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SÃO PAULO – A segunda semana de março foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com os índices de preços apontando direções contrárias para a inflação e aumentando a incerteza em relação à decisão do Copom na próxima semana. No cenário externo, o petróleo e o aumento dos déficits gêmeos norte-americanos pressionaram os mercados.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em queda, também influenciada por um movimento de realização de lucros, após as fortes altas das semanas anteriores. Já o dólar comercial, mantendo a recuperação, e os juros futuros fecharam a semana em alta.
Índices de preços não dão pistas sobre o rumo da Selic
A divulgação de uma série de índices de preços durante a semana aumentou a ansiedade do mercado em relação à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que acontece na semana que vem. Os dados divulgados, no entanto, serviram para confundir ainda mais os investidores, apontando para direções opostas. Na quinta-feira, o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) acelerou, enquanto o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) ficou abaixo da última medição. Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado nesta sexta-feira, não surpreendeu, ficando em linha com as expectativas do mercado.
Outro destaque foi a queda de 0,5% da produção industrial brasileira em janeiro, na comparação com dezembro do ano passado. O dado, livre de influências sazonais, é da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada na quarta-feira. Na comparação anual, no entanto, o indicador mostra que houve expansão de 6,0% na atividade da indústria. Ainda contagiados pelo otimismo após o forte crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) na semana passada, os membros do governo justificaram que a redução não passa de uma acomodação natural.
No cenário corporativo, a decisão do Citigroup de afastar o Opportunity da gestão do fundo CVC/Opportunity Equity Partners, criado para controlar empresas privatizadas do setor de infra-estrutura, impactou de forma bastante positiva os papéis da Brasil Telecom. A expectativa do mercado é de que a Telecom Italia adquira o controle da operadora, porém o Opportunity, no entanto, segue recorrendo à Câmara Arbitral de Londres para impedir que a empresa italiana tenha poder de decisão na companhia. A decisão do caso deve sair apenas em abril.
Cenário externo: déficits dos EUA voltam a subir
No cenário externo, as atenções do mercado estiveram voltadas para o crescimento dos déficits gêmeos norte-americanos. O governo dos EUA apresentou um déficit fiscal nominal de US$ 113,9 bilhões em fevereiro, bem acima do déficit de US$ 100 bilhões esperado pelo mercado. Da mesma maneira, o déficit comercial também cresceu, atingindo US$ 55,7 bilhões em janeiro, US$ 1,5 bilhão acima das expectativas do mercado, que eram de um desequilíbrio de US$ 56,8 bilhões. Os déficits recorrentes são o principal fator para a fragilidade da moeda norte-americana no mercado internacional.
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E o petróleo seguiu no centro das atenções dos investidores, sendo cotado acima dos US$ 55 em Nova York durante a maior parte da semana. Além de prejudicar as empresas, aumentando os custos relacionados a transporte e energia, o elevado preço da commodity também afeta os índices de preços, alimentando as especulações de taxas de juros mais altas, principalmente nos EUA. Vale destacar que na quarta-feira, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, declarou que o banco está pronto para elevar o juro básico na zona do euro ao primeiro sinal de inflação.
Dólar e juros futuros fecham semana em alta
O dólar comercial encerrou a semana em alta de 2,25%, cotado a R$ 2,720 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão em alta de 0,26%. A moeda norte-americana acumulou cinco sessões de alta na semana, com os investidores abandonando as perspectivas de que a moeda continue a se desvalorizar no curto prazo.
No mercado de juros futuros, a tendência também foi de alta. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,70% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,68% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,99%, alta de 0,10 pontos percentuais em relação à taxa de 18,89% da semana anterior.
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Em uma semana de realização de lucros, o Ibovespa encerrou a semana em queda de 3,84%, cotado a 28.075 pontos. Vale destacar que na quarta-feira, o índice bateu os 29.455 pontos, atingindo seu maior patamar histórico.
Próxima semana: Copom deve ser centro das atenções
Na próxima semana, as atenções devem estar voltadas para a reunião do Copom, que decide a nova taxa básica de juro da economia brasileira na quarta-feira. A expectativa de boa parte do mercado é de que a entidade eleve as taxas novamente em 50 pontos base, para 19,25% ao ano. Destaque também para o resultado Pesquisa Comercial Mensal, divulgada pelo IBGE.
No cenário externo, a divulgação do saldo em transações correntes norte-americano, o Current Account, no quarto trimestre deve ficar sob o foco dos investidores.O índice sai na quarta-feira. No mesmo dia, a Produção Industrial (Industrial Production) de fevereiro também deve dirigir as atenções do mercado.