Publicidade
SÃO PAULO – Com as atenções voltadas para a emissão de títulos soberanos no mercado internacional e para indicadores inflacionários, o mercado brasileiro como um todo apresentou um desempenho limitado na segunda semana completa de janeiro, de forma que o dólar acumulou queda, os juros futuros subiram no período e a bolsa fechou em queda.
Inflação acelera no início de janeiro
Nesse sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apresentou uma variação positiva de 0,59% na primeira quadrissemana de janeiro, enquanto a primeira prévia de janeiro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou inflação de 0,33% no periodo. Vale ressaltar que a Fipe projeta uma inflação mínima de 0,40% em janeiro, em função dos efeitos do início das aulas sobre os gastos de educação.
Já o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) apurou uma inflação de 0,52% em dezembro, indicando uma aceleração na comparação com o mês anterior.
No ano, a inflação acumulada pelo índice atingiu 9,30%, abaixo da variação de 12,53% registrada em 2002. No entanto, vale destacar que esse resultado ficou acima do projetado por analistas, que esperavam variação positiva de 0,45% nos preços em dezembro e de 9,22% no acumulado de 2003.
Brasil emite US$ 1,5 bilhão no mercado de capitais
O principal destaque nesta semana, entretanto, ficou para a primeira emissão do ano de bônus globais pelo governo brasileiro. Aproveitando as boas condições do mercado internacional e a valorização registrada pelos papéis brasileiros no exterior, o país lançou US$ 1,5 bilhão em papéis, com um rendimento de 8,75% ao ano e prazo de 30 anos, um dos maiores prazos de pagamentos já conseguidos pelo Brasil em operações como essa.
O spread da operação, liderada pelos conglomerados financeiros Citigroup e Deutsche Bank, ficou em 376 pontos base, menos do que a metade do que foi pago em operação realizada em abril de 2003, a primeira do novo governo, quando papéis de quatro anos foram emitidos com um spread de 783 pontos base.
Continua depois da publicidade
Mercado norte-americano teve bom desempenho
Em uma semana de início de divulgação de resultados corporativos referentes ao quarto trimestre de 2003, o mercado norte-americano apresentou bom desempenho. Além disso, a atenção dos investidores voltou-se para indicadores conjunturais que, no geral, demonstram um bom andamento da economia nas diversas facetas que cada um aborda. Dentre os bons resultados corporativos, destacam-se os da IBM, da General Electric e da Sun Microsystems.
No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou forte queda de 2,87% na semana, de forma que o barril do tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou o período cotado a US$ 30,47. Tal movimento decorreu do ajuste natural do mercado, após fortes altas ocorridas na semana anterior e também da redução aquém do esperado dos estoques de gás-natural.
Dólar caiu e juros futuros subiram
Continua depois da publicidade
Após emissão de bônus globais e com as novas captações realizadas por empresas brasileiras no exterior, o dólar acumulou leve queda de 0,07% na semana, fechando cotado a R$ 2,8290. O Banco Central tentou conter a queda do dólar realizando compras da moeda norte-americana, o que não garantiu a desvalorização do real.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, refletindo um movimento de ajuste e de aceleração inflacionária. Assim, o contrato futuro com vencimento em julho de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,22%, frente a uma taxa de 15,15% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,80%, leve queda em relação à semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, devido a um movimento de realização de lucros, após fortes ganhos dos setores de siderurgia e elétrico terem impulsionado a bolsa em semanas anteriores.
Nesse sentido, o principal índice da bolsa paulista acumulou queda de 3,19%, após ter fechado acima dos 24 mil pontos na segunda-feira.
Reunião do Copom é destaque na 3ª semana de janeiro
A próxima semana de janeiro, por sua vez, tem como principal destaque, no Brasil, a reunião do Copom. Além disso, serão divulgadas pesquisas do IBGE sobre mão-de-obra e rendimento do trabalho referente a dezembro e sobre setor industrial referente a novembro. Vale destaque ainda a divulgação do IPC da Fipe referente a segunda quadrissemana do mês e a segunda prévia do IGP-M, pela Fundação Getúlio Vargas.
Nos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas para indicadores como Initial Claims, Leading Indicators, Housing Starts e Building Permits. Vale lembrar que segunda-feira é feriado nacional nos Estados Unidos.