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 33,09 por barril, acumulando alta de 1,64% no período, em uma semana marcada pelo ajustamento do mercado à redução dos estoques norte-americanos de petróleo. Além disso, projeções de maior demanda por gasolina, devido à aproximação do verão, devem resultar em forte aumento no preço do petróleo nos próximos meses.

Dólar fecha estável e juros futuros acumulam alta

O mercado de câmbio fechou a semana estável, impulsionado por um lado pelas primeiras declarações do presidente do Fed, que levaram o mercado a apostar na elevação do juro norte-americano no curto prazo. Porém em seu último discurso, Greenspan afirmou que a elevação do juro não tem data para ocorrer. Aliado a isso, o dólar também foi pressionado pela divulgação do superávit primário acima da meta do FMI.

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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, em função da perspectiva de aumento do juro nos Estados Unidos. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,46% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,38% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,49%, configurando uma queda frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, também influenciado pelo primeiro discurso de Greenspan, e pelo fluxo de capital estrangeiro. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou queda de 0,82% no período.

Indicadores de inflação serão destaque na próxima semana

A última semana de abril, por sua vez, será marcada pela divulgação de indicadores de inflação no Brasil. Neste sentido, serão divulgados o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe referente à terceira quadrissemana de abril e também o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês fechado de abril.

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O Banco Central, por sua vez, divulgará a sua Nota da Política Monetária e das Operações de Crédito, além da Nota do Setor Externo, ambas referentes ao mês de março. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola.

Nos Estados Unidos, o destaque fica para a divulgação do PIB para o primeiro trimestre de 2004, além dos indicadores de confiança do consumidor. Serão divulgados: o New Home Sales, o Existing Home Sales, o Employment Cost Index, o Initial Claims, o Personal Income, o Personal Spending, o Michigan Sentiment e o Chicago PMI.