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SÃO PAULO – A última semana de novembro foi marcada pela divulgação da ata do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, sinalizando para uma continuidade do processo de ajustes graduais na taxa básica de juro, a Selic. Por outro lado, a taxa de desemprego caiu, atingindo 10,5% em outubro. No cenário externo, houve a divulgação de indicadores da atividade econômica norte-americana e o destaque ficou por conta do comportamento do petróleo, que voltou a apresentar alta.
Assim, o mercado brasileiro apresentou um desempenho bastante positivo no período, com o dólar em queda, os juros futuros acumulando alta e o Ibovespa, da bolsa paulista, atingindo um patamar recorde, encerrando a semana em forte alta.
Ata do Copom foi destaque no cenário doméstico
Um dos destaques da semana foi o comportamento dos preços no cenário doméstico. Por um lado, no início da semana, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15), subiu 0,63% em novembro, frente à alta de 0,32% apresentada no mês anterior, o que representa uma forte aceleração, basicamente em função do reajuste dos combustíveis anunciado em outubro pela Petrobras.
Por outro lado, com o mencionado ajuste já contabilizado pelo indicador anterior, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) registrou alta de 0,57% nos preços na terceira quadrissemana de novembro, frente aos 0,68% da quadrissemana anterior. No entanto, com relação ao comportamento dos preços, outro fator deve seguir impulsionando os principais índices: o novo reajuste anunciado na quinta-feira pela Petrobrás. A empresa anunciou um reajuste na refinaria de 8% nos preços do diesel e de 4,2% no caso dos preços da gasolina.
O mais importante destaque da semana foi a divulgação da ata da reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que na semana anterior havia elevado a taxa básica de juro da economia brasileira em 50 pontos base, para 17,25% ao ano. De acordo com o conteúdo da ata, para fazer com que a inflação entre em convergência com as metas, o Copom deve seguir com o ajuste gradual na Selic. Porém, caso haja deterioração no comportamento do petróleo e nas expectativas de inflação para 2004, o órgão deverá alterar a “magnitude e o ritmo de elevações”.
Banco Central divulgou notas; desemprego caiu
Além disso, o Banco Central divulgou na quarta-feira a Nota do Setor Externo, que revelou um déficit de US$ 757 milhões no balanço de pagamentos de outubro, basicamente em função da pressão dos depósitos de bancos no exterior sobre a conta de capital e financeira. Com isso, apesar do desempenho da conta de transações correntes ter seguido apresentando um forte desempenho, o balanço apresentou resultado negativo em outubro e pela primeira vez no ano o resultado global do balanço no acumulado do ano apresenta déficit, de US$ 167 milhões.
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No que se refere à Nota da Política Fiscal, esta revelou um superávit do setor público de R$ 8,2 bilhões em outubro de 2004, frente aos R$ 6,958 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Porém, em função da elevação dos gastos com a apropriação de juros nominais, a Necessidade de Financiamento do Setor Público caiu somente de R$ 2,893 bilhões para R$ 2,885 bilhões. Vale destacar que no acumulado do ano, o superávit primário acumulado já atinge US$ 78 bilhões.
Quanto ao mercado de trabalho, houve forte redução da taxa de desocupação em outubro, que caiu para 10,5% em outubro, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em setembro, a taxa de desemprego havia sido de 10,9%. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi ainda maior, já que o desemprego era de 12,9%. O patamar apresentado em outubro foi o menor patamar da nova série da Pesquisa Mensal do Emprego desde que esta foi iniciada em outubro de 2001.
No cenário externo, petróleo voltou a subir
No cenário externo, o petróleo encerrou mais uma semana em alta, voltando a ser negociado em um patamar elevado, o que pode trazer pessimismo em virtude das perspectivas de maior inflação. No mercado de Nova York, a commodity foi negociada pela última vez na quarta-feira, encerrando cotada a US$ 49,44 no mercado de Nova York, o que representa um avanço de 2,06% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 48,44.
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Nos EUA, indicadores apontaram tendências opostas no que se refere ao desempenho da economia. Por um lado, o número de novas residências vendidas superou as expectativas e apresentou crescimento, tendo sido vendidas 1,226 milhão de casas no resultado dos doze meses até outubro, frente às vendas de 1,224 milhão apresentado em setembro. Por outro lado, o volume de pedidos de bens duráveis, de acordo com o Durable Orders, apresentou queda de 0,4% em outubro, frente à alta de 0,9% apresentada pelo indicador anterior.
Dólar caiu e juros futuros subiram
O dólar comercial encerrou a semana em forte queda de 1,90%, cotado a R$ 2,7330, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,7860, atingindo novamente nesta semana a menor cotação desde junho de 2002. Além do otimismo com a economia brasileira, a desvalorização da moeda norte-americana reflete uma tendência de desvalorização apresentada no mundo todo, em função das preocupações com relação aos déficits gêmeos norte-americanos.
Vale lembrar que a moeda norte-americana caiu mesmo após o Tesouro Nacional anunciar que irá comprar cerca de R$ 3 bilhões no mercado cambial até meados de 2005, visando realizar pagamentos da dívida externa.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,88% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,95% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,41%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 17,36%.
O Ibovespa, por sua vez, subiu forte e atingiu um recorde histórico, chegando a romper a barreira dos 25.000 pontos, refletindo o otimismo com a economia brasileira, além de o mercado já ter precificado anteriormente o conteúdo da ata da última reunião do Copom. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 0,53% na semana, encerrando a 24.998 pontos.
Na próxima semana, mercado analisa PIB brasileiro
Na próxima semana, o destaque deve ficar por conta dos dados do desempenho da economia brasileira. No dia 30 de novembro, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deve divulgar as Contas Nacionais Trimestrais, contendo os dados do PIB (Produto Interno Bruto). Também deve se destacar o comportamento dos preços em novembro, com a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), logo no dia 29 de novembro e do IPC-Fipe referente ao mês fechado, no dia 3 de dezembro.
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Nos EUA, os investidores analisarão o desempenho do mercado de trabalho, com a divulgação do employment report, ou relatório do emprego, que será divulgado no dia 3 de dezembro. O mais importante indicador do relatório, o nonfarm payrolls, mede o número de postos de trabalho criados fora do setor agropecuário do país e a expectativa do mercado é de que aponte para a criação de cerca de 200 mil novos postos de trabalho em novembro, frente aos 337 mil criados em outubro. Além disso, os dados do PIB (Produto Interno Bruto) do país e de seu deflator referentes ao terceiro trimestre também serão divulgados, no dia 30 de novembro.