Comentário semanal: avanço de commodities impulsiona mercados, e Ibovespa sobe

Realização de lucros volta a pressionar mercados no final da semana, que teve PIB brasileiro e ata do Copom; dólar cai

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SÃO PAULO – Mesmo com uma sexta-feira (11) marcada por volatilidade nos mercados globais, as principais bolsas conseguiram voltar ao campo positivo nessa semana – que foi mais curta nos EUA e no Brasil, devido ao feriado na última segunda-feira (7). Um dos principais motivos do ânimo dos investidores nas últimas sessões foi o forte desempenho das commodities.

No cenário local, a semana trouxe a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre. O mercado também reagiu às notícias ligadas as blue chips brasileiras, Petrobras e Vale, que se beneficiaram do avanço das commodities e tiveram boa semana no Ibovespa. Assim, o Ibovespa fechou a semana em alta, interrompendo duas semanas de desvalorização consecutiva.

O dólar alternou pregões de altas e baixas durante a semana, e encerrou o período com queda acumulada de 0,81%. Mais uma vez, o Banco Central interveio nas negociações em todas as sessões.

Economia dos EUA e avanço das commodities

As atenções do mercado se voltaram para o Livro Bege do Fed, divulgado na última quarta-feira. Segundo o documento, a atividade econômica nos doze distritos avaliados continuou a mostrar sinais de estabilização em julho e agosto, e as perspectivas para a atividade econômica também se mantêm cautelosamente otimistas.

O Fed revelou ainda que o mercado de trabalho permanece fraco, apesar de em alguns dos distritos ter sido observada queda no ritmo de demissões e um aumento de contratações de funcionários temporários. Da mesma maneira, a demanda por empréstimos permaneceu baixa, e as condições de crédito se mostraram difíceis em algumas das regiões.

De acordo com o levantamento, a maioria dos distritos não reportou variações nas vendas do varejo, e o consumo continuou tímido na maioria das regiões – assim como os preços, que se mantiveram estáveis. Já o mercado imobiliário residencial mostrou sinais de melhora na maioria dos distritos, apesar de também continuar fraco.

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Ainda sobre a economia dos EUA, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, afirmou que o governo está se preparando para retirar parte de seu suporte ao mercado financeiro, e avisou que a recuperação terá “mais do que as normais altas e baixas”.

Entre as commodities, o preço spot do ouro superou US$ 1.004 a onça nesta sexta-feira, devido à fraqueza do dólar – que atingiu sua mínima frente ao euro no ano -, além das perspectivas acerca da inflação. O compromisso do G-20 de manter as políticas expansionistas até o crescimento econômico voltar à tona também ajudou o avanço do metal.

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) optou por manter suas cotas de produção, ressaltando que, enquanto a cotação do petróleo estiver acima de US$ 71,00 por barril, não há necessidade de interrupção na oferta.

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Na China, Zhu Min, vice-presidente do Banco da China, afirmou que o excesso de liquidez proporcionado pelas políticas expansionistas dos bancos centrais cria inúmeras bolhas nos mercados, e é possível vê-las no mercado de ações, de commodities e no setor imobiliário em todos os cantos do mundo. Ainda no país, a importação de minério de ferro caiu 15% em agosto na comparação com o mês anterior, atingindo o menor volume comprado em seis meses. Entretanto, a economia chinesa viu sua produção industrial subir 12,3% em agosto.

Nos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego ficou abaixo do esperado pelo mercado na última semana, enquanto o déficit na balança comercial aumentou no mês de julho em relação a junho, e ficou acima das expectativas. Do mesmo modo, o Michigan Sentiment, que aponta a confiança do consumidor, ficou acima do esperado em setembro. Também foi melhor do que o esperado o orçamento do governo norte-americano, que registrou déficit de US$ 111,4 bilhões em agosto, frente às projeções de saldo deficitário em US$ 139,5 bilhões. Já o nível dos estoques no atacado norte-americano recuou mais do que as expectativas do mercado em junho.

Na Europa, o BoE (Bank of England) optou pela manutenção do juro básico em 0,5% ao ano. O presidente da instituição, Mervyn King, e sua equipe também votaram pela continuidade do programa de aquisições de ativos. Os investidores avaliaram ainda a evolução de 0,9% da produção industrial do Reino Unido na passagem mensal.

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Os mercados europeus repercutiram ainda o déficit de € 55 bilhões em conta corrente registrado pelos países da União Europeia no segundo trimestre de 2009. O valor é inferior ao obtido no mesmo período do ano anterior.

No Brasil, PIB e Copom são foco

No cenário local, destaque para a ata da última reunião do Copom e para o PIB brasileiro do segundo trimestre, que superou as expectativas, apresentando um avanço de 1,9% no período, em relação aos três meses anteriores. A maior expansão ocorreu na indústria, que avançou 2,1% – o desempenho positivo do setor de serviços, que cresceu 1,2%, também ajudou no resultado. Em relação ao mesmo período de 2008, o PIB apresentou queda de 1,2%, resultado da retração de 0,9% no valor adicionado a preços básicos e da redução de 2,8% nos impostos sobre produtos.

