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SÃO PAULO – Com as atenções direcionadas para o cenário econômico e também para a maior evolução das reformas estruturais, no âmbito político, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na segunda semana de dezembro, de forma que os juros futuros acumularam queda no período, enquanto o dólar ficou estável. A melhora do outlook do país também trouxe maior ânimo aos investidores no período.
S&P confirma expectativas e melhora perspectiva do país
Dentre as notícias de teor econômico, certamente o maior destaque ficou com a melhora do outlook do rating brasileiro de longo prazo em moeda estrangeira pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, na quinta-feira, que passou, assim, de estável para positivo. Tal ação indica que, em breve, a S&P poderá elevar o rating do país em moeda estrangeira, atualmente em B+.
De acordo com o relatório divulgado pela agência, a melhora da perspectiva do país reflete, basicamente, a continuidade do ajuste externo da economia brasileira, com uma expressiva redução da exposição cambial do setor público nos meses recentes, aliada a um bom desempenho da balança comercial. Outro destaque dado pela S&P diz respeito ao controle fiscal e monetário desenvolvido pelo governo durante este ano.
Inflação continua mostrando desaceleração
Ainda na pauta econômica, a segunda semana de dezembro foi marcada pela divulgação de importantes índices de preços, com destaque para a primeira prévia de dezembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, apurando uma inflação de 0,27% no período, contra uma variação positiva de 0,49% registrada no mês fechado de novembro.
A FGV também divulgou o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) referente ao mês de novembro, apurando uma inflação de 0,48% no referido período, levemente acima da alta dos preços de 0,44% registrada em outubro e em linha com as expectativas do mercado, contidas no relatório Focus, do Banco Central. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, por sua vez, subiu 0,22% na primeira quadrissemana de dezembro, abaixo da inflação de 0,27% registrada no mês fechado de novembro.
Planalto marca novas vitórias e avança com reformas
O quadro político também teve especial destaque no período, em função, principalmente, do maior avanço do governo na condução das reformas estruturais. Neste sentido, após 225 dias de tramitação no Congresso, a Reforma da Previdência foi aprovada em segundo turno pelo Senado, em uma votação bastante apertada, já que dos 75 senadores que estavam presentes, 51 votaram a favor e 24 contra o projeto.
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Vale lembrar que o número mínimo de votos necessários para aprovação do projeto é de 49 votos, visto que se trata de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), ou seja, apenas dois votos a menos do que o obtido pelo Planalto. Com relação à Reforma Tributária, o governo também conseguiu contabilizar um expressivo avanço com o projeto, após o mesmo ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e também em primeiro turno no plenário da Casa.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
Com relação ao mercado norte-americano, a segunda semana de dezembro foi marcada por um bom desempenho das principais bolsas, com o índice Dow Jones tendo fechado acima da barreira psicológica dos 10 mil pontos pela primeira vez em 18 meses. O foco dos investidores continuou voltado para a divulgação de vários indicadores conjunturais, com destaque para o Producer Price Index, que mostrou deflação no atacado em novembro.
Outro destaque nos Estados Unidos ficou com a reunião do Federal Reserve (Fed) na terça-feira, que decidiu pela manutenção da taxa básica de juro do país no patamar de 1,0%, o menor em mais de 40 anos. De acordo com o Fed, tal medida foi tomada em função dos sinais ainda pouco consistentes de recuperação econômica, especialmente tomando-se como referencial o mercado de trabalho.
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No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou forte elevação em seus preços na segunda semana de dezembro, em função, principalmente, da expressiva queda nas temperaturas do Nordeste dos Estados Unidos, que tende a ampliar a demanda por petróleo e combustíveis. Dessa maneira, o barril tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou o período cotado a US$ 30,38, acumulando uma alta de 5,71% na semana.
Dólar fecha estável e juros futuros caem
No mercado cambial, o dólar encerrou estável na semana, fechando cotado a R$ 2,9380. O comportamento da moeda norte-americana refletiu, basicamente, a decisão do Banco Central de resgatar integralmente o vencimento cambial de 18 de dezembro sendo compensada pelo otimismo do mercado em relação ao cenário doméstico, tanto no aspecto econômico quanto político.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, refletindo a maior perspectiva dos investidores em relação a um novo corte da Selic. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,75% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,92% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,33%, muito abaixo da taxa registrada na semana anterior.
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A bolsa paulista, por sua vez, encerrou próxima à estabilidade a semana, com os investidores analisando o cenário doméstico de uma maneira geral e ampliando as perspectivas de novo corte da Selic. Além disso, os investidores também analisaram a divulgação do novo modelo de regulamentação do setor elétrico, divulgado na quinta-feira. Assim, o Ibovespa acumulou leve alta de 0,45% no período.
Copom será foco na terceira semana de dezembro
A terceira semana de dezembro promete ser bastante agitada, tanto no mercado doméstico quanto no norte-americano. No Brasil, o destaque ficará para a reunião mensal do Copom, que decidirá, na quarta-feira, o novo patamar da taxa básica de juro da economia brasileira. O Banco Central anunciará também a Nota do Mercado Aberto e a Nota do Setor Externo, ambas referentes ao mês de novembro.
Destaque também para os índices de preços a serem divulgados, dentre eles a segunda prévia de dezembro do IGP-M e o IGP-10 de dezembro, ambos pela Fundação Getúlio Vargas, além do IPC da Fipe referente à segunda quadrissemana de dezembro. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por sua vez, divulgará o IPCA-15 referente a dezembro e o IPCA-Especial do quarto trimestre, além de suas pesquisas sobre a produção e o nível de salário e emprego na indústria.
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Nos Estados Unidos, serão divulgados os seguintes indicadores: New York Empire State, o CPI, o Core CPI, o Housing Starts, o Building Permits, o Current Account, o Industrial Production, o Capacity Utilization, o Leading Indicators, o Philadelphia Fed Index e o Treasury Budget.