Comentário da semana: mercado doméstico tem semana de ajustes

Bolsa cai e dólar sobe; no cenário externo, petróleo voltou a fechar a semana em queda, apesar de decisão da Opep

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SÃO PAULO – A segunda semana de dezembro foi marcada pela nova queda do petróleo no mercado internacional, além da forte alta dos preços ao produtor nos EUA. No cenário doméstico, o destaque ficou por conta da queda da produção industrial e com as compras de dólares pelo Banco Central.

O mercado brasileiro como um todo passou por uma semana de ajustes, apresentando um fraco desempenho, com o dólar subindo, os juros futuros acumulando queda e o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrando a semana em forte queda.

Petróleo encerrou a semana em queda novamente

No cenário externo, com o mercado na expectativa da reunião da Opep, o petróleo encerrou a semana novamente em forte queda. Em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 40,55, o que representa uma baixa de 4,68% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 42,54. Vale destacar que a decisão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de reduzir em 1 milhão de barris diários a sua cota de produção evidencia a percepção da organização de que a oferta de petróleo deve suprir a demanda nos próximos meses.

Nos EUA, apesar da desaceleração da inflação ao produtor, o dado decepcionou, já que ficou bastante acima do esperado. O PPI, Producer Price Index, que mede o comportamento dos preços no atacado, registrou alta de 0,5%, enquanto o mercado esperava inflação de 0,1% em novembro. No mês de outubro, a alta havia sido de 1,7%. O Core PPI, por sua vez, que exclui os itens mais voláteis, registrou alta de 0,2%, em linha com o esperado e inferior à alta de outubro, de 0,3%.

Perspectiva é de gradualismo do Fed

Dessa maneira, apesar de o núcleo do índice ter ficado em linha com o esperado pelo mercado, a forte alta do PPI pode trazer preocupação para com o processo de ajustes na taxa básica de juro norte-americana. Entretanto, a sustentação do petróleo em patamares bastante inferiores aos de algumas semanas atrás e o fraco desempenho do mercado de trabalho norte-americano fazem com que as expectativas para o rumo da política monetária dos EUA continuem sendo de gradualismo.

Vale lembrar que na próxima semana ocorre a reunião do Fomc, o Federal Open Market Committee, órgão do Federal Reserve, o banco central norte-americano, encarregado de exercer a política monetária no país. A reunião ocorrerá na terça-feira, dia 14 de dezembro, e o mercado projeta uma elevação de 25 pontos base na taxa básica de juro do país, o que elevaria os Fed Funds para 2,25% ao ano.

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No final da semana, os dados do Treasury Budget revelaram que o déficit fiscal norte-americano em novembro foi de US$ 57,9 bilhões, enquanto o mercado esperava um déficit de US$ 53,0 bilhões. O fato de ter ficado acima do esperado pode fazer com que a tendência de queda do dólar no mercado internacional de câmbio volte. Vale destacar que nesta semana o dólar recuperou-se de recordes históricos de baixa frente ao euro, com o mercado acreditando em possíveis intervenções dos bancos centrais da Europa e do Japão.

No cenário doméstico, Banco Central interveio

No cenário doméstico, com as exportações diminuindo e as importações aumentando cada vez mais, pressionando o desempenho da balança comercial do país, a percepção do mercado já na segunda-feira era de que possibilidade de uma intervenção do Banco Central no câmbio aumentava. Logo na segunda-feira, ainda pela manhã, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares. A situação se repetiu por mais três vezes ao longo da semana e somente na quinta-feira, apesar de ter havido leilão, não houve compra, pois o preço ofertado pelos investidores teria sido considerado elevado. Assim, a cotação do dólar frente ao real também foi elevada.

No que se refere ao comportamento dos preços, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) apresentou alta de 0,69% nos preços em novembro, levemente acima do esperado pelo mercado, que de acordo com a mediana das projeções contidas no Focus, do Banco Central, era de 0,65%. O indicador anterior havia apresentado alta de 0,44%. A primeira prévia de dezembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) também apresentou forte aceleração, já que apontou alta de 0,62%, frente à variação positiva na primeira medição de novembro.

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No âmbito político, o destaque ficou por conta da aprovação do projeto de Parcerias Público-Privadas na quinta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O processo agora segue para o plenário do Senado.

Produção industrial apresentou queda

Um outro fator de destaque no cenário doméstico foi a divulgação dos dados da produção industrial brasileira, que apresentou queda em outubro na comparação com setembro, conforme constatou a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com os dados da pesquisa, a produção apresentou queda de 0,4% na comparação com setembro. Na comparação com outubro de 2003, entretanto, houve crescimento de 2,7%.

Porém, a queda da produção industrial em relação a setembro deve alimentar o debate em torno da política monetária no Brasil. Vale destacar que na próxima semana o Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, se reúne para decidir o rumo da taxa básica de juro brasileira, a Selic. A expectativa do mercado é de que o órgão siga com o processo de ajustes graduais na taxa, elevando a Selic em 0,50 ponto percentual, para 17,75% ao ano.

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Dólar sobe e juros futuros caem

O dólar comercial encerrou a semana em forte alta de 2,44%, cotado a R$ 2,775, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,7090, basicamente em função das intervenções realizadas pelo Banco Central.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,79% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,86% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,53%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 17,51%.

O Ibovespa, por sua vez, foi pressionado por um movimento de realização de lucros, encerrando em queda. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou perdas de 2,10% na semana, encerrando a 24.933 pontos.

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Na próxima semana, Copom e Fomc

Na próxima semana, no cenário externo, o destaque deve ficar por conta da reunião que definirá o rumo da política monetária dos EUA, já que o Fomc se reunirá na terça-feira, dia 14 de dezembro. Ainda no cenário externo, o comportamento do petróleo também deve ser destaque, devido ao impacto da cotação da commodity na economia mundial.

No cenário doméstico, a política monetária também será foco, com o Copom se reunindo nas próximas terça-feira e quarta-feira para definir o rumo da Selic. A tramitação do projeto de PPP’s no Senado também deve seguir em foco. Além disso, haverá a divulgação do IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), pela Fundação Getúlio Vargas.