Comentário da semana – Queda da inflação anima mercado

Apesar de complicações no cenário político, índices de preços garantiram bom desempenho do mercado brasileiro na semana

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SÃO PAULO – Com os índices de preços divulgados mostrando resultados melhores que o esperado, o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho ao longo da última semana de junho, ajustando-se, dessa maneira, após o fraco desempenho registrado na semana anterior. Assim, tanto o dólar quanto os juros futuros encerraram a semana em queda.

Índices de preços animaram mercado brasileiro

No âmbito econômico, os índices de preços atraíram a atenção do mercado, apurando um forte recuo da inflação ao consumidor nas semanas recentes. Dessa maneira, a inflação medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe ficou em apenas 0,09% na terceira quadrissemana de junho, bem abaixo da variação positiva de 0,23% registrada pelo índice na segunda quadrissemana do mês.

Com isto, a Fipe revisou suas projeções para o comportamento dos preços no mês, esperando, assim, uma ligeira deflação de 0,05%, após prever inicialmente uma inflação de 0,10%. As expectativas da Fundação, contudo, ainda são mais otimistas que as projeções do mercado, que apontam para uma inflação de 0,28% no mês, conforme contido no relatório Focus, do Banco Central.

O mercado também ficou animado com o resultado do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que apurou elevada deflação de 1,0% no mês fechado de junho, resultado melhor que as expectativas do mercado, que apontavam para uma deflação de apenas 0,28% no mês. Ainda com relação aos índices de preços, o IBGE divulgou o IPCA-15 relativo a junho, apurando inflação de 0,22% no período, bem abaixo dos 0,85% registrados em maio. Para o segundo trimestre, o IPCA-Especial apurou inflação de 2,22%.

Governo enfrenta problemas em relação a Reformas

Apesar das boas notícias no âmbito econômico, o cenário político despertou uma boa dose de preocupação no mercado, uma vez que o governo registrou maiores dificuldades no que se refere à tramitação das reformas nas Comissões Especiais. O primeiro obstáculo que o governo teve que enfrentar na semana foi uma “marcha” de empresários a Brasília, sob o comando da CNI (Confederação Nacional da Indústria), para pedir alterações do texto básico da Reforma Tributária.

Entretanto, o maior problema ainda estaria por vir: na quinta-feira, a Comissão Especial da Reforma da Previdência decidiu que seus integrantes poderão realizar audiências públicas no sentido de discutir o projeto nas Assembléias Legislativas de cinco capitais do país. Após a decisão da Comissão, o governo tentou se mobilizar contra o fato, não obtendo, contudo, o sucesso esperado.

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Mercado norte-americano registrou fraco desempenho

Em função do nervosismo gerado pela reunião do Federal Reserve, o mercado norte-americano registrou um fraco desempenho na semana, com tal fato ofuscando até mesmo alguns bons indicadores conjunturais divulgados ao longo da última semana de junho. Neste sentido, a autoridade monetária norte-americana decidiu, ao término de sua reunião, por um corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juro do país, que passou, assim, de 1,25% ao ano para 1,0% ao ano.

Embora tal corte já estivesse precificado por uma parcela do mercado, a grande maioria dos investidores esperava uma decisão mais agressiva do Fed, cortando a taxa básica de juro do país em meio ponto percentual. Dessa forma, muitos investidores acreditam que o corte de apenas 0,25 ponto percentual não será suficiente para reaquecer a economia dos Estados Unidos no segundo semestre.

Com relação ao mercado de petróleo, os preços futuros da commodity acumularam alta de 0,67% na semana, de forma que o barril fechou cotado a US$ 27,20 nesta sexta-feira no mercado de Londres. A elevação das cotações futuras da commodity decorreu, basicamente, da inesperada retração dos estoques de petróleo norte-americanos para a semana terminada em 20 de junho.

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Dólar e juros futuros acumularam baixa na semana

Após o Banco Central completar a rolagem de 70% do principal de uma dívida cambial com vencimento em 1º de julho, o dólar fechou o pregão da última sexta-feira cotado a R$ 2,8750, acumulando, assim, uma queda de 0,55% na semana. Vale destacar que a queda da moeda norte-americana também foi pressionada pela conclusão de uma captação de US$ 500 milhões em bônus de 10 anos pela Petrobras.

O mercado de juros futuros, por sua vez, digeriu bem os índices de preços divulgados ao longo da semana. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 23,01% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 23,25% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,30%, frente a uma taxa de 25,75% registrada na semana anterior.

No mercado acionário paulista, por sua vez, a semana foi de perdas, de modo que o Ibovespa acumulou leve queda de 0,77% no período. Neste sentido, o fraco desempenho da bolsa paulista refletiu, em grande parte, o nervosismo dos investidores após um impasse entre a Anatel e o executivo em relação às concessões dos reajustes das tarifas de telefonia constantes nos contratos.

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Já o C-Bond fechou a semana cotado a 87,50 centavos de dólar, acumulando forte queda de 1,69% na semana. O risco país atingiu, assim, 808 pontos base, uma alta de 38 pontos base frente à semana anterior.

Próxima semana será de poucos eventos no Brasil

Após uma semana repleta de indicadores, a primeira semana de julho terá poucos indicadores no mercado doméstico, com destaque para o IPC da Fipe referente ao mês fechado de junho. Serão divulgados, ainda, a balança comercial mensal, relativa a junho, e a pesquisa de custos e índices da construção civil, esta última pelo IBGE.

Apesar da relativa tranqüilidade no âmbito econômico, a semana continuará agitada no aspecto político, destacando-se a continuidade da tramitação das reformas nas Comissões Especiais. Também terá destaque a CPI (Comissão Parlamentar de Inquéritos) do Banestado, que iniciará suas investigações sobre o desvio de US$ 30 bilhões do Banco do Estado do Paraná na próxima semana.

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No mercado norte-americano, por sua vez, a semana será mais curta em função do feriado do Independence Day. Contudo, muitos indicadores serão divulgados, com destaque para o ISM Index, o Construction Spending, o Nonfarm Payrolls, o Unemployment Rate e o Factory Orders.