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SÃO PAULO – Os fatos mais marcantes da primeira semana de janeiro recaem sobre a volatilidade do dólar nos mercados internacional e nacional e a posição expressa na ata do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), apontando para a possibilidade de novas altas da taxa básica de juro nos Estados Unidos no curto e médio prazo.
Na sexta-feira, o destaque ficou por conta do fraco desempenho do mercado de trabalho dos EUA, que pode, por sua vez, limitar essas novas altas. Assim, de uma maneira geral, o desempenho do mercado brasileiro foi fraco na semana, com os juros futuros e o dólar subindo, enquanto o Ibovespa encerrou a semana em forte queda de 5,53%.
Juro nos EUA em foco no cenário externo
Basicamente, esses fatores ditaram os rumos do mercado global de ações, juros e moedas neste início de ano e devem permanecer na agenda desta semana por um motivo bem simples. De um lado a economia dos Estados Unidos precisa de um dólar mais competitivo, ou seja, mais desvalorizado em relação ao euro, o iene, a libra esterlina e o yuan, para que a indústria norte-americana consiga exportar mais, reduzindo o pesado déficit comercial dos Estados Unidos, além de manter o nível de atividade em expansão.
De outro lado, o Fed, de olho na inflação, tenderia a elevar o juro norte-americano, mas tal ação poderia levar a uma redução do nível de atividade, indo de encontro à desvalorização do dólar sobre a cesta de moedas global, além de afetar o desempenho das corporações norte-americanas em bolsa e do mercado de trabalho.
Além disso, na sexta-feira foi divulgado o Nonfarm Payrolls, indicador que mede o número de postos de trabalho criados fora do setor agropecuário nos EUA, e por ter apontado um desempenho mais fraco que o esperado, pode limitar as novas elevações previstas para a taxa básica de juro dos EUA.
Fed está atento ao petróleo e ao balanço de pagamentos
Outro objetivo com a elevação dos juros seria uma sinalização ao investidor estrangeiro de maiores ganhos no carregamento de posições em títulos do Tesouro norte-americano. Vale destacar que essa ação do Fed visaria a atacar de frente outro grande problema da economia americana: o déficit fiscal.
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Em relação ao comportamento dos preços, leia-se inflação, a autoridade monetária dos Estados Unidos está de olho no comportamento futuro dos preços do petróleo, que anda tão volátil quanto o comportamento do dólar, embora na média das ponderações, aposte-se num preço médio de US$ 40 por barril.
A cotação do barril passou por um período de forte volatilidade também nesta semana, com perspectivas de redução da produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 45,25, o que representa uma alta de 4,14% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 43,55.
No cenário doméstico, inflação em foco
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Mesmo antes da Ata do Federal Reserve, a ata de dezembro do Copom já sinalizava para um aumento da rigidez monetária no mercado local. Com a ata do Fed, esse endurecimento da política monetária brasileira ganha maior peso específico. Se depender da ponderação dos analistas ouvidos pelo BC, o juro básico brasileiro deve subir para 18% neste mês e assim permanecer até maio.
O cenário para a inflação ao consumidor neste mês de janeiro deve trazer maiores pressões sazonais relativas aos aumentos dos gastos domésticos com educação e pagamento de impostos. Quem mede melhor essas nuances dos preços ao consumidor são índices como o IPCA (que concentra a meta de inflação do Banco Central) e o Índice de Preços ao Consumidor na Região Metropolitana de São Paulo,o IPC-Fipe.
Em relação aos preços no atacado, apurados pelos índices gerais de preços, como IGP-M e IGP-DI, as maiores pressões ocorrem em dois sentidos. De um lado a renovação de estoques do comércio e da indústria, frente ao desempenho das vendas de fim de ano, pode encontrar preços maiores por força da volatilidade do dólar no período.
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No que se refere aos indicadores divulgados nesta semana, o IGP-DI, Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, apurou inflação de 0,52% em dezembro, enquanto o mercado esperava inflação de 0,80% e o indicador de novembro havia apontado alta de 0,82%. Assim, o IGP-DI subiu 12,13% em 2004.
A desaceleração no atacado levou à menor variação do índice geral, apesar da maior alta dos preços no varejo. A tendência de aceleração no varejo foi apontada também pelo IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que subiu 0,67% em dezembro, enquanto que o indicador de novembro havia apontado alta de 0,56% nos preços e o mercado aguardava inflação de 0,60%. No ano de 2004, o índice subiu 6,57%.
Dólar e juros futuros subiram na semana
O dólar comercial, refletindo também novas intervenções do Banco Central, encerrou a semana em alta de 2,22%, cotado a R$ 2,7120 no fechamento de sexta-feira.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,09% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,82% na semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,02%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 17,88%.
O Ibovespa, por sua vez, refletiu, além da realização de lucros, o temor dos investidores de que juros mais altos nios EUA possam implicar em um menor fluxo de investimentos estrangeiros na bolsa paulista. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou forte queda de 5,53% na semana, encerrando a 24.747 pontos.
Próxima semana: IPCA em foco
Na próxima semana, a agenda de indicadores econômicos no Brasil recai sobre os índices de preços. O principal destaque fica por conta da sexta-feira, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o índice fechado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo ) de dezembro e do ano de 2004, bem como o INPC (usado para reajustes de salários). Pelo Boletim Focus, a expectativa é que o IPCA feche dezembro em alta de 0,74%, acumulando 7,47% nos 12 meses de 2004.
Os dados da produção industrial brasileira serão divulgados pelo IBGE na terça-feira e também devem ser bastante acompanhados. Nos EUA, o destaque na sexta-feira deve ficar por conta da divulgação do PPI, Producer Price Index, que mede a variação dos preços no atacado.