Comentário da Semana: mercado prolonga realização de lucros

Mesmo com boas perspectivas para a economia, investidores optam por embolsar ganhos; semana de recordes

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SÃO PAULO – Depois de um início de ano bastante positivo, o movimento de realização de lucros se estendeu por mais uma semana no mercado brasileiro, embora mais modesto do que na semana anterior. No cenário externo, as principais bolsas internacionais acumularam ligeira alta, enquanto o preço do petróleo caiu.

Neste contexto, o Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, caiu pela segunda semana consecutiva, bem como o dólar comercial, que encerrou na menor cotação desde novembro do ano passado. Os juros futuros recuaram e o risco país fechou em seu menor patamar em toda a série histórica.

Cenário interno: realização predominou

Na primeira semana completa de fevereiro, a realização de lucros voltou a predominar sobre os mercados brasileiros. Ainda que as perspectivas para a economia sigam bastante positivas, muitos investidores preferiram garantir o que já foi ganho até o momento.

Os índices de inflação seguiram em sua tendência de aceleração, tendo, inclusive, surpreendido para cima em alguns casos, mas não preocuparam os investidores, que seguem acreditando em uma natureza sazonal. O destaque foi o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que, em sua primeira medição do ano superou levemente as expectativas.

Outro fator positivo no cenário econômico foi a trajetória declinante do risco-país, que, mais uma vez este ano, alcançou seu piso histórico, chegando a ser cotado a 224 pontos base. O programa de recompra de até US$ 20 bilhões em títulos da dívida externa com vencimento até 2010 e de Brady bonds, anunciado pelo Tesouro Nacional, melhora a percepção de risco do investidor estrangeiro em relação ao país.

Por outro lado, os dados da Produção Industrial de dezembro, publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e que mostraram forte recuperação do setor no período, foram encarados como um sinal de que uma eventual aceleração do processo de afrouxamento monetário é bastante improvável, decepcionando os investidores mais otimistas.

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Cenário externo: petróleo em queda

No cenário externo, o petróleo seguiu no centro das atenções, após a decisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) de levar o Irã ao Conselho de Segurança da ONU, em função das pesquisas nucleares do país. No entanto, mesmo com a continuidade das pressõpes geopolíticas, a divulgação do relatório de estoques nos EUA levou a cotação da commodity à queda na semana.

Os dados referentes aos déficits gêmeos norte-americanos, divulgados na sexta-feira, também estiveram em destaque no cenário internacional. O déficit comercial do país em 2005 foi o maior da história, em seu quarto recorde consecutivo.

Dólar cai quase 2%

O dólar comercial encerrou a semana em forte queda de 1,81%, sendo cotado a R$ 2,1660 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em desvalorização de 0,18%. A queda do risco-país na sexta-feira levou a moeda a seu menor patamar desde novembro do ano passado.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,72% na sexta-feira, pequena variação frente à taxa de 15,76% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,22%, estável em relação ao encerramento da semana passada.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 0,77%, sendo cotado a 36.975 pontos. O índice foi novamente acometido pelo movimento de realização de lucros iniciado na semana anterior.

Próxima semana: pesquisas dos IBGE em destaque

Na segunda semana de fevereiro, os destaques são as pesquisas do Comércio e de Emprego e Salário, ambas do IBGE e divulgadas na terça-feira e quarta-feira respectivamente.

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Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) e seu núcleo (Core PPI) devem ficar sob o foco dos investidores. Os indicadores saem na sexta-feira.