Comentário Semanal: bolsa acompanha ritmo externo e fecha com forte valorização

Combinação entre indicadores e resultados, que pressionou os mercados na última semana, desta vez animou investidores

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SÃO PAULO – Depois de um início de semestre preocupante, a mudança de percepção entre os investidores garantiu fortes ganhos aos mercados nos cinco últimos pregões. A combinação entre agenda de indicadores e resultados corporativos, que prejudicou as bolsas na semana passada, desta vez impulsionou os negócios na renda variável e ampliou o otimismo em torno da recuperação econômica global.

Diante da melhora de cenário, a bolsa brasileira não sentiu a falta de referências relevantes no âmbito doméstico e acompanhou o ritmo externo, impulsionada pelo bom desempenho das commodities e pelas ações do setor imobiliário. Como resultado, o Ibovespa encerrou uma sequência de duas semanas consecutivas de queda e fechou o período de 13/7 a 17/7 com forte valorização.

Não obstante, a volta do clima mais ameno nos mercados acabou exercendo forte influência nas negociações envolvendo o dólar comercial, que ampliou sua desvalorização verificada ao longo de 2009 com expressiva queda de 3,70% acumulada nas cinco últimas sessões, a despeito das novas intervenções do Banco Central no mercado à vista.

Bancos em destaque nos EUA

Em Wall Street, um dos principais responsáveis pelo otimismo foi a boa impressão trazida pelos resultados do setor financeiro, com os lucros trimestrais de Goldman Sachs, JP Morgan Chase, Citigroup e Bank of America Merrill Lynch superando as projeções dos analistas. No entanto, por trás dos números aparentemente animadores das duas últimas instituições, há uma realidade amarga na espreita: os saldos positivos foram, na verdade, fruto de amplas vendas de ativos próprios.

Dentre as demais referências do segmento, o Bank of America segue tentando evitar o pagamento de bilhões de dólares aos cofres públicos, argumentando que não utilizou recurso estatal na aquisição da Merrill Lynch. A financiadora CIT Group, por sua vez, afirmou que provavelmente não receberá uma nova ajuda do governo dos EUA, aumentando os rumores de uma possível falência.

Voltando à temporada de divulgação de balanços, surpreenderam positivamente os números da Johnson & Johnson e da IBM, ao contrário dos fracos números de General Electric e Google. Completando as referências corporativas, destaque para os fortes rumores de que as mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto acertaram um corte de 33% no preço do minério de ferro com as siderúrgicas chinesas.

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Indicadores externos agradam

Passando para a agenda de indicadores econômicos, os investidores puderam avaliar dados favoráveis referentes à economia norte-americana. Dentre eles, o orçamento do governo em junho veio melhor que o esperado, assim como os números do volume das vendas no mercado varejista e da produção industrial do país no mesmo mês. No mesmo sentido, os dados do setor imobiliário e o número de pedidos de auxílio-desemprego também foram recebidos com otimismo.

No entanto, o grande destaque da agenda dos EUA na semana ficou com a ata da última reunião do Federal Reserve. Isto porque, apesar de voltar a afirmar que a atividade econômica do país ainda se encontra muito enfraquecida e sugerir que o juro básico deve permanecer em baixos patamares por algum tempo, a autoridade monetária revisou para cima suas projeções para a economia.

Neste sentido, também cabe ressaltar as declarações do economista Nouriel Roubini. Após notícias apontarem uma mudança de tom do especialista, que estaria acreditando na possibilidade de fim da recessão na economia norte-americana ainda no final de 2009, o próprio professor esclareceu suas afirmações, afirmando que o relatório em que prevê o fim da recessão foi “tirado do contexto”. Ou seja, não projeta crescimento econômico para os EUA antes do fim do ano.

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Na zona do euro, por sua vez, foi divulgado que a produção industrial cresceu acima do esperado em maio, ao passo que a confiança do consumidor na Alemanha recuou em julho. Contudo, fora dos EUA, a principal referência ficou com o PIB da China, que cresceu pouco mais do que o esperado (+7,9%) no segundo trimestre deste ano.

Brasil tem poucas referências

No Brasil, a agenda evidenciou o relatório Focus, que trouxe projeções mais positivas para o desempenho do PIB em 2009. Destaque ainda para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que declarou que o indicador pode ter crescimento de até 5% em 2010, ficando acima da média mundial.

No campo inflacionário, os indicadores divulgados – IPC-Fipe, IPC-S e IGP-10 – mostraram variações distintas nos preços praticados no País. A balança comercial, por sua vez, ampliou o saldo acumulado no ano para US$ 15,244 bilhões, enquanto o volume de vendas do comércio varejista cresceu 4% em maio. Também agradando, foram criados 119.495 postos de trabalho em junho, sendo esta a quinta expansão consecutiva do emprego formal no País.

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Na esfera corporativa doméstica, o que mais chamou a atenção foi a notícia de que a italiana Telco não terá de realizar a OPA (Oferta Pública de Aquisição) dos papéis ordinários da TIM Participações. Por fim, destaque para a decisão do banco Morgan Stanley, que, mais confiante no processo de recuperação da economia brasileira, elevou a recomendação para o mercado de ações brasileiro para overweight (acima da média).

As variações de Ibovespa, câmbio e renda fixa

Com três altas em cinco pregões, o Ibovespa retomou a trajetória de alta verificada ao longo do ano com forte valorização de 5,80%, aos 52.072 pontos. Com este desempenho, a valorização acumulada pelo índice desde o início de 2009 subiu para 38,67%.

A despeito das novas intervenções do Banco Central, o dólar comercial acompanhou o clima favorável nos mercados, acumulou cinco sessões consecutivas de queda e fechou a semana com expressiva baixa de 3,70%, cotado a R$ 1,9280 na venda.

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No mercado de renda fixa, os juros futuros não apresentaram tendência. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, entre os líderes em liquidez no período, apontou taxa de 8,63%, com queda de 0,06 ponto percentual em relação à semana anterior.

Destaques da agenda na quarta semana de julho

Dentro da agenda para a quarta semana de julho, os investidores estarão atentos, sobretudo, aos pedidos de auxílio-desemprego da última semana e à confiança do consumidor de julho nos Estados Unidos.

No cenário nacional, a ênfase fica para a reunião do Copom. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária atualizará a taxa básica de juro do País, com expectativa de um novo corte.