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SÃO PAULO – Em uma semana na qual os investidores dividiram suas atenções entre a reunião mensal do Copom – o Comitê de Política Monetária – e o cenário político, o mercado brasileiro como um todo teve um desempenho limitado no período, especialmente após o corte da Selic ter ficado abaixo das expectativas de muitos investidores. Dessa maneira, tanto o dólar quanto os juros futuros encerraram a semana em alta, enquanto o Ibovespa acumulou leve baixa.
Copom reduziu a Selic em 1,5 ponto percentual
Os três primeiros dias desta semana foram marcados por uma grande apreensão do mercado frente à decisão que seria tomada pelo Copom na quarta-feira sobre a taxa básica de juro da economia – a Selic. Dessa maneira, muitos investidores, após a análise dos últimos índices de preços divulgados, apostavam em um corte de até 2,0 pontos percentuais na Selic, de forma que a taxa caísse para 24,0% ao ano.
Para ampliar ainda mais as expectativas do mercado em relação a um corte agressivo, todos os índices divulgados na semana mostraram queda dos preços. Neste sentido, a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de julho, da Fundação Getúlio Vargas, apurou uma deflação de 0,35% no período, em linha com a variação negativa apontada pela Fipe na segunda quadrissemana do mesmo mês.
A FGV também divulgou, na terça-feira, o IGP-10 referente a julho, que registrou uma variação negativa de 0,73%, bem maior que as expectativas do mercado, que apontavam para uma deflação de 0,50%. Na quarta-feira, data do anúncio da decisão da autoridade monetária, foi a vez do IBGE divulgar o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15), também referente a julho, apontando uma deflação de 0,18% no período.
Com a análise destes indicadores, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juro em 1,5 ponto percentual, para 24,5% ao ano, frustrando, de certa forma, os investidores, que esperavam uma redução mais agressiva. A medida do Copom, contudo, ficou em linha com as expectativas dos analistas, abrindo espaço para que o mercado passe a apostar em maiores cortes da Selic nos próximos meses.
Reforma da Previdência será votada no início de agosto
No âmbito político, o destaque nesta semana continuou com o processo de tramitação das reformas estruturais nas respectivas Comissões Especiais, em especial para o projeto de Reforma da Previdência. Após muitas manifestações, servidores públicos chegaram a invadir o plenário da Câmara, interrompendo a leitura do parecer apresentado pelo relator do projeto, deputado José Pimentel (PT-CE).
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Com os reforços de uma tropa de choque militar, os parlamentares conseguiram restabelecer as discussões e a votação, de forma que o projeto foi aprovado na íntegra pela Comissão Especial, na noite da última quarta-feira. Dessa forma, todos os 128 destaques individuais apresentados por alguns parlamentares foram rejeitados, dando ao governo mais uma vitória, ainda que apertada, no processo de votação dos projetos.
Após uma reunião na quinta-feira entre o Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o líder do governo na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B), foi anunciada uma pequena alteração no cronograma de tramitação do projeto de Reforma da Previdência. Assim, a votação do texto pelo plenário da Câmara foi transferida para a primeira semana de agosto, possibilitando aos líderes governistas fortalecerem suas bases e articularem melhor o processo na última semana de julho.
BC iniciou operação de troca de Bradies por Globals
Na última sexta-feira, o Banco Central deu início a uma operação de troca de Bradies, títulos da dívida reestruturada brasileira, por Globals de maior prazo, sendo a operação concluída no dia 29 de julho e liderada pelos bancos de investimentos JP Morgan Chase e Morgan Stanley. Neste sentido, os Par Bonds e Discounts Bonds poderão ser trocados por Globals com vencimento em 2011 e 2024.
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A operação também envolve a troca de C-Bonds por uma nova série de Global 2024, que diferencia-se das demais pela cláusula de acordo coletivo (CAC). Vale destacar que este tipo de operação beneficia tanto o país, que reduz o estoque nominal de sua dívida, quanto os investidores, que passam a receber papéis mais adequados às suas expectativas de fluxo de caixa.
Mercado norte-americano registrou fraca performance
Com relação ao mercado norte-americano, os investidores tiveram um duplo foco ao longo desta semana: de um lado a continuidade da safra de resultados corporativos e, de outro, os indicadores conjunturais divulgados no período. Dessa maneira, fracos resultados, como o da fabricante de impressoras Lexmark e da farmacêutica Merck, pressionaram o ânimo do mercado, levando as principais bolsas norte-americanas à queda na semana.
Por outro lado, a performance do mercado acionário norte-americano somente não foi pior em função de outros bons resultados corporativos, como o da varejista Amazon.com e o da empresa de tecnologia Texas Instruments. Os indicadores conjunturais divulgados ao longo da semana, por sua vez, foram, em sua maioria, favoráveis.
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O mercado de petróleo, por sua vez, apresentou um bom desempenho na semana, apesar da forte queda dos estoques norte-americanos da commodity na semana terminada em 18 de julho. Os preços futuros do petróleo acompanharam, neste sentido, os contratos de gás natural, que apresentaram forte queda no período. Dessa maneira, o barril de petróleo Brent encerrou a semana cotado a US$ 28,18, acumulando queda de 2,73% no período.
Dólar e juros futuros registraram alta na semana
Refletindo o nervosismo do mercado em relação ao cenário político e também em função do corte da Selic, o dólar encerrou a semana acumulando alta frente à semana anterior. Com os entraves encontrados pelas Reformas em sua tramitação nas Comissões Especiais e após a redução de 1,5 ponto percentual da Selic, o dólar comercial encerrou a sexta-feira cotado a R$ 2,894, acumulando, assim, uma leve alta de 0,21% na semana.
No mercado de juros futuros, por sua vez, houve uma tendência de ajustes após o corte menor que o esperado da Selic. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 21,21% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 20,93% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 24,00%, frente a uma taxa de 24,40% registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, apresentou um fraco desempenho na semana, com a apreensão dos investidores em relação às notícias econômicas e políticas. Neste sentido, apesar dos bons resultados divulgados pelas fabricantes de papel e celulose Suzano e Bahia Sul, as teles, em geral, apresentaram resultados inferiores ao esperado, pressionando, assim, a bolsa paulista, que acumulou queda de 0,32% na semana.
Índices de preços serão destaque na próxima semana
Ao contrário do ocorrido nesta semana, a última semana de julho deverá ser bastante agitada no mercado brasileiro, com destaque para a divulgação de diversos índices de preços e para as Notas do Banco Central. Dessa maneira, a Fipe divulgará o IPC referente à terceira quadrissemana de julho, devendo ser divulgado, também, o IGP-M referente ao mês fechado de julho, pela Fundação Getúlio Vargas.
O mercado também analisará relatórios sobre a economia brasileira que serão divulgados pelo Banco Central, com destaque para a Nota da Política Monetária e das Operações de Crédito, a Nota da Política Fiscal e o Resultado do Tesouro Nacional. O IBGE divulgará o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciará o resultado mensal da balança comercial brasileira.
Nos Estados Unidos, por sua vez, diversos indicadores serão divulgados, com destaque para o Consumer Confidence, o Fed’s Beige Book, o Employment Cost Index, o GDP e o Chicago PMI.