Comentário da semana: política monetária do Brasil e EUA foi destaque

Confirmação de alta de 25 pontos base da Selic e perspectiva de gradualismo do Fed marcaram a semana: dólar caiu e bolsa subiu

Publicidade

SÃO PAULO – Em uma semana marcada pela expectativa com relação à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar em 0,25 pontos percentuais a taxa Selic, os investidores seguiram também com as atenções voltadas para os índices conjunturais norte-americanos como o Retail Sales, NY Empire State e, principalmente, Industrial Production e CPI.

Confirmando as percepções dos investidores, o colegiado do Banco Central elevou a taxa básica de juro da economia brasileira dentre das projeções do mercado. Outro ponto de otimismo foram os fracos indicadores conjunturais dos Estados Unidos que conduzem para a continuidade do gradualismo do Federal Reserve. Neste sentido, o Ibovespa acumulou ganhos, enquanto o dólar e os juros futuros registraram queda no período.

Reunião do Copom: foco da semana

De uma maneira geral, o grande destaque desta semana no mercado foi a percepção de alta da Selic, taxa básica de juro da economia brasileira, indicada pela aceleração do processo inflacionário apontado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) anunciados na semana e por declarações de importantes integrantes do governo federal.

Deste modo, a reunião finalizada na quarta-feira foi coerente com a ata da última reunião, em que a autoridade monetária apontava preocupações com a oscilação do preço do petróleo em Londres e Nova York, preços subindo mais do que o esperado e, finalmente, a possibilidade de elevação dos Fed Funds.

Assim, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu elevar a Selic, taxa básica de juro da economia, em 25 pontos base, para 16,25% ao ano, primeira elevação registrada pelo juro desde fevereiro de 2003, quando a Selic subiu de 25,5% ao ano para 26,5% ao ano.

Outro ponto de destaque com essa decisão é o compromisso do Banco Central com a estabilidade de preços e a ortodoxia monetária. Vale destacar que a decisão de elevação foi unânime, com alguns componentes argumentando alta de até mesmo 0,50 pontos percentuais.

Continua depois da publicidade

Indicadores dos EUA reforçam gradualismo do Fed

Com relação ao mercado internacional, a semana foi marcada pela divulgação dos indicadores referentes à economia dos Estados Unidos. De uma maneira geral, todos estes indicadores revelaram que a maior economia do mundo segue crescendo em um ritmo menor que o esperado, como mostraram o Retail Sales, NY Empire State e, principalmente, Industrial Production e CPI.

O destaque ficou para a divulgação do CPI (Consumer Price Index) nesta quinta-feira, que mede o desempenho dos preços ao consumidor norte-americano, referente ao mês de agosto. O CPI, divulgado pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, registrou variação positiva de 0,1%, abaixo das expectativas de alta de 0,2% dos analistas, enquanto no mês de julho houve deflação de 0,1%.

No que se refere ao Industrial Production, índice que contém os dados relacionados à produção industrial norte-americana divulgado pelo Fed, referentes a agosto, apontou leve alta de 0,1%, abaixo das expectativas, que apontavam para aumento de 0,5%. O indicador ficou abaixo da variação positiva de 0,6% contabilizada pelo índice de julho.

Continua depois da publicidade

Neste sentido, há sinais claros de que a maior economia do mundo cresce a passos mais lentos, ampliando-se as apostas de que o Federal Reserve dê continuidade ao gradualismo na condução da política monetária do país, afastando os temores de um choque monetário. A ruptura deste cenário poderia pressionar a saída de capitais dos mercados emergentes, no qual o Brasil se insere, em função de um eventual aumento da rentabilidade dos títulos do governo norte-americano.

Dólar e juros futuros caíram

O cenário favorável, elevação da Selic de acordo com as expectativas do mercado e indicadores conjunturais norte-americanos apontando para a continuidade do gradualismo do Fed na condução da política monetária dos Estados Unidos contribuíram para a queda do dólar e dos juros futuros e alta da bolsa.

Deste modo, a moeda norte-americana deu continuidade à trajetória declinante apresentada há duas semanas, acumulando queda de 1,17%, cotada a R$ 2,866, menor cotação desde 8 de março deste ano.

Continua depois da publicidade

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,67% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,70% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,21%, configurando alta frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, acumulou alta durante a semana, diante da confirmação de elevação da taxa básica de juro na quarta-feira. Os papéis do setores de energia e telecomunicações apreciaram-se fortemente, impulsionando os ganhos do Ibovespa. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 5,03% na semana, atingindo 23.074 pontos.

Próxima semana: Fed e ata do Copom em foco

A quarta semana de setembro, que se inicia no próximo dia 20, será marcada pelas expectativas com relação à reunião do Federal Reserve (Fomc Meeting) a partir da próxima terça-feira, na qual o mercado segue com perspectiva de elevações graduais da taxa básica de juro dos Estados Unidos.

Continua depois da publicidade

Internamente, a semana começará com expectativa acerca da divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe e da balança comercial na segunda-feira, assim como o vencimento de opções. Durante a semana, destaque para o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e também para a ata do Copom, explicando os motivos que levaram a autoridade monetária a elevar em 25 pontos base a taxa básica de juro da economia brasileira.