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SÃO PAULO – A semana foi marcada pela forte queda do petróleo no mercado internacional, além da divulgação da ata do Copom e da divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto). Apesar de a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) ter inspirado cautela, a queda do petróleo trouxe otimismo.
Com isso, o mercado brasileiro como um todo teve um bom desempenho na semana, com o dólar apresentando queda e o Ibovespa, da bolsa paulista, e os juros futuros acumulando ganhos no período.
Cenário externo teve petróleo despencando
A China, após obter um forte crescimento de 9,1% em seu PIB no terceiro trimestre, revelado na semana passada, teve sua taxa básica de juro elevada em 27 pontos base, para 5,58% ao ano. O governo do país espera conter a alta nos preços. Entretanto, a decisão do país trouxe o temor de desaceleração da economia chinesa. Vale lembrar que a China é um importante parceiro comercial do Brasil e uma desaceleração de seu crescimento traz temor também com relação aos preços das commodities metálicas no mercado internacional.
O principal destaque da semana, entretanto, foi a forte queda do petróleo tanto no mercado de Londres quanto no mercado de Nova York. Os estoques norte-americanos cresceram 1,4% na semana passada, passando de 279,4 milhões de barris para 283,4 milhões de barris, subindo mais do que esperava o mercado. Outro fator pressionou a cotação da commodity na semana: as perspectivas de desaceleração da economia chinesa em função da elevação da taxa básica de juro do país. Com isso, o petróleo, que havia encerrado a semana anterior cotado a US$ 55,17, despencou nesta semana em 6,15%, encerrando cotado a US$ 51,78 em NY.
Outro destaque da semana no cenário externo ficou por conta do crescimento do PIB dos EUA. O GDP, Gross Domestic Product, o PIB norte-americano, cresceu a uma taxa 3,7% no terceiro trimestre de 2004, comparado com o mesmo período do ano anterior. A taxa ficou abaixo das expectativas de crescimento, de 4,3%, mas acima do crescimento revisado do segundo trimestre, que foi de 3,3%. O crescimento menor do que o esperado reduziu os temores de uma aceleração no ritmo de elevação da taxa básica de juro norte-americana, o que poderia gerar uma saída mais rápida de capitais do Brasil.
Cenário doméstico teve ata do Copom e IGP-M
No cenário doméstico, o fator mais aguardado foi a ata da reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária, que manifestou preocupação com a elevada cotação do petróleo no mercado internacional. Vale lembrar que a reunião do comitê ocorreu nos dias 19 e 20 de outubro.
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Além de temer a defasagem dos preços da gasolina nos mercados doméstico e internacional, o que poderia ter forte impacto na inflação de 2005, o comitê manifestou sua preocupação com os efeitos do petróleo sobre o câmbio. Outro fator de preocupação para 2005 é que as expectativas dos agentes privados com relação à inflação de 2005 são elevadas, o que também pode comprometer o comportamento dos preços.
O órgão afirmou ainda que os mesmos fatores levados em conta na elevação da taxa básica de juro brasileira na reunião anterior foram os responsáveis pela elevação em 0,50 ponto percentual na última reunião na Selic, atualmente em 16,75% ao ano. Segundo a ata da reunião anterior, o principal fator para o início do aperto monetário foi o temor dos efeitos da inércia inflacionária sobre o comportamento dos preços em 2005.
Também nesta semana, foi divulgado o Índice Geral de Preços – Mercado, mais conhecido como IGP-M, referente ao mês de outubro, que apresentou desaceleração da inflação, subindo 0,39%, menos do que no mês anterior quando havia subido 0,69% e do que o aguardado pelo mercado (alta de 0,50%). O IPC-Fipe, Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, apontou na terceira quadrissemana de outubro inflação de 0,53%, frente à alta de 0,38% nos preços na quadrissemana anterior.
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Dólar caiu, mas juros futuros subiram
Deste modo, o dólar comercial encerrou a semana em queda de 0,42%, cotado a R$ 2,8580, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,87.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,70% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,54% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,85%, configurando alta frente à taxa registrada na semana anterior 16,79%.
O Ibovespa, por sua vez, acumulou ganhos nesta semana, com as atenções divididas entre a ata do Copom e o comportamento do petróleo no mercado internacional. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 1,39% na semana, encerrando a 23.052 pontos.
Divulgação do Relatório do Emprego nos EUA se destacará
Na próxima semana, o grande destaque deverá ficar por conta do cenário externo, pois além de os investidores permanecerem atentos ao comportamento do petróleo no mercado internacional haverá a divulgação do Employment Report, ou Relatório do Emprego, nos EUA.
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O indicador mais importante do relatório é o nonfarm payrolls, que mede o número de postos de trabalho criados fora do setor agropecuário no país, considerado um importante termômetro da atividade econômica norte-americana.