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SÃO PAULO – Apesar de enfrentarem ligeira pressão por um movimento de ajuste aos ganhos recentes, as principais bolsas internacionais continuaram se apoiando no otimismo em torno da retomada da economia global e encerraram a última semana de julho com valorização. Mais uma vez, o impulso foi trazido pela divulgação de resultados corporativos acima do esperado, além de alguns indicadores surpreendentes.
No Brasil, a semana também contou com o anúncio de balanços de peso, como o da Vale, e com uma série de referências econômicas, como a ata do Copom (Comitê de Política Monetária). No entanto, ao contrário do cenário externo, tal combinação pesou tanto para o lado positivo quanto para o negativo, impedindo uma performance mais robusta da bolsa brasileira no período.
Por outro lado, a manutenção do clima mais ameno nos mercados exerceu influência nas negociações envolvendo o dólar comercial, que ampliou sua desvalorização verificada ao longo de 2009 com forte queda de 1,69% acumulada nos cinco últimos dias, a despeito das novas intervenções do Banco Central no mercado à vista.
Referências externas agradam
No plano internacional, a exemplo da última semana, a divulgação de balanços corporativos relativos ao segundo trimestre de 2009 continuou pautando os negócios. Do lado positivo, Visa, Mastercard, Motorola, Deutsche Bank e Time Warner anunciaram números acima das projeções dos analistas. Em contrapartida, os dados de U.S. Steel, ArcelorMittal e Exxon Mobil decepcionaram as estimativas. Nada suficiente, porém, para acabar com o otimismo dos investidores em torno da nova rodada de resultados.
A agenda de indicadores também contribuiu para a manutenção dos ganhos externos. Destaque para o principal deles, o PIB norte-americano, que recuou 1,0% entre abril e junho deste ano. A queda foi menor do que as expectativas de retração, em torno de -1,5%, e veio bem melhor do que o resultado apurado pela medição do primeiro trimestre, quando o produto contraiu expressivos 6,4%.
Também agradaram o mercado os números de junho do New Home Sales, que mede a quantidade de casas novas vendidas nos EUA, e da atividade industrial na região de Chicago. No mesmo sentido, o Initial Claims, que aponta o número de pedidos de auxílio-desemprego no país, registrou a terceira queda seguida na última semana, ao passo que o Livro Bege do Federal Reserve revelou que a maioria dos distritos avaliados já notam sinais de estabilização em suas atividades.
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Por outro lado, a agenda norte-americana também trouxe algumas surpresas negativas aos investidores, como o recuo acima do esperado da confiança do consumidor e das vendas no varejo no mês de julho. Fora dos EUA, foi divulgado que o desemprego na zona do euro subiu no mês de junho, enquanto os preços na região variaram negativamente no período.
Semana agitada no Brasil
Por aqui, os indicadores inflacionários divulgados na semana – IPC-Fipe e IGP-M – revelaram trajetórias distintas dos preços em suas respectivas medições. O Banco Central, por sua vez, divulgou sua Nota de Política Monetária, mostrando que o volume total de crédito do sistema financeiro cresceu em junho, e também sua Nota de Política Fiscal, que apontou um superávit primário de R$ 3,376 bilhões acumulado pelo Governo no mesmo mês.
Além disso, o Tesouro Nacional decidiu estender a captação de US$ 500 milhões do Global 2037 feita na Europa e nos EUA para a Ásia, onde levantou mais US$ 25 milhões. Contudo, o principal destaque da agenda doméstica ficou com a ata da última reunião do Copom, que destacou uma recuperação econômica e financeira, ainda que tímida, mas que pode ser lida como uma provável suspensão dos cortes na taxa Selic, atualmente em 8,75% ao ano.
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Na esfera corporativa, a semana contou com novas notícias sobre a região do pré-sal, que acabaram pressionando as ações da Petrobras, e com um novo marco regulatório para o setor de saneamento, que impulsionou os ativos da Sabesp. Por fim, dando continuidade à temporada de resultados, Vivo, Telesp e Embraer mostraram avanço no lucro do segundo trimestre, ao contrário da Vale, cujos números desapontaram as projeções dos analistas.
As variações de Ibovespa, câmbio e renda fixa
Com três altas em cinco pregões, o Ibovespa deu sequência à recuperação verificada ao longo do ano com leve alta de 0,57%, aos 54.766 pontos. Com este desempenho, a valorização acumulada pelo índice desde o início de 2009 subiu para 45,85%.
A despeito das novas intervenções do Banco Central, o dólar comercial acompanhou o clima mais ameno nos mercados e manteve o movimento predominante ao longo do ano com forte baixa de 1,69% na semana, sendo cotado a R$ 1,8650 na venda.
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No mercado de renda fixa, os juros futuros não apresentaram rendimento ascendente. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, entre os líderes em liquidez no período, apontou taxa de 9,84%, com alta de 0,03 ponto percentual em relação à semana anterior.
Destaques da agenda na primeira semana de agosto
Dentro da agenda para a primeira semana de agosto, os investidores estarão atentos, sobretudo, aos dados do mercado de trabalho norte-americano.
No cenário nacional, o destaque fica para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho. O indicador orientará novas percepções sobre o controle da inflação doméstica.