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SÃO PAULO – Refletindo o otimismo dos investidores após a surpreendente magnitude do corte da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho ao longo da terceira semana de agosto, de forma que os juros futuros acumularam queda no período, enquanto o Ibovespa registrou forte alta, fechando com ganhos em quatro pregões da semana.
Selic retorna ao patamar de 22,0% ao ano
Dessa maneira, o destaque no mercado doméstico ficou, certamente, com a reunião mensal do Copom, ocorrida entre a terça-feira e a quarta-feira da referida semana. Após muitas expectativas, a autoridade monetária anunciou o corte de 2,5 pontos percentuais da taxa básica de juro da economia, de forma que a Selic passou de 24,5% ao ano para 22,0% ao ano, mesmo patamar que aquele registrado em novembro do ano anterior.
É interessante notar que grande parte do mercado acreditava em um corte entre 1,5 e 2,0 pontos percentuais da taxa, de forma que a decisão do Copom surpreendeu os investidores. A expressiva redução dos juros decorreu basicamente dos sinais de controle inflacionário, além das perspectivas por parte do mercado de que a inflação deverá registrar maior recuo ao longo dos próximos meses.
Neste sentido, as projeções do mercado, contidas no relatório Focus, do Banco Central, apontam para uma variação positiva de 9,74% do IPCA (índice de Preços ao Consumidor – Amplo) em 2003, bem abaixo do patamar esperado há algumas semanas para o mesmo período. Para os próximos doze meses, espera-se que a inflação medida pelo IPCA atinja 6,64%, também abaixo das projeções iniciais.
Índices de preços mostram inflação sob controle
Além das melhores projeções do mercado em relação ao comportamento dos preços na economia brasileira, o mercado manteve-se otimista com os índices de preços divulgados ao longo desta semana, todos eles revelando que a inflação continua sob controle. Neste sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou uma variação positiva de 0,24% na segunda quadrissemana de agosto, levemente acima das expectativas do mercado, que apontava para uma inflação entre 0,15% e 0,20% no período.
Da mesma maneira, a segunda prévia de agosto do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apurou uma inflação de 0,18% no período, revertendo a variação negativa de 0,35% apresentada na segunda prévia do mês anterior. A Fundação Getúlio Vargas também divulgou seu IGP-10 referente a agosto, quando o índice registrou uma inflação de 0,21%, acima dos 0,15% esperados pelo mercado. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por sua vez, divulgou o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) referente a agosto, apurando uma inflação de 0,27% no período.
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Planalto também teve semana movimentada
Contudo, não foram somente as notícias de cunho econômico que ditaram o ritmo do mercado brasileiro nesta semana, uma vez que as negociações pertinentes à Reforma Tributária levaram uma certa dose de agito ao Planalto. Neste sentido, as atenções em Brasília voltaram-se, inicialmente, para a apresentação do parecer definitivo do relator do projeto de Reforma Tributária, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), ao Congresso na segunda-feira.
O relatório não trouxe grandes novidades, defendendo, dentre outros pontos, a transformação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) em tributo permanente, com uma alíquota mínima de 0,08% e uma máxima de 0,38%. Além disso, a continuidade da CPMF não dependeria de uma aprovação até o limite de noventena estabelecido anteriormente, dando maior tempo de negociação para o governo.
O projeto seria votado pela Comissão Especial, inicialmente, na quinta-feira, mas uma manobra da oposição levou ao seu adiamento para a sexta-feira. Neste sentido, para garantir a votação na sexta-feira, o governo novamente teve que ceder às pressões da oposição, chegando-se a um acordo no qual os destaques seriam votados apenas na próxima terça-feira, mantendo-se a votação do texto básico para sexta-feira. Além disso, as lideranças governistas tiveram que retroceder em sua decisão de desvincular a CPMF da saúde, previdência e Fundo de Combate à Pobreza para obter maior apoio da base aliada.
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Indicadores animaram mercado norte-americano
Com relação ao mercado norte-americano, pode-se dizer que a semana também foi marcada pelo maior otimismo, refletindo o bom humor dos investidores após a boa safra de indicadores conjunturais divulgados. Tais indicadores mostraram, em sua maioria, uma tendência de recuperação da economia norte-americana nas últimas semanas, algo que foi refletido, inclusive, no menor número de pedidos de auxílio-desemprego na semana terminada em 16 de agosto.
As notícias corporativas também animaram os investidores norte-americanos, especialmente em relação ao setor de tecnologia, após a fabricante de semicondutores Intel anunciar boas projeções para suas vendas e para o segmento como um todo no segundo semestre deste ano. As varejistas também tiveram um bom desempenho, em função dos bons resultados anunciados pela Home Depot.
No mercado de petróleo, por sua vez, a forte queda dos estoques norte-americanos na semana terminada em 15 de agosto ditou uma expressiva elevação dos preços futuros da commodity no período, de forma que o barril do petróleo Brent, negociado em Londres, encerrou a semana cotado a US$ 29,69, acumulando uma forte alta de 3,05% no período. Vale destacar que os estoques de gasolina também registraram considerável queda na semana, sinalizando uma maior demanda.
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Dólar e juros futuros caíram
Refletindo uma semana de poucos negócios no mercado de câmbio, o dólar acumulou leve queda de 0,17% na semana, fechando cotado a R$ 2,9860. As atenções do mercado seguiram divididas entre a tramitação da Reforma Tributária na Comissão Especial e a rolagem de 61,1% do principal de US$ 930 milhões da dívida cambial de 1º de setembro, pelo Banco Central.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, após a expressiva queda promovida pelo Copom na taxa básica de juro da economia. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,80% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 21,07% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 21,48%, frente a uma taxa de 22,98% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, apresentou um bom desempenho na semana, acumulando forte alta de 5,28%, com os investidores otimistas após a forte redução da taxa Selic pelo Copom. Com as perspectivas de queda do dólar, as ações de empresas siderúrgicas tiveram destaque ao longo da semana. Vale destacar que a bolsa paulista registrou onze altas consecutivas, fato que não ocorria desde a época das privatizações.
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Notas do BC serão destaque na última semana de agosto
Após uma semana bastante agitada no mercado doméstico, a última semana de agosto será marcada pela divulgação de importantes indicadores, tanto no cenário brasileiro quanto no norte-americano. Com relação ao mercado doméstico, o Banco Central divulgará a Nota das Operações de Crédito e a Nota da Política Fiscal, ambas referentes ao mês de julho. Também será divulgada a Ata do Copom, expondo os motivos pelos quais a autoridade monetária reduziu em 2,5 pontos percentuais a Selic em sua mais recente reunião.
Os índices de preços também serão foco na semana, com destaque para o IPC da Fipe referente à terceira quadrissemana de agosto e para o IGP-M referente ao mês fechado de agosto, a ser divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. O cenário político também será acompanhado de forma bem próxima pelo mercado, com destaque para a votação em segundo turno da Reforma da Previdência no plenário da Câmara.
Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados importantes indicadores conjunturais, como o Existing Home Sale, o Durable Good Orders, o Consumer Confidence, o New Home Sales, o Personal Income, o Personal Spending, o Chicago PMI e o Michigan Sentiment.