O Copom, por sua vez, destacou que houve uma redução para a projeção da inflação em 2009 frente às perspectivas da última ata, ao passo que se encontra abaixo da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional) de 4,50%. O comitê avalia que houve um incremento das perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica, notadamente no que se refere ao consumo e, mais recentemente, também aos dados sobre a indústria.

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Segundo a ata do comitê, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro e a margem de ociosidade dos fatores produtivos levaram à manutenção da taxa de juro em 8,75% ao ano.

Entre as blue chips, a Petrobras anunciou a volta das operações no campo de Tupi, no pólo pré-sal da Bacia de Santos, que havia sido interrompida no início de julho para uma troca de equipamentos. A estatal também chamou a atenção ao informar à ANP (Agência Nacional do Petróleo) duas novas descobertas de indícios de hidrocarbonetos na bacia de Sergipe. A empresa comunicou, ainda, que o teste de formação em águas ultraprofundas da Bacia de Santos foi concluído, constatando uma altíssima produtividade dos reservatórios com óleo do pré-sal na área.

Durante a semana, as ações da Petrobras também foram impulsionadas pela recomendação acima da média dos analistas do Morgan Stanley para os ADRs da estatal após avaliarem o progresso do governo brasileiro nas negociações para elevar sua participação na empresa.

A Vale, por sua vez, emitiu bônus no mercado de capitais com o prazo de vencimento de dez anos. Os recursos captados, segundo a empresa, serão destinados a “propósitos corporativos”. A mineradora também retomou as operações em duas plantas no Canadá, após paralisação de um mês por manutenção.

A companhia francesa Vivendi anunciou a assinatura de um acordo com os acionistas controladores da GVT para realizar uma oferta para aquisição da companhia brasileira. Segundo comunicado da Vivendi, a oferta será de R$ 42 por ação da companhia, o que corresponderia a R$ 5,4 bilhões pelo capital total da empresa. Em seu comunicado, a Vivendi fala em “entrada em uma parceria estratégica no setor de telecomunicações brasileiro”.

A operação seria condicionada à Vivendi a adquirir um mínimo de 51% do capital diluído da GVT, como resultado de uma oferta amigável. Os controladores concordaram em oferecer à Vivendi um mínimo de 20% do capital da empresa, dos 30% que detém atualmente. As ações do setor subiram com a notícia.

As empresas do empresário Eike Batista também atraíram atenções. Após especulações em torno de uma possível compra da Bradespar pelo empresário, o Bradesco rejeitou a oferta e decidiu não se desfazer da parte detida no controle da mineradora Vale, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, a MMX comunicou que assinou contrato definitivo para vender sua planta de metálicos em Corumbá à Vetorial Siderurgia.

Entre os indicadores, o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de agosto e o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor – Fipe) referente à primeira quadrissemana de setembro apontaram inflação acima do esperado pelo mercado. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao primeiro decêndio deste mês também apontou inflação de 0,28%. Segundo o relatório Focus do Banco Central, as previsões para a trajetória inflacionária foram praticamente preservadas, assim como as projeções para a taxa básica de juro.

Já a taxa de emprego na indústria brasileira recuou 7% em julho, frente ao mesmo mês do ano passado. Na comparação com junho, sem ajustes sazonais, houve alta de 0,4% no emprego industrial, a primeira taxa positiva na comparação mês a mês do ano.

Foram divulgados ainda os dados da balança comercial, que acumulou na primeira semana de setembro um saldo positivo de US$ 480 milhões, e dados do fluxo cambial, que alcançou em agosto seu quinto superávit consecutivo. No entanto, o desempenho da primeira semana de setembro aponta um déficit de US$ 1,108 bilhão.

As variações do Ibovespa, câmbio e renda fixa

Impulsionado pela alta das empresas ligadas a commodities, que tem grande peso no índice, o Ibovespa teve uma semana positiva, interrompendo duas semanas consecutivas de queda. O índice encerrou a semana com alta de 3,03% a 58.366 pontos – rompendo o patamar dos 58 mil pontos e renovando na quinta-feira sua máxima desde 31 de julho de 2008. No ano, o Ibovespa acumula alta de 55,44%.

O dólar alternou altas e baixas nos pregões da semana, e terminou a semana com queda de 0,81%, a R$ 1,827 na venda. O Banco Central interveio nas negociações em todas as sessões.

Ainda em relação às costumeiras operações no mercado cambial, a autoridade monetária nacional afirmou que, durante o mês de agosto, foram adquiridos no âmbito interno cerca de US$ 2,625 bilhões. Já nos primeiros quatro dias úteis de setembro, o montante captado no mercado foi de US$ 323 milhões.

No mercado de renda fixa, os juros futuros apresentaram rendimento descendente na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em julho de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 8,85%, baixa foi de 0,07 ponto percentual em relação à semana anterior.

Destaques da agenda na terceira semana de setembro

Dentro da agenda para a terceira semana de setembro, os investidores estarão atentos, sobretudo, às vendas ao varejo e aos indicadores de inflação de agosto que serão divulgados nos Estados Unidos.

No cenário nacional, destaque também para os índices de preços a serem publicados, com ênfase no IGP-10 referente ao mês de setembro.