Comentário da semana: mercados têm bom desempenho

Mercado brasileiro como um todo apresentou bom desempenho: dólar teve leve alta, mas juros futuros caíram na semana

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SÃO PAULO – Com uma intensificação das apostas em torno da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa Selic, na próxima semana, o mercado brasileiro como um todo obteve um bom desempenho na segunda semana de agosto. Neste sentido, Brasília não ocupou tanto a atenção dos investidores conforme ocorrido na semana anterior, o que deixou o cenário doméstico relativamente calmo, levando os juros futuros a acumularem queda na semana e o dólar a encerrar em leve alta.

Mercado acredita em novo corte da Selic

No âmbito das notícias econômicas, o destaque ficou com a formação das expectativas do mercado sobre a decisão do Copom em sua reunião mensal de agosto, a ser realizada na próxima semana. Apesar de uma desaceleração no ritmo de queda dos preços nas últimas semanas, o mercado acredita que a inflação continua sob controle, de forma que a autoridade monetária deverá promover um corte entre 1,0 e 1,5 ponto percentual na Selic na próxima semana.

Além disso, o fraco desempenho da atividade econômica brasileira, tanto no setor industrial quanto no comércio varejista, ao longo do primeiro semestre deste ano também deve exercer grande influência sobre a decisão do Copom, visto que as últimas declarações do governo sinalizam uma maior preocupação com o crescimento econômico no segundo semestre. Ainda no aspecto econômico, os investidores analisaram importantes índices de preços divulgados ao longo desta semana.

Neste sentido, a Fundação Getúlio Vargas divulgou a primeira prévia de agosto do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), apurando uma estabilidade dos preços no período. A FGV também divulgou o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) referente a julho, período no qual foi registrada uma deflação de 0,20%, menor que a variação negativa de 0,70% registrada em junho, mas maior que as expectativas contidas no relatório Focus, que apontavam para uma deflação de 0,06%.

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe também registrou uma desaceleração no ritmo de queda dos preços, apurando uma deflação de 0,01% na primeira quadrissemana de agosto, após ter sido registrada uma variação negativa de 0,08% no mês fechado de julho. Em todos os casos, a recente alta do dólar frente ao real e os reajustes tarifários nas contas de luz e telefone foram os principais fatores que inibiram uma maior queda dos preços segundo estes indicadores.

Planalto aumenta arranjos em torno da Reforma Tributária

No plano político, por sua vez, a semana experimentou uma boa dose de calmaria, passada a turbulência da primeira semana de agosto, quando as negociações para votação da Reforma da Previdência pelo plenário da Câmara transformaram Brasília no principal foco dos investidores. Após os principais pontos da Reforma da Previdência terem sido aprovados na semana anterior, a votação em primeiro turno foi concluída na última quarta-feira, após a transformação dos destaques restantes em emendas aglutinativas, agilizando, assim, o processo.

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Contudo, o principal ponto na agenda do Planalto nesta semana foi a Reforma Tributária, que se encontrava em segundo plano em função das polêmicas em torno da Previdência. Neste sentido, intensificaram-se as articulações dos governistas com os partidos de oposição, com o nítido propósito do governo em buscar um maior diálogo, sobretudo com o PFL, e garantir a aprovação do texto da Reforma Tributária com relativa tranqüilidade no plenário da Câmara.

A votação deverá ser iniciada tão logo o projeto seja apreciado na Comissão Especial da Casa, o que deverá ocorrer após a apresentação do parecer definitivo do relator da Reforma Tributária, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), na próxima segunda-feira. Assim como ocorrido com o texto da Previdência, os acordos em torno dos pontos mais polêmicos ainda não foram costurados. Dessa maneira, as lideranças governistas continuam correndo contra o tempo para negociar estes pontos tanto com os aliados como com a oposição e agilizar a votação em primeiro turno da Reforma Tributária.

Mercado norte-americano teve bom desempenho

Com relação ao mercado norte-americano, a semana também foi marcada por um maior otimismo, após a divulgação de bons indicadores ao longo do período. Além disso, a reunião do Federal Reserve (Fed), para discussão acerca do cenário econômico do país, também ditou o ritmo dos mercados, especialmente após a autoridade monetária anunciar a manutenção da taxa básica de juro do país no patamar de 1,0% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.

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Vale destacar, contudo, que os últimos dois dias da semana foram marcados pelo fraco volume de negócios nas bolsas norte-americanas, após um blecaute ter deixado às escuras várias cidades importantes do nordeste dos Estados Unidos e sudeste do Canadá. A falta de energia perdurou até a manhã de sexta-feira, de forma que o restabelecimento ocorreu de forma gradual.

Com relação ao mercado de petróleo, a commodity encerrou a semana em forte queda de 3,22%, com o barril do tipo Brent, negociado em Londres, cotado a US$ 28,81. A queda do petróleo refletiu, basicamente, uma forte alta dos estoques norte-americanos da commodity na semana terminada em 8 de agosto, além de projeções favoráveis com relação a possíveis aumentos na oferta mundial por conta dos produtores não-OPEP, como a Rússia, por exemplo.

Dólar registrou leve alta; juros futuros caíram

Com a maior apatia no mercado de câmbio, o dólar apresentou uma semana de forte volatilidade, com os investidores dividindo seu foco entre o cenário político e perspectivas de novas captações com o final das férias no Hemisfério Norte. Dessa maneira, o dólar comercial encerrou a sexta-feira cotado a R$ 2,9910, acumulando, assim, uma leve alta de 0,13% na semana.

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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com as maiores apostas em torno de um corte na Selic. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 21,07% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 21,39% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 22,98%, frente a uma taxa de 23,55% registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, apresentou um bom desempenho na semana, com os investidores analisando o grande número de resultados corporativos divulgados. Dessa maneira, os resultados divulgados por importantes empresas, como a Vale do Rio Doce, a CSN, a Embraer e a Petrobras, além do Banco do Brasil, contribuíram para ditar o humor dos investidores ao longo do período, de forma que a bolsa paulista acumulou alta de 2,89% na semana.

Copom e Reformas serão foco na 3ª semana de agosto

Após uma semana de relativa calma no cenário doméstico, a terceira semana de agosto promete ser bastante agitada, tanto no âmbito político quanto no econômico. No aspecto político, as atenções estarão voltadas para um possível início da votação da Reforma da Previdência em segundo turno no plenário da Câmara dos Deputados, na quinta-feira. Além disso, o andamento da Reforma Tributária será acompanhado de maneira bem próxima pelo mercado, sobretudo após a apresentação do parecer do relator Virgílio Guimarães, marcada para segunda-feira.

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Com relação às notícias econômicas, o destaque naturalmente ficará com a reunião mensal do Copom, que se realizará entre terça-feira e quarta-feira. Também terão destaque importantes índices de preços a serem divulgados, como a segunda prévia de agosto do IGP-M, o IPC da Fipe referente à segunda quadrissemana do mesmo mês e o IPCA-15 do IBGE, também referente a agosto. O IBGE também divulgará a Pesquisa Mensal do Emprego referente a julho, enquanto o Banco Central divulgará a Nota do Mercado Aberto e a Nota do Setor Externo, ambas referentes a julho.

Nos Estados Unidos, também serão divulgados importantes indicadores, com destaque para o Housing Starts, o Building Permits, o Treasury Budget, o Leading Indicator, o Philadelphia Fed Index e o Michigan Sentiment. Este último seria divulgado no dia 15 de agosto, mas em função do blecaute nos Estados Unidos, o indicador foi adiado para o dia 19 de agosto.