Comentário da semana – mercado teve semana apática

Mercado brasileiro como um todo teve desempenho limitado na semana: dólar subiu e juros futuros caíram

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SÃO PAULO – Em uma semana bastante calma tanto no cenário político quanto no econômico, o mercado brasileiro como um todo apresentou um desempenho limitado na terceira semana de outubro, de forma que o dólar acumulou alta no período, enquanto os juros futuros apresentaram queda. O foco, de uma maneira geral, ficou com a aprovação da Lei de Falências pela Câmara e com a intensificação das apostas de novo corte na taxa básica de juro da economia.

Aprovação da Lei de Falências domina o cenário político

Em Brasília, as atenções estiveram voltadas, durante toda a semana, à continuidade da tramitação das reformas estruturais no Senado, em especial para a Reforma Tributária. Neste sentido, a queda de braços entre Planalto e governadores continuou intensa durante a terceira semana de outubro, especialmente com relação a pontos-chave do projeto de Reforma Tributária, como o tratamento dado à questão da cobrança do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) no destino ao invés da origem.

Contudo, o maior destaque na semana ficou com a aprovação do projeto de Lei de Falências pela Câmara dos Deputados, após dez anos de tramitação na Casa. A matéria foi aprovada por 245 votos favoráveis e 24 contrários, sendo que o projeto segue, agora, para apreciação do Senado. De uma maneira geral, a nova Lei de Falência acaba com a figura da empresa concordatária, criando mecanismos para que o empresário insolvente possa renegociar seus débitos junto aos credores.

O projeto de lei também concede tratamento diferenciado para as micro e pequenas empresas em relação àquele dispensado às grandes companhias. Neste sentido, enquanto as grandes empresas têm até um ano para pagar seus trabalhadores, sem prazo para os demais débitos, as micro e pequenas empresas têm apenas seis meses para quitação dos créditos trabalhistas e prazo de três anos para os demais débitos.

Intensificam-se apostas de novo corte na Selic

No aspecto econômico, o foco voltou-se para a proximidade da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorrerá entre os dias 21 e 22 deste mês, de modo que se intensificaram as apostas em relação a um novo corte da taxa básica de juro da economia brasileira. Neste sentido, grande parte do mercado já espera um corte de um ponto percentual da Selic, de modo que os juros caiam de 20,0% ao ano para 19,0% ao ano.

Tais projeções fundamentam-se, basicamente, na continuidade do controle inflacionário, de acordo com os principais índices de preços divulgados no início do mês de outubro. Dessa maneira, cabe destacar que tanto o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe quanto o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), da Fundação Getúlio Vargas, sinalizaram desaceleração do processo inflacionário na primeira medição do mês.

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Além disso, os recentes indicadores sobre a atividade econômica mostram a continuidade do desaquecimento, de forma que a produção industrial caiu 1,8% em agosto, frente ao mesmo mês do ano anterior, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com relação ao nível de emprego, a indústria registrou queda de 0,9% nesta mesma comparação, ainda de acordo com os números do Instituto. Dessa maneira, um novo corte nos juros poderia estimular um maior aquecimento econômico.

Mercado norte-americano teve bom desempenho

No mercado norte-americano, por sua vez, o foco dos investidores ficou dividido entre os vários indicadores conjunturais divulgados e os resultados corporativos. Neste sentido, os sinais de expansão da produção industrial na região de Nova York, de acordo com o New York Empire State, animaram bastante os investidores. Destaque também para o número de pedidos de auxílio-desemprego, que registrou queda na semana terminada em 11 de outubro.

Além disso, o mercado acionário norte-americano analisou o relatório divulgado pelo Federal Reserve – o Beige Book – sobre o desempenho da economia norte-americana entre os meses de agosto e setembro. De acordo com o documento, a atividade econômica dos Estados Unidos vem apresentando melhora, apesar da situação do mercado de trabalho ainda seguir preocupante.

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No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity acumulou forte queda de 6,05% nesta semana, de forma que o barril do tipo Brent fechou o período cotado a US$ 29,03. Tal movimento decorreu de uma forte elevação dos estoques norte-americanos de petróleo, apesar dos sinais dados pelo Irã sobre um possível novo corte da produção por parte da OPEP (Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo) ter preocupado o mercado.

Dólar subiu, mas juros futuros caíram

Refletindo um movimento de ajuste, o dólar acumulou alta de 1,38% na semana, fechando cotado a R$ 2,8690. A alta da moeda norte-americana refletiu, basicamente, o maior movimento de compra pelos investidores, que aproveitaram-se das recentes quedas do dólar, além das perspectivas de que o Banco Central continue com sua política de reduzir a exposição cambial do setor público brasileiro no médio e longo prazo.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de leve queda, refletindo a perspectiva de queda na Selic. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,76% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,78% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,78%, frente a uma taxa de 19,10% registrada na semana anterior.

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O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um modesto desempenho, com os investidores optando pela realização de lucros nos últimos pregões da semana. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista, após ter fechado acima dos 18 mil pontos pela primeira vez desde março de 2000, acumulou leve alta de 0,65% na semana.

Copom será foco na quarta semana de outubro

Ao contrário do ocorrido na terceira semana de outubro, a quarta semana do mês deverá ser bastante agitada no mercado brasileiro. Dessa maneira, o principal foco dos investidores será a reunião do Copom, que ocorrerá entre os dias 21 e 22 deste mês, de forma que o mercado aguarda um corte de um ponto percentual na taxa Selic.

Além disso, o mercado brasileiro deverá continuar atento à divulgação de importantes índices de preços, especialmente a segunda prévia de outubro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) de outubro, ambos pela Fundação Getúlio Vargas, enquanto o IBGE divulgará o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15). O Banco Central também divulgará a Nota do Mercado Aberto e a Nota da Política Monetária, ambas referentes a setembro.

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No mercado norte-americano, por sua vez, a semana deverá ser mais calma, sendo que terão destaque apenas os seguintes indicadores: o Leading Indicators e o Treasury Budget.