Publicidade
SÃO PAULO – A terceira semana de março foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com a aceleração dos índices inflacionários e a sétima elevação consecutiva da taxa básica de juro, a Selic. No cenário externo, o petróleo voltou a trazer nervosismo os investidores e o presidente do Federal Reserve revelou estar preocupado com o crescimento da economia norte-americana.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em queda, enquanto o dólar comercial fechou praticamente estável. Respondendo ao cenário de juros mais altos e a deterioração das condições externas, os juros futuros e o risco-país acumularam forte alta durante a semana.
Cenário interno: Copom volta a elevar os juros
Já na segunda-feira, a divulgação das projeções do mercado para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), minimizou as expectativas de uma redução no ritmo de elevação da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária). De acordo com o relatório Focus do BC, o mercado espera que o índice encerre o ano com inflação acumulada de 5,77%. Na pesquisa anterior a variação esperada era de 5,72%.
Vale destacar que no final da semana, o IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) da Fundação Getúlio Vargas e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas também mostraram aceleração.
Assim, como o mercado já esperava, a taxa Selic foi elevada pela sétima vez consecutiva na quarta-feira, para 19,25%. A decisão de subir o juro em 0,50 ponto percentual foi bastante atacada por alguns segmentos do setor produtivo, que alegam a diminuição dos incentivos aos investimentos. A recente trajetória de alta dos juros também afeta a dívida pública brasileira, que registrou crescimento de 2,3% em fevereiro, segundo a Nota de Mercado Aberto do Banco Central. Somente nos dois primeiros meses deste ano, a dívida já avançou R$ 35,13 bilhões, alcançando R$ 848,4 bilhões.
Mas a semana não trouxe somente dados negativos, a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que o setor cresceu 6,24% em janeiro. Este foi o 14º mês consecutivo de crescimento do setor varejista, que passou por maus momentos em 2003.
Cenário externo: Petróleo preocupa
No cenário externo, o petróleo voltou a preocupar, alcançando cotação recorde na sexta-feira. A elevação dos preços da commodity aumenta os custos relacionados com transporte e energia, além de pressionar os gastos dos consumidores. A resposta das bolsas pelo mundo foi bastante negativa. Por outro lado, o aumento das vendas no varejo norte-americano trouxe boas perspectivas para a economia do país.
Continua depois da publicidade
E às vésperas da reunião do Fomc (comitê norte-americano de política monetária), que acontece na semana que vem, o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, revelou estar preocupado com os rumos da economia do país, temendo que os déficits recorrentes possam causar estagnação na economia norte-americana. Há algumas meses Greenspan vem criticando a falta de obediência fiscal da administração Bush.
Dólar e Ibovespa caíram na semana
O dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,07%, cotado a R$ 2,7180 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão em baixa de 0,11%. Na quarta-feira, a moeda interrompeu a seqüência de sete sessões de valorização consecutivas, após o cancelamento do leilão de swap do Banco Central. Durante o resto da semana, o mercado se preocupou com a diminuição do ritmo de intervenções da entidade.
No mercado de juros futuros, a tendência também foi de alta. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,34% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,70% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,25%, alta de 0,26 ponto percentual em relação à taxa de 18,99% da semana anterior.
Continua depois da publicidade
Em mais uma semana de realização de lucros, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 1,72%, sendo cotado a 27.593 pontos. Vale destacar que decisão do Copom de elevar a Selic não causou tantos transtornos, como nas últimas reuniões, o que mostra um amadurecimento do mercado acionário brasileiro.
Próxima semana: Ata do Copom e reunião do Fed
Na próxima semana, a divulgação da Ata do Copom na quinta-feira deve ser o foco do mercado brasileiro. As expectativas são de que o documento sinalize o fim do ciclo de aperto monetário, mas surpresas não são descartadas. A divulgação da Nota de Política Monetária e da Nota do Setor Externo do Banco Central também deve ser acompanhada.
No cenário externo, a reunião do Fomc deve centralizar as atenções. A entidade decidirá a nova taxa básica de juro da economia norte-americana. O mercado espera que a taxa seja elevada em 25 pontos base, mantendo a política gradual de aumento dos juros, porém reajustes mais significativos não são descartados.