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SÃO PAULO – A semana predominantemente de alta nos principais mercados de renda variável: a exceção foi o índice Nasdaq, que ficou no campo negativo. A agenda foi o foco da semana: enquanto nos EUA os investidores ficaram atentos a discursos de autoridades sobre a economia norte-americana, por aqui o destaque foi a surpresa negativa do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no terceiro trimestre, que avançou 1,3%, abaixo das projeções.
Assim, o Ibovespa encerrou a semana com alta de 2,46%, a 69.267 pontos. Essa foi a quinta semana consecutiva de valorização do índice, que no ano acumula avanço de 84,47%. A TAM liderou as altas da semana, com valorização de 17,26%. A empresa divulgou seus dados referentes ao mês de novembro – ademais, os investidores estão de olho na realocação de slots no aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do País, que será promovida pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) na próxima semana.
As ações Gafisa, por outro lado, acumularam desvalorização de 3,06% e encabeçaram a lista das maiores perdas do Ibovespa no período. O movimento dos papéis sente influência de indicadores que agitaram o setor na semana, como a emissão de ações da Cyrela e a divulgação do guidance de vendas da Lopes Brasil.
Em relação às duas ações mais líquidas do índice, a semana foi negativa para a Petrobras, mas positiva para a Vale. Os papéis ordinários e preferenciais da estatal tiveram recuo de 2,39% e 1,56%, respectivamente, enquanto os da Vale avançaram 2,81% e 3,24%, na mesma ordem.
Noticiário
De maneira geral, os pronunciamentos das autoridades norte-americanas não trouxeram grandes novidades. Ben Bernanke, chairman do Fed, não deu sinais sobre a possível estratégia de saída, afirmando que a recuperação ainda não é sustentável. Já o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou que o resgate ao sistema financeiro foi mais barato do que o esperado, e que o dinheiro restante pode ser usado para redução do déficit norte-americano e criação de empregos.
O Tesouro norte-americano também figurou nas manchetes da semana. Após anunciar que tenta reaver parte do dinheiro emprestado a instituições financeiras como parte do programa Tarp (Troubled Asset Relief Program), o secretário do Tesouro, Timothy Geithner anunciou a extensão do programa até outubro de 2010.
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Os ratings também chamaram atenção. A agência de classificação de risco Moody’s traçou comentários desfavoráveis sobre as notas para a dívida soberana dos EUA e Reino Unido. Na Europa, a Fitch rebaixou a nota da Grécia, enquanto a Standard & Poor’s diminuiu as perspectivas da nota crédito espanhola, de “estável” para “negativa”.
Por aqui, após a esperada manutenção da taxa Selic pelo Copom, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Banco Central não deve elevar a taxa básica de juro em 2010 por conta da série de medidas fiscais apresentadas durante a semana, que incluíram a prorrogação da retirada do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para bens de capital até o final de junho de 2010.
Cenário corporativo
O cenário corporativo ajudou a melhorar o humor dos investidores durante a semana, com destaque para o setor financeiro. O Bank of America saldou sua dívida com o governo norte-americano, enquanto o Citigroup estuda uma maneira de fazê-lo. Além disso, foi aprovado o plano de reestruturação do CIT Group, abrindo caminho para a companhia deixar a concordata, o que aconteceu na última quinta-feira.
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Ainda sobre o setor, a Câmara dos Representantes norte-americana a mais ampla reforma na regulamentação do sistema financeiro desde a Grande Depressão, visando recuperar a confiança de consumidores e investidores no segmento.
As principais blue chips também ficaram em pauta. A Vale teve sua recomendação elevada pelo JPMorgan, além de anunciar a aquisição de 37,4% do capital da Tecnored Desenvolvimento Tecnológico. Já o CFO (Chief Financial Officer) da Petrobras, Almir Barbassa, disse que espera captar mais de US$ 10 bilhões dos investidores minoritários em oferta de ações a ser realizada em 2010.
A Braskem, cujas ações tiveram a terceira maior alta da semana, com 16,01%, foi indagada pela BM&F Bovespa sobre o motivo do rali, e afirmou que as oscilações se devem a uma conjunção de fatores, além da expectativa do mercado quanto a uma eventual aquisição de ativos nos EUA também possa ter guiado a valorização.
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Indicadores
De maneira geral, os indicadores norte-americanos divulgados durante a semana foram positivos – entre aqueles que superaram as expectativas estão o wholesale inventories, a confiança do consumidor, as vendas no varejo e o volume acumulado de pedidos de auxílio desemprego nas últimas quatro semanas. A balança comercial de outubro e o déficit de novembro também agradaram, ao passo que o consumer credit veio em linha com as expectativas.
No cenário local, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou os indicadores industriais referentes ao mês de outubro, que mostram recuperação sustentável da indústria. Já o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) apontou deflação de 0,07% em novembro.
Câmbio e renda fixa
O dólar comercial encerrou a semana cotado na venda a R$ 1,759, um avanço de 1,91% em relação à última sexta-feira.
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No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta sexta-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,34%, recuo de 0,11 pontos entre as semanas.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 197 pontos-base, queda de 8 pontos entre as semanas.
Veja os indicadores previstos para a terceira semana de dezembro
Dentro da agenda para a terceira semana de dezembro, os investidores estarão atentos, sobretudo, à reunião de política monetária do Federal Reserve e aos indicadores industriais e de inflação.
No cenário nacional, ênfase para a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), quando o colegiado decidiu manter a taxa Selic em 8,75% ao ano.