Comentário da Semana: otimismo volta a prevalecer e reduz temores de maio

Mercado tem segunda semana positiva consecutiva, com a melhora do cenário externo e a elevação do rating brasileiro

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SÃO PAULO – Boas notícias no cenário externo, com expectativas de reversão da tendência de alta dos juros nos EUA, proporcionaram ao mercado brasileiro uma semana positiva, a segunda consecutiva desde o pessimismo que tomou conta do mercado a partir do mês de maio.

Neste contexto, o otimismo voltou a tomar conta do mercado e o Ibovespa acumulou forte alta de 5,68% durante a semana, enquanto o dólar comercial caiu quase 3%. Os juros futuros e o risco-país também recuaram no período.

Cenário externo: reunião do Fomc

No cenário externo, a reunião do Fomc, o comitê de mercado aberto do Federal Reserve, foi o foco do noticiário. O colegiado elevou o juro básico dos EUA em 0,25 ponto percentual, para 5,25% ao ano. No entanto, foi a interpretação positiva dos comentários que acompanham a decisão a respeito da Fed Funds Rate que movimentou os mercados financeiros em nível mundial.

O documento afirmou que o núcleo da inflação corrente e as expectativas de inflação estão sob controle, além do crescimento econômico estar desacelerando para um ritmo mais razoável. Contudo, alguns riscos ainda persistem, de modo que as decisões futuras mostram-se dependentes dos indicadores econômicos a serem publicados até a próxima reunião do Fomc.

O mercado interpretou que o documento deixou em aberto a possibilidade de pausa no ciclo de aperto monetário na próxima reunião do Fomc, que acontece em agosto.

Ainda no plano internacional, também foram anunciados os dados do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos. No primeiro trimestre, a economia norte-americana teve expansão de 5,6%, em linha com as expectativas do mercado.

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Por fim, o preço do barril de petróleo fechou a semana completando oito sessões em elevação, a mais longa seqüência ascendente desde setembro de 2004, e voltou a preocupar o mercado.

Cenário interno: Brasil tem rating elevado

No cenário doméstico, o destaque ficou com a elevação da nota de risco brasileira pela agência internacional de classificação de risco Fitch Ratings, na quarta-feira (28). O rating soberano brasileiro foi elevado de “BB-” para “BB”, colocando país a apenas dois degraus do investment grade.

Segundo os analistas da agência, que é uma das três maiores do mundo, a reclassificação do Brasil reflete o ambiente macroeconômico estável e os avanços nas contas externas do país, obtidos recentemente. Cabe destacar que o evento também motivou a elevação da nota de várias empresas brasileiras.

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Também chamaram a atenção a divulgação dos números do Produto Interno Bruto pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que somou R$ 478,9 bilhões no primeiro trimestre, e a redução da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para o terceiro trimestre de 2006, de 8,15% para 7,5% ao ano.

Bolsa volta a subir e dólar cai

O dólar comercial encerrou a semana em queda de 2,87%, sendo cotado a R$ 2,1650 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em desvalorização de 0,37%. A elevação do rating brasileiro beneficiou o movimento da moeda norte-americana durante a semana.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2007 projetou taxa de 14,66% na sexta-feira, frente à taxa de 14,80% do encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,01%, pouco abaixo da taxa de 15,03% registrada no encerramento da semana passada.

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Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte alta de 5,68%, sendo cotado a 36.631 pontos. O índice teve sua segunda semana consecutiva de alta, afastando o pessimismo que o rondava desde o mês de maio.

Próxima semana: poucas emoções

A primeira semana de julho terá como enfoque nacional o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A medida de inflação é referência para a política monetária.

Nos Estados Unidos, a atenção dos investidores fica com o Relatório do Emprego de junho, que também será divulgado na próxima sexta-feira. O documento permite um amplo panorama do mercado de trabalho norte-americano, medindo salários, produtividade, horas trabalhadas, entre outras variáveis.