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SÃO PAULO – Refletindo o maior otimismo dos investidores em relação ao desempenho recente da economia brasileira e as boas perspectivas para os próximos meses, o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho na primeira semana de outubro, de forma que tanto o dólar quanto os juros futuros acumularam queda no período. Além disso, o Ibovespa acumulou um bom desempenho, fechando em seu maior nível de pontos em 32 meses.
Governo obtém novos sucessos com reformas
No aspecto político, a semana foi marcada por novas vitórias governistas, com o Planalto conseguindo derrubar grande parte das emendas apresentadas ao parecer do relator do projeto de Reforma da Previdência, Tião Viana (PT-AC), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Além disso, o governo conseguiu derrubar uma importante emenda que previa a retirada da taxação dos inativos do texto da Reforma, fato que foi bem recebido pelo mercado, visto que esta cobrança é uma das principais fontes de receitas da Previdência no curto prazo.
Ainda em relação à matéria, o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, declarou, na quarta-feira, que o projeto de Reforma deverá trazer uma economia de aproximadamente R$ 60 bilhões em um prazo de vinte anos, favorecendo, dessa maneira, o setor público brasileiro à medida que exige menores esforços fiscais do governo para o cumprimento de suas metas de superávit primário, atualmente fixada em 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto). Vale destacar que a Previdência Social gera um déficit da ordem de 4,3% do PIB, segundo dados do Tesouro.
No que se refere à Reforma Tributária, o governo acertou um acordo com as lideranças partidiárias do Senado para agilizar o cronograma de votação da matéria. Neste sentido, as lideranças divulgaram uma “carta suprapartidária” esclarecendo que o objetivo do governo deve ser o de melhorar as contas públicas via contenção de gastos ao invés de aumento da carga tributária. Contudo, como tal medida torna-se difícil no curto prazo, o projeto de Reforma deve ser aprovado de forma a melhorar a relação entre dívida pública e PIB, criando, assim, as condições para o controle fiscal.
Dessa maneira, acredita-se que os senadores devam apoiar a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União) até 2007. Por outro lado, os temas mais polêmicos, em especial o que trata da transição da cobrança do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para o destino ao invés da origem, deverão ser retirados do projeto, deixando as discussões para o próximo ano.
Inflação deverá aproximar-se da meta em 2003, diz BC
No âmbito econômico, o destaque ficou com o Relatório da Inflação, divulgado pelo Banco Central nesta semana, trazendo as perspectivas da autoridade monetária para tópicos como inflação e crescimento econômico nos próximos meses. Neste sentido, o documento reduziu a perspectiva de inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) de 10,2% para 8,9% em 2003, aproximando-se, assim, da meta fixada pelo governo, que é de 8,5% no período.
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Para 2004, o BC projeta uma inflação de 3,9%, abaixo, portanto, da meta de 5,5% estipulada pelo Banco Central para aquele período. Vale destacar que estas projeções são feitas dentro de um contexto de taxa Selic no patamar de 20,0% ao ano e dólar médio a R$ 2,90, conforme informações do Banco Central. No que diz respeito ao crescimento econômico, as projeções não são tão animadoras, visto que as perspectivas do BC foram reduzidas de um intervalo entre 1,5% a 1,8% para apenas 0,6% de crescimento do PIB em 2003.
Ainda no cenário econômico, foram divulgados importantes índices de preços ao longo da semana. Assim, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o seu IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) para o mês fechado de setembro, apurando uma variação positiva de 1,18% no período, acima da inflação de 1,05% apontada pelo relatório Focus, do Banco Central. Na sexta-feira foi a vez da Fipe divulgar o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), apurando uma inflação de 0,84% em setembro, acima das projeções do Focus, de 0,75%, e também da variação positiva de 0,63% registrada em agosto.
Bons indicadores deram fôlego a bolsas dos EUA
Com relação ao mercado norte-americano, por sua vez, a semana também foi marcada pelo otimismo dos investidores, especialmente após a divulgação de importantes indicadores conjunturais, especialmente com referência ao mercado de trabalho local. Neste sentido, os investidores animaram-se após um indicador divulgado mostrar a criação de 57 mil novos postos de trabalho em setembro, após oito meses seguidos de fechamento de postos.
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O setor de serviços também trouxe otimismo, após o nível de atividade registrar queda menor que a esperada para o mês de setembro. Na Europa, por sua vez, as principais bolsas locais apresentaram ganhos, refletindo a melhora para as perspectivas da economia da Zona do Euro, após bons indicadores divulgados. Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter a taxa básica de juro da economia da Zona do Euro no patamar de 2,0% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.
No mercado de petróleo, por sua vez, os preços da commodity acumularam forte alta de 7,85% na semana, de forma que o barril de petróleo tipo Brent encerrou o período cotado a US$ 28,71. A alta do barril decorreu, neste sentido, dos rumores de que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) poderia reduzir novamente sua cota de produção em dezembro, de forma a elevar sua meta de preços de US$ 22 a US$ 28 para US$ 25 a US$ 32.
Dólar e juros futuros acumularam queda
Refletindo o maior otimismo dos investidores, o dólar acumulou queda de 1,64% na semana, fechando cotado a R$ 2,887. A queda da moeda norte-americana neste período pode ser explicada também pelas perspectivas de novas entradas de recursos estrangeiros no país, via balança comercial e também captações de empresas privadas no mercado externo.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, refletindo as projeções de menor inflação para 2003 e 2004. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,92% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 18,39% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,34%, frente a uma taxa de 19,55% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um excelente desempenho, refletindo o otimismo dos investidores em relação ao cenário doméstico. Dessa maneira, pela primeira vez em mais de 32 meses, o principal índice da bolsa paulista encerrou acima do patamar de 17 mil pontos. Na semana, o índice Bovespa acumulou forte alta de 8,09%.
Índices de preços serão foco na 2ª semana de outubro
Assim como ocorrido na primeira semana de outubro, os índices de preços serão o principal destaque na segunda semana de outubro. Dessa maneira, a Fundação Getúlio Vargas divulgará a primeira prévia do IGP-M para o mês de outubro, além do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) para o mês fechado de setembro. A Fipe, por sua vez, divulgará o IPC referente à primeira quadrissemana de outubro.
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Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o IPCA e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes ao mês de setembro. No cenário político, o destaque deverá ficar com o término da votação das emendas à Reforma da Previdência na CCJ do Senado, bem como com o início das discussões em torno da Reforma Tributária na mesma instância.
Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados importantes indicadores, com destaque para o Consumer Credit, o Wholesale Inventories, o Trade Balance, o PPI e o Core PPI.