Comentário da semana – política e juro dos EUA foram destaques

Mercado brasileiro apresentou fraco desempenho na semana: dólar e juros futuros acumularam forte alta no período

Publicidade

SÃO PAULO – Em uma semana marcada pelas instabilidades no cenário internacional e pela derrota do governo no Senado, que trouxe pessimismo aos investidores, o mercado brasileiro como um todo apresentou um fraco desempenho na semana.

Dessa maneira, o dólar e os juros futuros registraram expressiva alta no período e a bolsa acumulou forte queda. Vale destacar que o risco país encerrou acima do patamar dos 750 pontos base, refletindo, assim, o maior nervosismo do mercado.

Fed mantém juro nos EUA

Neste sentido, na última terça-feira, os mercados de todo o mundo estavam atentos à reunião do Fed, Banco Central dos Estados Unidos, sobre a taxa básica de juro norte-americana. Conforme previsto por analistas, a autoridade monetária optou por manter o juro dos Estados Unidos em 1,0% ao ano, porém retirou a palavra paciência de seu discurso, alegando que a inflação, apesar de ter apresentado uma pequena alta, continua sob controle. Além disso, afirmou que o crescimento da maior economia do mundo é sustentável.

A manutenção do juro pelo Fed trouxe otimismo ao mercado no primeiro momento, porém a alta no preço do petróleo e a divulgação de bons indicadores nos Estados Unidos voltaram a inspirar apreensão e cautela aos investidores internacionais.

Derrota do governo no Senado é destaque no cenário local
Além da influência do cenário internacional, o fraco desempenho do mercado brasileiro na semana pode ser atribuído às maiores turbulências originadas no cenário político. Na noite de quarta-feira, o Senado rejeitou a medida provisória que estabelecia a proibição dos bingos no país, fato que ampliou a preocupação do mercado em relação à habilidade do governo de negociar junto ao Congresso.

No cenário econômico interno, os investidores seguem analisando a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em abril, o IPCA registrou uma elevação de 0,37%, abaixo das expectativas do mercado, o destaque ficou para a queda dos preços dos alimentos e combustíveis, especialmente do álcool.

Mercado norte-americano teve bom desempenho

No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, o destaque fica com a reunião do Fed, Banco Central dos Estados Unidos, o qual manteve a taxa básica de juro da maior economia do mundo em 1,00% ao ano e a divulgação de bons indicadores dos Estados Unidos.

Continua depois da publicidade

Neste sentido, de acordo com o Relatório de Emprego dos EUA do mês de abril, foram criadas 288 mil vagas, muito acima das 165 mil esperadas, e a taxa de desemprego recuou para 5,6%. Já o número de pedidos de auxílio-desemprego na semana terminada em 30 de abril ficou abaixo do esperado pelos analistas, dando mais um sinal de recuperação do mercado de trabalho norte-americano.

No mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 37,00 por barril, acumulando forte alta de 7,31% no período, devido ao temor de que atentados terroristas no Oriente Médio possam afetar o fornecimento da commodity. Além disso, a diminuição dos estoques de gasolina nos Estados Unidos e as projeções de maior demanda por combustíveis, devido à aproximação do verão, também contribuem para o forte aumento no preço do petróleo na última semana.

Dólar e juros futuros acumularam alta

No mercado de câmbio, o dólar acumulou expressiva alta de 4,50% na semana, impulsionado pela possibilidade de elevação da taxa de juro nos Estados Unidos nos próximos meses, devido aos bons indicadores apresentados pela economia norte-americana. Aliado a isso tem-se as instabilidades no campo político, que trouxe um grande pessimismo ao mercado e acabou impactando sobre o fluxo de capitais dos países emergentes. Desta maneira, a moeda norte-americana alcançou o maior nível desde agosto de 2003 e fechou cotada a R$ 3,063.

Continua depois da publicidade

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, em função da perspectiva de aumento do juro nos Estados Unidos. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,86% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,57% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,6%, configurando uma leve queda frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcado por um fraco desempenho, também influenciado pelas instabilidades no cenário interno e externo e pelo fluxo negativo de capital estrangeiro. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou queda de 5,09% no período.

Inflação será destaque na próxima semana

A segunda semana do mês de maio, por sua vez, será marcada pela divulgação de indicadores de inflação no Brasil. Neste sentido, serão divulgados o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe referente à primeira semanda de maio e também o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) da Fundação Getúlio Vargas.

Continua depois da publicidade

Nos Estados Unidos, o destaque fica para a divulgação dos seguintes índices: Trade Balance, Treasurie Budget, PPI, Core PPI, Initial Claims, Retail Sales, Retail Sales ex-auto, CPI, Core CPI, Industrial Production, Capacity Utilization e Michigan Sentiment.