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SÃO PAULO – Com as atenções voltadas para a trajetória do preço do petróleo no mercado internacional e também para os indicadores referentes à economia brasileira, o mercado interno como um todo apresentou um desempenho limitado na primeira semana de setembro. Neste sentido, o Ibovespa acumulou leves perdas no período, enquanto o dólar e os juros futuros apresentaram queda.
Nova disparada do petróleo trouxe cautela sobre inflação
De uma maneira geral, o grande mote desta semana no mercado foi o comportamento do preço do petróleo, que voltou a subir após os estoques norte-americanos da commodity recuarem acima do esperado. Os estoques de óleo cru caíram 4,2 milhões de barris, para 287,1 milhões no final da semana passada, o patamar mais baixo desde meados de março.
A queda foi muito acima do esperado pelo mercado, que previa uma redução de estoques na faixa de 400 mil barris. A principal preocupação do mercado fica com as expectativas de inflação, já que a alta do petróleo deve aumentar ainda mais as pressões sobre os preços, principalmente após a divulgação de dados indicando um forte crescimento da economia brasileira.
O temor dos investidores é que um possível avanço da inflação leve o Banco Central a elevar a taxa Selic, preocupação ressaltada na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), onde a autoridade monetária deixou clara sua preocupação com os efeitos do aquecimento da economia e dos preços do petróleo sobre a inflação.
E por falar em inflação, os investidores também analisaram os índices de preços divulgados no período. Neste sentido, foi divulgado o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que apurou uma alta de 1,22% em agosto, abaixo da variação positiva de 1,31% registrada em julho, mas acima das expectativas. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou alta dos preços de 0,99% no mês, frente às projeções de inflação de 0,95%.
Economia brasileira segue em expansão
Outro destaque desta semana ficou com a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No primeiro semestre deste ano, o PIB registrou uma expansão de 4,2%, tomando-se como base de comparação igual período do ano anterior. Vale lembrar que este foi o maior crescimento do PIB brasileiro desde o primeiro semestre de 2003, quando avançou 4,7%.
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Na análise entre os setores de atividade da economia, a Agropecuária foi o setor que apresentou a maior alta, de 5,7% no período. O setor da indústria subiu 4,7% no primeiro semestre de 2004. Dentre os subsetores da Indústria, o destaque ficou para a Indústria de Transformação, que subiu 7,3%. Já o setor de Serviços apresentou uma expansão de 2,8%, com destaque para a variação positiva do setor do Comércio (7,6%) e de Transporte (6,9%).
Entre os componentes da demanda, na comparação entre o primeiro semestre de 2003 e o primeiro semestre de 2004, o consumo das famílias subiu 3,1%. Enquanto isso, o consumo do governo cresceu 1,4% e a formação bruta de capital fixo subiu 6,8%, a mais alta taxa desde 2001. Já o setor externo brasileiro apresentou um desempenho favorável, na medida em que as exportações cresceram 17,8% e as importações subiram 13% no primeiro trimestre desse ano.
Fracos indicadores dos EUA reforçam gradualismo do Fed
Com relação ao mercado internacional, a semana foi marcada pela divulgação de fracos indicadores referentes à economia dos Estados Unidos. De uma maneira geral, todos estes indicadores revelaram que a economia norte-americana continua em expansão, mas em um ritmo menor que o esperado. A verificação se deu tanto no âmbito da atividade industrial quanto no mercado de trabalho.
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O destaque ficou para a divulgação do Relatório do Emprego, que revelou que a criação de postos de trabalho em agosto ficou abaixo do esperado pelo mercado. Com estes sinais de que a maior economia do mundo cresce a passos mais lentos, ampliam-se as apostas de que o Federal Reserve dê continuidade ao gradualismo na condução da política monetária do país.
O mercado de petróleo também foi bastante analisado pelo mercado norte-americano. Em Londres, o barril do tipo Brent encerrou cotado a US$ 41,23, o que representa uma alta de 1,45% no período. Além da questão relacionada aos estoques da commodity, o preço do barril também subiu em função dos temores de que uma decisão do tribunal russo pudesse suspender a produção da petrolífera Yukos.
Dólar e juros futuros caíram
Refletindo o crescimento do PIB brasileiro no primeiro semestre, a moeda norte-americana deu continuidade à trajetória declinante apresentada há duas semanas, acumulando queda de 0,95%, cotada a R$ 2,9270. É interessante destacar que nem mesmo a alta do petróleo na semana foi capaz de conter a baixa do dólar neste período.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,70% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,74% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,02%, configurando alta frente à taxa registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, acumulou quedas durante a semana, com os investidores cautelosos após a nova disparada do preço do petróleo. Os papéis do setor telecom também caíram forte, pressionando as perdas do Ibovespa. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou queda de 0,89% na semana, atingindo 22.395 pontos.
Em semana mais curta, inflação será destaque
A segunda semana de setembro, por sua vez, deverá ser mais curta tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Brasil, o feriado da Independência encurtará a semana, sendo que os destaques ficarão por conta do IGP-DI de agosto, a primeira prévia de setembro do IGP-M, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) em agosto.
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Nos Estados Unidos, a semana começará efetivamente na terça-feira, já que na segunda-feira haverá a comemoração do Labor Day. Também serão divulgados vários indicadores conjunturais: Fed´s Beige Book, Consumer Credit, Wholesale inventories, Initial Claims, PPI, Core PPI e Trade Balance.