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SÃO PAULO – Com as atenções divididas entre a melhora do quadro político e os fracos dados relacionados ao desempenho da atividade econômica brasileira no terceiro trimestre, o mercado brasileiro como um todo apresentou um desempenho limitado na última semana de novembro, de forma que o dólar acumulou alta no período, enquanto os juros futuros registraram queda. Vale ressaltar que as projeções contidas na Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) também foram destaque.
PIB apresentou fraco desempenho no terceiro trimestre
Dentre as notícias de cunho econômico, o destaque ficou com a divulgação, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), da Pesquisa das Contas Nacionais referente ao terceiro trimestre deste ano. Neste sentido, entre julho e setembro de 2003, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro apresentou um modesto crescimento de 0,4% na comparação com o trimestre anterior, sinalizando que o corte da Selic não foi suficiente para impulsionar a atividade econômica no período.
Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o quadro torna-se ainda mais preocupante, visto que no período o PIB registrou queda de 1,5%, pressionado, dessa maneira, pela menor produção industrial e as menores vendas no comércio varejista neste período. Vale destacar, contudo, que o bom desempenho da balança comercial evitou que o PIB brasileiro apresentasse uma pior performance em ambas as comparações.
Durante a semana, o Ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, declarou que as exportações brasileiras em 2004 devem chegar a US$ 80,0 bilhões. Vale destacar que para este ano, projeta-se que as exportações do país cheguem a US$ 70 bilhões, segundo as perspectivas do Ministério do Desenvolvimento. Dessa maneira, a balança comercial deverá encerrar o ano com superávit de US$ 23,5 bilhões, segundo projeções do relatório Focus, do Banco Central.
Copom traça cenário otimista para os próximos meses
Outro destaque na pauta econômica ficou com a divulgação da Ata do Copom, referente à reunião da autoridade monetária realizada entre os dias 18 e 19 de novembro. De uma maneira geral, mostra-se otimista tanto em relação ao controle de preços quanto às maiores possibilidades de reaquecimento econômico. Assim, o Copom continua apostando em uma trajetória balanceada de crescimento da economia brasileira, com maior expansão tanto do consumo quanto do nível de investimento agregado.
A autoridade monetária acredita, dessa maneira, que o cenário de juros declinantes deverá favorecer uma ampliação do crédito tanto ao consumidor quanto às empresas, impulsionando, dessa maneira, tanto o consumo quanto o investimento. Com relação ao consumo, além do fator crédito, a recuperação de renda real, em função dos dissídios salariais, e o pagamento do décimo terceiro também deverão contribuir para tal incremento, segundo as apostas do Copom.
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Senado conclui 1º turno da Reforma da Previdência
No aspecto político, o destaque ficou com a conclusão da votação em primeiro turno da Reforma da Previdência no plenário do Senado. O texto-básico do projeto foi aprovado por 55 votos favoráveis e 25 contrários na noite de quarta-feira, marcando a primeira vitória do governo na semana. Na quinta-feira, o Senado votou os dez destaques apresentados ao texto base, sendo que oito foram rejeitados e apenas dois aprovados.
Vale destacar, contudo, que os destaques aprovados não comprometem a essência do projeto, de forma que o fato não trouxe grandes preocupações aos governistas. Dessa maneira, o texto deverá ser votado em segundo turno na segunda semana de dezembro, de forma que a Reforma da Previdência, pelo menos em seus principais pontos, deverá sair do Senado antes que a Casa entre em recesso de final de ano.
Mercado norte-americano teve semana mais calma
Com relação ao mercado norte-americano, as principais bolsas do país acumularam ganhos na semana, refletindo a divulgação de bons indicadores conjunturais. Dentre os mais importantes, destaque para a queda do número de pedidos de auxílio-desemprego e também para o aumento da confiança do consumidor em novembro. Vale lembrar, contudo, que a semana foi mais curta nos Estados Unidos, em função do feriado de Ação de Graças, na quinta-feira.
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No mercado de petróleo, por sua vez, o preço do barril tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou a semana cotado a US$ 28,45, acumulando forte queda de 3,10% no período. A queda registrada pelo preço do barril de petróleo deveu-se, basicamente, a dados extra-oficiais mostrando que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) está produzindo acima de sua meta oficial.
Dólar subiu e juros futuros caíram
No mercado cambial, o dólar acumulou alta de 0,82% na semana, fechando cotado a R$ 2,9470. O comportamento da moeda norte-americana refletiu, basicamente, as maiores pressões dos detentores de títulos cambiais com vencimento no dia 1º de dezembro para elevação da Ptax, a cotação média diária da véspera do vencimento, que servirá para definir a remuneração destes papéis.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, refletindo o cenário favorável projetado pelo Copom. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,14% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,40% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,95%, muito abaixo da taxa registrada na semana anterior.
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O mercado acionário paulista, por sua vez, reagiu muito bem às projeções do Copom para a economia brasileira, sendo impulsionado pelas ações de companhias elétricas, diante das perspectivas acerca do novo modelo setorial. Dessa maneira, o Ibovespa encerrou a semana acima dos 20 mil pontos, patamar recorde, acumulando ganhos de 4,86% no período e de 12,24% no mês de novembro.
Primeira semana de dezembro será calma
A primeira semana de dezembro deverá ser marcada pela divulgação de importantes índices de preços no mercado brasileiro. Neste sentido, a Fipe divulgará o seu IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês fechado de novembro, enquanto o IBGE anunciará o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes a novembro.
Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados importantes índices, como o ISM Index, o ISM Services, o Construction Spending, o Employment Report e o Factory Orders.