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SÃO PAULO – Revertendo a performance limitada das duas semanas anteriores, o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho na primeira semana de junho, refletindo o maior otimismo dos investidores, diante de boas notícias no âmbito econômico e político.
Dessa maneira, dólar e juros futuros encerraram a semana em consideráveis quedas, enquanto o Ibovespa, da bolsa paulista, acumulou alta no período.
Inflação continua dando sinais de recuo
Um dos fatores que impulsionaram o maior ânimo dos investidores ao longo desta semana foi a divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, que apurou uma inflação de 0,31% no mês de maio, em linha, portanto, com as expectativas do mercado, que apontavam para uma inflação de 0,30% no período. Em abril, a inflação medida pelo IPC da Fipe havia ficado em 0,57%.
Vale destacar, neste sentido, que a inflação apurada no último mês de maio é a menor desde igual mês de 2002. De acordo com as projeções da Fipe, a inflação em junho deverá atingir 0,10%, confirmando, dessa maneira, sua trajetória de desaceleração.
Declarações de Meirelles garantiram otimismo
Além do comportamento favorável dos preços, contribuíram para o maior ânimo dos investidores, nesta semana, as declarações feitas pelo presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, durante um encontro com investidores estrangeiros em Londres.
Neste sentido, Meirelles afirmou que os sinais consistentes de um recuo da inflação nas últimas semanas têm mostrado a maior credibilidade do BC junto ao mercado e também a eficácia dos instrumentos de controle inflacionário adotados pela autoridade monetária.
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Dessa maneira, o mercado interpretou as declarações do presidente do BC como um sinal de que o Copom (Comitê de Política Monetária) possa reduzir a taxa básica de juro – atualmente, em 26,5% ao ano – em sua próxima reunião, que ocorrerá dentro de duas semanas. Contudo, Meirelles afirmou, logo em seguida, que suas palavras foram mal interpretadas pelos investidores, não adiantando, assim, qualquer posição que venha a ser tomada pela autoridade monetária em relação aos juros.
Perspectivas para economia brasileira são melhores
Com a melhora da conjuntura econômica brasileira nos últimos meses, a agência de classificação de risco Fitch elevou as perspectivas dos ratings brasileiros de “estável” para “positiva”, sinalizando que o mercado internacional tem se mostrado satisfeito com a condução da política econômica adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Projeto de Reforma da Previdência é aprovado na CCJ
Além das notícias econômicas terem sido favoráveis na semana, grande parte do otimismo dos investidores também é explicada por fatores de âmbito político, sobretudo no que diz respeito à aprovação do texto da Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
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Neste sentido, o projeto apresentado pelo governo foi aprovado com boa margem pelos parlamentares, de forma que a votação ficou em 44 votos favoráveis e apenas 13 contrários na CCJ. O próximo passo da tramitação do projeto no Legislativo será a submissão da emenda às Comissões Especiais, na próxima semana, para avaliação do mérito da proposta.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
Os índices conjunturais favoráveis divulgados ao longo da semana também contribuíram para o bom desempenho do mercado norte-americano no período, de forma que as principais bolsas dos Estados Unidos acumularam ganhos na semana.
Os investidores passaram a apostar que o Fed poderá promover um corte na taxa básica de juro da economia norte-americana, por ocasião de sua próxima reunião, no final deste mês. Atualmente, a taxa básica de juro dos Estados Unidos encontra-se no patamar de 1,25% ao ano, o menor nível desde 1961.
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Apesar da inesperada elevação dos estoques norte-americanos na semana terminada em 30 de maio, o petróleo acumulou forte alta de 5,62% nesta semana, utilizando-se como referencial o tipo Brent negociado no mercado de Londres, fechando a semana cotado a US$ 27,80. A alta da commodity decorreu, basicamente, da apreensão do mercado em relação à proximidade da reunião da OPEP, que ocorrerá no próximo dia 11, no Qatar.
Dólar e juros futuros registraram forte queda
Após a expressiva alta registrada na semana anterior, o dólar acumulou forte baixa de 2,56% frente ao real nesta semana. Dessa maneira, a moeda norte-americana fechou o pregão da última sexta-feira cotada a R$ 2,8900, refletindo o maior otimismo do mercado em relação à economia brasileira ao longo da semana.
As declarações de Meirelles e os sinais de desaceleração inflacionária também trouxeram ânimo ao mercado de DI futuro, de modo que os juros futuros encerraram a semana em baixa. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 23,75% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 24,19% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,00%, frente a uma taxa de 26,05% registrada na semana anterior.
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A euforia dos investidores estendeu-se, também, ao mercado acionário, de forma que o Ibovespa acumulou forte alta de 3,74% na semana, fechando esta sexta-feira em 13.923 pontos, seu maior nível desde o dia 20 de março de 2002, quando o principal índice da bolsa paulista atingiu 14.089 pontos.
Já o C-Bond fechou a semana cotado a 91,75 centavos de dólar, acumulando alta de 2,65% na semana. O risco país atingiu, assim, 724 pontos base, uma baixa de 70 pontos base frente à semana anterior.
Índices de preços serão foco na próxima semana
Após uma semana de poucos indicadores no mercado brasileiro, a segunda semana de junho será marcada pelo alto volume de índices divulgados, com destaque para os indicadores inflacionários de diversas instituições. Dessa maneira, o mercado deverá seguir atento à divulgação do IPC da Fipe referente à primeira quadrissemana de junho, assim como à primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de junho, da Fundação Getúlio Vargas.
A Fundação Getúlio Vargas também divulgará o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) referente ao mês de maio. Ainda no âmbito dos índices de preços, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços do Consumidor), ambos referentes a maio. A Instituição também divulgará a Pesquisa Industrial Mensal e a Pesquisa Mensal do Consumo, ambas referentes ao mês de abril.
O mercado norte-americano também terá uma grande quantidade de indicadores na próxima semana, destacando-se Wholesale Inventories, o Fed’s Beige Book, o Business Inventories, o Retail Sales, o PPI e o Trade Balance. Todos estes indicadores contribuirão para uma melhor análise da economia norte-americana por parte dos investidores.