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SÃO PAULO – Após interpretarem os desdobramentos da gripe suína sobre a economia mundial com expressiva queda na segunda-feira (27), os mercados se depararam nos pregões seguintes com a divulgação de uma série de resultados favoráveis e referências econômicas de peso, suficientes para inverter o movimento de perdas. Melhor para a bolsa brasileira, que encerrou mais uma semana no campo positivo.
Por aqui, além do noticiário internacional, os investidores também puderam avaliar mais um corte do Copom (Comitê de Política Monetária) na taxa Selic, agora em 10,25% ao ano. Neste contexto, com apenas quatro pregões em função do feriado do Dia do Trabalho na sexta-feira (1), o Ibovespa estendeu a recuperação verificada desde o início do ano e encerrou nada menos que sua oitava semana consecutiva de valorização.
Paralelamente, a manutenção do clima mais ameno no mercado doméstico acabou exercendo forte influência nas negociações envolvendo o dólar comercial, que ampliou sua desvalorização verificada ao longo de 2009 com baixa de 0,41% acumulada na semana.
Resultados e dados econômicos trazem alívio
Considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma “emergência de saúde pública de temor internacional”, a gripe suína incitou temores relativos ao crescimento da já combalida economia global. E além do nervosismo generalizado em torno da doença, as preocupações envolvendo a saúde do setor bancário, com os rumores de que Bank of America e Citigroup podem precisar de mais capital, ajudam a explicar o início de semana negativo em Wall Street e nas bolsas europeias.
As sessões seguintes ainda trouxeram outras referências corporativas preocupantes, principalmente em relação ao setor automotivo dos EUA. A GM detalhou seu plano de redução de custos e a demissão de até 21 mil funcionários, além de anunciar que poderá vender mais da metade de seu capital social nas mãos do Estado. A Chrysler, por sua vez, fracassou nos planos de reestruturação de sua dívida e entrará com pedido de concordata, conforme informou Barack Obama. Por outro lado, o presidente norte-americano também anunciou o acordo de parceria entre a montadora e a italiana Fiat, o que “não apenas ajudará a Chrysler a sobreviver, mas também a prosperar”.
Em contrapartida, ainda na esfera corporativa, a temporada de resultados continuou trazendo números surpreendentes ao mercado. A Visa, por exemplo, apresentou no segundo trimestre fiscal de 2009 um lucro líquido bem superior àquele mostrado no mesmo período do ano passado. Destaque também para os grupos DreamWorks e Time Warner, que revelaram ganhos acima das expectativas nos três primeiros meses do ano, assim como Siemens e Procter & Gamble.
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No mesmo sentido, as referências econômicas também proporcionaram alívio, com exceção da queda de 6,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no primeiro trimestre. O Fed disseminou otimismo após a manutenção do juro básico do país na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, menor patamar de sua história. Paralelamente, o colegiado manteve suas metas para o programa de aquisição de títulos públicos e privados. Já dentre os indicadores, a atividade industrial na região de Chicago ficou bem acima do esperado, ao passo que a confiança do consumidor norte-americano e do Reino Unido também superaram as estimativas.
Decisão do Copom é destaque no Brasil
No âmbito doméstico, o grande destaque ficou com a decisão do Copom de efetuar mais um corte, desta vez de 100 pontos-base, no juro básico brasileiro, deixando-o no menor patamar desde sua criação. Em linha com as expectativas dos analistas, a postura da autoridade refletiu o consenso quanto às dificuldades enfrentadas pelo ambiente econômico, aliadas à contínua diminuição das preocupações com uma eventual deterioração do cenário inflacionário do País.
Por falar em inflação, o IGP-M voltou a apresentar deflação no mês de abril. A variação negativa, no entanto, foi menor do que a esperada pelo relatório Focus, que agora prevê uma retração de 0,39% para o PIB brasileiro em 2009. Já os dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria para o primeiro trimestre mostraram que o nível de atividade e de emprego chegou ao menor patamar registrado desde 1999, enquanto o Índice de Confiança da Indústria marcou forte alta na passagem de março para abril.
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Finalmente, na cena corporativa doméstica, a temporada de resultados continuou com a NET divulgando um forte crescimento em seu lucro acumulado no primeiro trimestre, ao contrário de Embraer e Lojas Renner. Destaque ainda para a Petrobras, que anunciou mais uma descoberta de petróleo e confirmou o início das operações no pré-sal da Bacia de Santos.
As variações de Ibovespa, dólar e renda fixa
Com duas altas em apenas quatro pregões, o Ibovespa acumulou valorização de 1,11% e encerrou sua oitava semana consecutiva de ganhos aos 47.289 pontos. Com este desempenho, o índice acumula saldo positivo de 25,94% desde o início de 2009.
Diante dos sinais de melhora nas condições de liquidez do mercado, o dólar comercial manteve a trajetória declinante da última semana e apresentou queda de 0,41%. Assim, a divisa norte-americana encerrou o período cotada a R$ 2,183 na venda.
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No mercado de renda fixa, a taxa dos contratos de DI futuro com vencimento em junho de 2009, entre os líderes de liquidez, ficou em 10,13% na quinta-feira, queda de 0,17 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Por sua vez, a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 10,07%, com queda entre as semanas.
Destaques da agenda econômica da próxima semana
Dentro da agenda para a primeira semana de maio, os investidores estarão atentos, sobretudo, aos dados do mercado de trabalho norte-americano.
No cenário nacional, o destaque fica para a ata da última reunião do Copom. O documento descreve os motivos por trás do corte de 100 pontos-base promovido na taxa básica de juro brasileira.