Comentário da semana

Em uma semana de poucos eventos, marcada pelo feriado de Natal, o mercado se ajustou à forte recuperação da semana anterior; dólar subiu 1,52% e Ibovespa caiu 2,23%

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SÃO PAULO – A quarta semana de dezembro, além de ser mais curta, com o feriado de natal foi de pouca movimentação no mercado brasileiro. Os principais índices econômicos financeiros se ajustaram frente as fortes valorizações registradas na última semana, fechando o período com leve depreciação. Porém, o mercado ainda segue mais otimista com a posse do novo governo, mas atento a uma possível guerra no Iraque no início do próximo ano.
Na segunda-feira foi anunciada a composição final da equipe ministerial de Lula, conforme previsto. Alguns nomes foram novidade para o mercado, como Miro Teixeira para o Ministério das Telecomunicações, o economista Guido Mantega para o Ministério do Planejamento e o economista Marcos Lisboa, que será o secretário de política econômica. Com o anúncio, confirmou-se a ausência do PMDB no ministério de Lula, o que não agradou o mercado.
Ata do Copom mostra preocupação com alta das projeções

Na semana foi divulgada a Ata da reunião do Copom, realizada na semana passada, e onde foi decidido aumentar a taxa Selic em 3 pontos percentuais, para 25% ao ano. Segundo o relatório, as projeções inflacionárias tanto do mercado quanto do Copom para 2003 voltaram a subir, desta forma, o aumento dos juros teria sido necessário para impedir novos reajustes de preços.
O Banco Central também anunciou que a dívida líquida do setor público em novembro atingiu R$ 869,5 bilhões, o equivalente a 57,5% do PIB, valor superior aos R$ 866,2 bilhões, mas inferior à proporção de 59,4% do PIB contabilizados em outubro. Além disto, a Bovespa informou que o balanço dos investimentos estrangeiros nos primeiros 20 dias do mês de dezembro está positivo, com entrada de capital externo de R$ 436 milhões, revelando que o mercado externo está com melhores perspectivas para a economia brasileira.
Finamente, foi divulgado o IGP-M, da FGV. O índice apontou inflação de 3,75% em dezembro, abaixo da inflação de 5,19% registrada em novembro e da inflação de 3,87% de outubro, ficando em linha com a expectativa do mercado de desaceleração da inflação no último mês deste ano. Porém, a alta do IGP-M em 2002 foi de 25,31%, a maior taxa de inflação desde a criação do Plano Real.
Mercado norte-americano fecha em queda

No cenário externo, mais precisamente no mercado norte-americano, a semana foi de queda no mercado acionário, refletindo as perspectivas crescentes de guerra no Iraque, além de notícias corporativas desfavoráveis. Porém, o initial claims, índice, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, e de importância relevante, ficou bastante acima das expectativas, agradando o mercado.
No que se diz respeito aos acontecimentos que envolvem a questão do Iraque, a semana foi novamente de nervosismo. O governo Iraquiano declarou que todo o programa de produção de armas do país já foi entregue, contrariando as acusações dos EUA e da ONU de que o relatório estaria incompleto, e aumentando as expectativas de que o governo norte-americano promova um ataque ao país árabe no primeiro trimestre de 2003.

Este clima de tensão frente à possibilidade de guerra no Iraque, junto ao prolongamento da greve geral na Venezuela, que já completou quatro semanas de duração, e ainda segue sem perspectivas de chegar ao fim, determinou forte valorização do petróleo no mercado internacional. A commodity fechou este período de sete dias com alta de cerca de 6,43%, cotada a US$ 30,16 no mercado futuro de Londres.
Dólar sobe e Ibovespa cai

O dólar nesta semana se ajustou da forte desvalorização da semana passada, fechando esta semana em leve alta. A moeda norte-americana caiu 0,42% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,54. No acumulado da semana a divisa norte-americana subiu 1,52%, o que aumenta a alta desde o início do ano para 52,92%.
Os juros futuros também se ajustaram da forte recuperação da última semana, fechando em leve alta. Dessa forma, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 fechou com taxa de 26,58%, frente a uma taxa de 26,50% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,45% nesta sexta-feira, frente à taxa de 25,40% registrada na semana anterior.
Muitos investidores aproveitaram a forte alta do Ibovespa na última semana para realizar lucros determinando ume semana de queda para o principal índice da bolsa paulista, que caiu 2,23% na semana. Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou com desvalorização de 0,74% cotado em 11.234,00 pontos. Com isto as perdas desde o início do ano subiram para 17,26%.
Semana de poucos eventos

A próxima semana será novamente marcada por poucos acontecimentos, em função das comemorações de Fim de Ano. Serão anunciados poucos indicadores econômicos, ficando o destaque no Brasil com os dados semanal e anual da Balança Comercial.
Já nos EUA, destaque fica para divulgação do Consumer Confidence, com o nível de confiança dos consumidores na economia norte-americana, Existing Home Sales, com o número de casas usadas vendidas nos EUA, e o Purchasing Managers Index com o nível de atividade industrial na região metropolitana de Chicago e no país.