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SÃO PAULO – Apesar do nervosismo causado pelas incertezas quanto à condução das Reformas estruturais pelo governo e da ausência de indicadores econômicos, o mercado brasileiro como um todo teve um bom desempenho nesta terceira semana de julho, de modo que tanto o dólar quanto os juros futuros acumularam queda no período. O Ibovespa, da bolsa paulista, também registrou uma boa performance, acumulando alta na semana.
Após muito debate, governo acatou mudanças na Reforma
Neste sentido, o principal foco dos investidores ao longo desta semana foram os debates entre a base governista e os governadores de estados com relação às mudanças no texto básico, propostas pelo Judiciário na semana anterior. As discussões em Brasília concentraram-se entre segunda e quarta-feira, uma vez que na quinta-feira, o relator do projeto de Reforma da Previdência, deputado José Pimentel (PT-CE), apresentou seu parecer preliminar sobre o texto.
No relatório apresentado por Pimentel, foram incluídos os pontos polêmicos de preservação da integralidade e paridade para os atuais servidores públicos, sendo descartada, contudo, a reivindicação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em relação ao aumento do teto para contribuição de inativos de R$ 1,058 mil para R$ 1,3 mil. Ainda que a contragosto, os governadores não pressionaram a retirada da integralidade e paridade do relatório de Pimentel, procurando não atrasar o cronograma de tramitação das Reformas.
Assim, os governadores acreditam que tais propostas serão barradas no Congresso Nacional, após a discussão do mérito do projeto. Vale destacar que a concessão de tais benefícios aos atuais servidores públicos irá onerar os cofres públicos estaduais, ainda que no curto prazo não represente um grande ônus para o sistema previdenciário. A questão que se levanta, neste aspecto, é que no longo prazo, tais mudanças poderão gerar maiores ônus para a Previdência, comprometendo todo o processo de reestruturação.
Com nova deflação, crescem projeções de corte da Selic
No âmbito das notícias econômicas, o destaque da semana ficou com a divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe referente à segunda quadrissemana de julho. Neste sentido, o indicador apurou uma deflação de 0,35% no período, superior à variação negativa de 0,25% registrada na quadrissemana anterior. Vale destacar que esta é a terceira deflação consecutiva registrada pelo IPC, uma vez que no mês fechado de junho os preços caíram 0,16% segundo o índice da Fipe.
Dessa maneira, ampliam-se as perspectivas de um novo corte na taxa básica de juro na próxima reunião do Copom – Comitê de Política Monetária – que ocorrerá entre os dias 22 e 23 de julho. Uma grande parcela do mercado aposta numa redução entre um e dois pontos percentuais da Selic, de forma que os juros poderiam chegar, assim, a 24% ao ano.
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Mercado norte-americano segue cauteloso com economia
Apesar dos indicadores conjunturais favoráveis e dos bons resultados corporativos divulgados ao longo da semana, o mercado norte-americano apresentou um desempenho limitado no período, refletindo a cautela dos investidores em relação ao desempenho da economia dos Estados Unidos no segundo semestre. Um outro fato que movimentou o mercado norte-americano foi o pronunciamento do chairman do Federal Reserve, Alan Greenspan, sobre a economia local.
Neste sentido, Greenspan salientou que mantém o otimismo em relação a uma breve recuperação da economia norte-americana, descartando, praticamente, o risco de deflação. Ainda assim, o chairman do Fed declarou que a economia dos Estados Unidos não reagiu da maneira esperada ao corte de juros promovido pela autoridade monetária no mês de junho, abrindo precedentes para que o mercado começasse a apostar em novos cortes da taxa básica de juro dos EUA, atualmente em 1,0% ao ano.
No mercado de petróleo, por sua vez, os preços futuros da commodity acumularam leve queda de 0,21% na semana, fechando a sexta-feira a US$ 28,94 por barril do tipo Brent. Contribuiu para esta queda os maiores estoques de gasolina apurados na semana terminada em 11 de julho. Contudo, as perspectivas de aumento na demanda das refinarias nas próximas semanas acabou inibindo maiores quedas dos preços futuros do petróleo.
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Dólar e juros futuros registraram queda na semana
Apesar do nervosismo do mercado em relação ao cenário político, as perspectivas de novas captações brasileiras no mercado externo pressionaram o dólar ao longo desta semana, de modo que a moeda norte-americana acumulou leve queda de 0,28% na semana, fechando a última sexta-feira a R$ 2,8860.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a queda consistente dos preços animou os investidores, que passaram a apostar em um corte entre um e dois pontos percentuais da taxa Selic. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 20,93% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 21,72% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 24,40%, frente a uma taxa de 22,80% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, apresentou um bom desempenho na semana, dando continuidade ao movimento de recuperação que já havia sido iniciado na semana anterior. Dessa maneira, a bolsa paulista acumulou forte alta de 3,56% no período, impulsionada principalmente pelas ações do setor de telecomunicações e também pelas elétricas.
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Copom será destaque na próxima semana
Após uma semana de poucos eventos no mercado brasileiro, a quarta semana de julho deverá ser bastante agitada, com destaque para a divulgação de importantes indicadores econômicos, dentre eles índices de preços e as Notas do Banco Central. Contudo, o principal foco das atenções do mercado, pelo menos na primeira metade da semana, será a reunião do Copom para decisão da taxa básica de juro da economia. A reunião inicia-se na terça-feira e se estende até quarta-feira, quando será anunciado o patamar da Selic.
Com relação aos índices de preços, a Fundação Getúlio Vargas divulgará a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) para o mês de julho, além do IGP-10 referente a julho. Neste mesmo sentido, o IBGE divulgará o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15) e também a Pesquisa Mensal do Emprego. O Banco Central, por sua vez, divulgará a Nota do Mercado Aberto e a Nota do Setor Externo, ambas referentes ao mês de junho.
No mercado norte-americano, por sua vez, também serão divulgados importantes indicadores, dentre eles o Leading Indicators, o Treasury Budget, o Durable Good Orders, o Existing Home Sales e o New Home Sales.