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SÃO PAULO – A semana foi marcada por preocupações quanto ao rumo da política monetária tanto no Brasil quanto nos EUA. Nos EUA, a reunião da autoridade monetária não surpreendeu, enquanto no Brasil a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), apesar de em linha com o esperado, trouxe cautela. O petróleo seguiu com sua trajetória de queda.
Com isso, o mercado brasileiro apresentou um bom desempenho no período, com o dólar e os juros futuros acumulando queda e o Ibovespa, da bolsa paulista, registrando ganhos no período.
Fomc e petróleo destacaram-se
No cenário externo, o grande destaque da semana foi a reunião do Fomc, Federal Open Market Committee, órgão do Federal Reserve, o banco central norte-americano, encarregado de exercer a política monetária no país. A autoridade monetária norte-americana elevou a taxa básica de juro do país em 25 pontos base, de 1,75% ao ano para 2% ao ano.
É a quarta elevação na taxa em 0,25 ponto percentual desde o início do ano, quando os Fed Funds estavam em um patamar de 1,00% ao ano. Dessa maneira, a decisão do órgão não surpreendeu, pois foi mantido o “ritmo moderado” nas elevações. A preocupação do Federal Reserve com a inflação ao longo do ano fará com que o mercado esteja atento aos índices de preços que serão divulgados na próxima semana.
Neste sentido, a economia norte-americana parece estar apresentando uma forte recuperação, como evidenciado pelo indicador do mercado de trabalho na última semana e pelo desempenho das vendas no varejo e isso deixa de ser um empecilho para uma política monetária mais restritiva em caso de aceleração da inflação. Neste sentido, o Retail Sales apontou crescimento de 0,2% nas vendas em outubro, enquanto o mercado esperava crescimento de somente 0,1%, sendo que o desempenho no mês de setembro havia sido bastante forte, apontando crescimento de 1,6% nas vendas.
Com relação às perspectivas para a inflação, como a cotação do petróleo seguiu com a trajetória de queda, as pressões inflacionárias tendem a ser menores. Vale destacar que é a terceira semana consecutiva de forte queda na cotação da commodity, que encerrou cotada a US$ 47,4 no mercado de Nova York, o que representa um recuo de 4,45% frente à cotação de encerramento da última sexta-feira, de US$ 49,55.
Inflação acelera com reajuste de combustíveis
No cenário doméstico, o destaque ficou por conta da aceleração da inflação em virtude do recente reajuste dos combustíveis, impulsionando os índices em outubro. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou, na manhã desta quarta-feira, a variação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente à primeira quadrissemana de novembro, quando o índice apurou uma inflação de 0,65%, acima da variação positiva de 0,62% registrada no mês anterior.
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O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) também acelerou. A alta no índice passou de 0,48% em setembro para 0,53% em outubro. A primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços- Mercado) também apresentou aceleração devido ao reajuste de combustíveis, com a alta do índice passando de 0,05% para 0,33%. Por fim, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), utilizado pelo sistema de metas de inflação do Banco Central, apresentou aceleração de 0,11 ponto percentual. Em setembro o índice havia apresentado alta de 0,33% e em outubro a alta foi de 0,44%.
Apesar de ter ficado em linha com o esperado, pois o mercado esperava inflação de 0,45%, o índice trouxe cautela, devido à aproximação da próxima reunião do Copom, o Comitê de política Monetária do Banco Central. Entretanto, as recentes quedas do petróleo no mercado internacional reduzem os temores com relação ao rumo da política monetária, já que o a necessidade de novos reajustes nos preços domésticos de combustíveis é reduzida.
No que se refere ao desempenho da produção industrial brasileira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados da produção industrial brasileira de setembro, que não cresceu em relação a agosto. Em relação a setembro de 2003, houve um crescimento de 7,6% na produção industrial e entre janeiro e setembro houve um forte crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, de acordo com prévia divulgada pela Associação Brasileira de Papelão Ondulado, a expedição de papelão ondulado em outubro foi de 183,074 mil toneladas, frente às 179,585 mil toneladas de setembro, o que representa um crescimento de 1,94%.
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Dólar e juros futuros registram queda
Deste modo, com as sucessivas quedas do petróleo, o dólar comercial encerrou a semana em forte queda de 1,03%, cotado a R$ 2,79, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,8190, na menor cotação de encerramento desde junho de 2002. As boas perspectivas para a entrada de recursos no país, em função do forte desempenho da balança comercial, também influenciaram.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,80% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,84% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,21%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior 17,07%.
O Ibovespa, por sua vez, acumulou ganhos nesta semana, com as atenções voltadas para a política monetária no Brasil e nos EUA. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 2,10% na semana, encerrando a 24.035 pontos.
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Reunião do Copom marcará semana
Na próxima semana, o rumo da política monetária brasileira deverá seguir como destaque, já que o Copom se reunirá nos próximos dias 16 e 17 de novembro, terça-feira e quarta-feira. Ao final da reunião de quarta-feira, o órgão anunciará o novo patamar da Selic, atualmente em 16,75% ao ano.
No cenário externo, além do comportamento do petróleo, o destaque deve ficar por conta do cenário externo, já que a divulgação dos índices de preços, caso aponte uma aceleração, manterá a preocupação com o rumo da política monetária norte-americana.
Neste sentido, na terça-feira haverá a divulgação do PPI, Producer Price Index, que mede a variação dos preços ao produtor. Na quinta-feira, será a vez de avaliar o comportamento dos preços no varejo, já que será divulgado o CPI, Consumer Price Index.